O LUGAR NO TEMPO
11.11.19
12.10.19
TORRE DE MENAGEM
Castelo de Almourol, Tejo, Out. 2019
Quando estiveres sitiado, sobe à torre mais alta. É aí que deves resistir.
Estarás mais próximo das águias e mais afastado dos ratos.
21.2.19
NÃO ESTAMOS SÓS
(Foto @ J. Moedas Duarte)
Silabas tão leves
que nem a água
estremece
(Fernando Fabião, Na Orlas da Tinta, 2001)
Fantástico...
Extraordinária magia que acabo de conhecer.
Extraordinária magia que acabo de conhecer.
Procurei saber quem era esta pessoa e encontrei o seu blogue "ALMA TUA", com este poema:
Escrever, tecer um anel
em redor das coisas.
A tinta prolonga
o sangue,
consome o saber das sílabas.
Com um pé na forma
e outro na errância,
navego no coração do vento.
Respiro no milagre
dos gestos íntimos e graves.
Faço do espanto
a regra e o sinal.
Talvez adormeça
encostado ao azul,
na mais pura ignorância da morte.
Não podia deixar de comentar. Foi o que fiz:
Posso ajudar: Fernando Fabião é um cidadão torriense (Torres Vedras) que vive em Mafra. Advogado, trabalha na Administração Pública. Tem obra publicada, infelizmente pouco conhecida, porque não é um mercador das Letras.
Tenho aqui os livros dele: Nascente da sede (Ed. Ulmeiro, 2000) e Na orla da tinta (Cam. Municipal do Funchal, 2001).
Todos os anos, pelo Natal, manda-me Boas Festas acompanhadas de um ou dois poemas.
Alfredo Rangel visitou o meu blogue em 21 Fev 2019 e deixou comentário que expressa o seu deslumbramento face à poesia de F. Fabião.
Deslumbramento que procurou transmitir através deste poema."
A foto que ilustra este apontamento é a expressão paradoxal de que não estamos sós.
No mundo, ao nosso lado, habitam pessoas como Fernando Fabião e Alfredo Rangel.
10.2.19
2.7.18
22.8.17
NOSTALGIA
Visitei há dias a velha casa. Se bem se recordam, recordei-a há meses atrás, aqui.
Meus pais venderam-na em 1980, quando decidiram viver os últimos anos das suas vidas em Torres Vedras, perto dos filhos.
Os novos donos lá habitaram e fizeram algumas obras. Quando morreram, os filhos que já tinham as suas próprias moradas, deixaram aquela casa ao abandono. Até agora, quando decidiram pô-la à venda.
Não tinha qualquer intenção de a comprar mas roía-me a curiosidade de a ver de novo. De facto, nunca mais lá entrara. Telefonei aos vendedores e combinámos encontro. Acompanhavam-me os filhos e netos, desejosos de conhecerem o lugar das suas raízes.
Como encontrar as palavras certas para descrever a decepção e o desgosto perante o que vi?
Salva-se a fachada principal que tem uma data na empena: 1937.
Este era o pátio que minha mãe caiava todos os anos pela Primavera:
Hoje está assim:
Alguém a comprará e deitará abaixo. Pelo que observei, todo o conjunto está em ruínas e não tem estrutura que possa ser recuperada.
Como cantava Leo Ferré:
Meus pais venderam-na em 1980, quando decidiram viver os últimos anos das suas vidas em Torres Vedras, perto dos filhos.
Os novos donos lá habitaram e fizeram algumas obras. Quando morreram, os filhos que já tinham as suas próprias moradas, deixaram aquela casa ao abandono. Até agora, quando decidiram pô-la à venda.
Não tinha qualquer intenção de a comprar mas roía-me a curiosidade de a ver de novo. De facto, nunca mais lá entrara. Telefonei aos vendedores e combinámos encontro. Acompanhavam-me os filhos e netos, desejosos de conhecerem o lugar das suas raízes.
Como encontrar as palavras certas para descrever a decepção e o desgosto perante o que vi?
Salva-se a fachada principal que tem uma data na empena: 1937.
Este era o pátio que minha mãe caiava todos os anos pela Primavera:
Hoje está assim:
Alguém a comprará e deitará abaixo. Pelo que observei, todo o conjunto está em ruínas e não tem estrutura que possa ser recuperada.
Como cantava Leo Ferré:
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien
23.4.17
IMORTAL TCHEKHOV
In: CONTOS ESCOLHIDOS, Civilização Editora, Tradução de Mário Braga, 2013.
« (...) lia-se na cara de Neshtchapov que isso não lhe interessava nada e que há muito, muito tempo mesmo, não lia nem procurava cultivar-se. Sério, inexpressivo, como um retrato mal pintado, (...)» (Pág. 38)
Retenho: «Sério, inexpressivo, como um retrato mal pintado.»
5.4.17
AS TRASEIRAS DA VELHA CASA
Já em tempos aqui publiquei estas imagens. A elas regresso por serem oportunas, na sequência do post anterior.
Este era o pátio nas traseiras da casa. Sítio de passagem e de brincadeira, de trabalho e de convívio com os vizinhos do rés do chão. Lá em cima, a varanda era o lugar encantado da casa. Encostado à balaustrada, sentia-me comandante na amurada de um navio. Nos intervalos da navegação, andava de triciclo.
Os vasos de flores foram uma composição da minha avó Leonor que, assim, achava que a foto ficava mais bonita. Meu pai, de Kodak na mão, não se opôs. A avó Leonor era um bocado irascível.
4.4.17
A VELHA CASA RESISTE AINDA...
Na Rua Luís de Camões, em Alpiarça.
Eu sei, é inevitável: um dia a casa vem a baixo. Os proprietários puseram-na à venda...
25.3.17
CONFRARIA IBÉRICA DO TEJO
Há um ano realizou-se o 2º Forum Ibérico do Tejo que o texto relata com pormenores.
CONFRARIA
IBÉRICA DO TEJO
Em 19 e 20 de
Março de 2016, cerca de 200 pessoas reuniram-se em Vila Franca de Xira para
participar no 2º Fórum Ibérico do Tejo. Estiveram presentes cidadãos
portugueses e espanhóis que participaram activamente nos trabalhos.
Analisaram-se temas como a gestão insustentável dos recursos da água, o mito da
rentabilidade dos transvases, o património histórico-cultural do Tejo e a sua
conservação e valorização, a reabilitação de linhas de água da bacia do Tejo, a
astronomia no Tejo, a gestão dos recursos hídricos do Tejo, a utilização da
água na bacia do Segura, as afinidades históricas entre Castilha – La Mancha e
o Ribatejo, a valorização e a conservação do Tejo, e o legado cultural vivo que
este rio representa. Deram corpo e alma a estes temas um conjunto de especialistas
como Angél Monterrúbio Perez, António Carmona Rodrigues, Beatriz Larraz Iribas,
Carlos A. Cupeto, Enrique San Martín Gonzaléz, José Bastos Saldanha, Julia
Martinez Fernandéz, Máximo Ferreira, Miguel Mendez-Cabeza e Pedro Teiga.
Estiveram presentes 26 autarquias, incluindo a anfitriã Vila Franca de Xira,
das quais 15 Câmaras Municipais – desde Mação até Alcochete – que se fizeram
representar através de stands de promoção local. De Espanha estiveram os
Ayuntamientos de Talavera de la Reina e de Toledo. Esteve igualmente uma
representação de Aranjuez. No grupo de conferencistas e de pessoas presentes
estiveram representantes de cinco universidades – três portuguesas e duas
espanholas – assim como de dois Institutos Universitários e um Instituto
Politécnico (de Setúbal). Ao longo dos dois dias, o 2º Fórum Ibérico do Tejo
foi o centro de um dos mais urgentes debates do nosso tempo e aí foi decidido,
em sessão própria, criar a Confraria Ibérica do Tejo (CIT), tendo para o efeito
sido nomeada uma Comissão Instaladora eleita pelos participantes. A dimensão
transfronteiriça do Tejo implica uma visão ampla e multidisciplinar que esteve
reflectida nos temas da iniciativa - Economia, Cultura e Meio Ambiente - e
esses passarão a constituir o objeto social e o foco de acção da CIT. Pode
sintetizar-se o espírito da futura associação como uma plataforma não
reivindicativa, criada para aproximar pessoas e entidades ao longo do Tejo
ibérico, para confluírem em pontos de entendimento válidos para o
desenvolvimento harmonioso e sustentável das comunidades ribeirinhas. Com este
espírito desenvolver-se-á uma actividade ao longo das comunidades situadas na
bacia hidrográfica do rio que propicie a partilha de valores, sentimentos e
interesses das populações e dos agentes políticos, económicos, culturais e
ambientais, porque o Tejo precisa de recuperar a cumplicidade e a ligação entre
os seus povos, através de projectos e de acções que devolvam a identidade ao
rio e captem os investimentos que segurem as populações às suas origens. Além
disso, a CIT procurará promover ações conjuntas com entidades que comunguem os
mesmos princípios, ainda que localizadas noutras regiões da Península. A
criação desta associação tem data marcada para 25 de Março de 2017, às 15
horas, no Museu do Neo Realismo, em Vila Franca de Xira. A Comissão Instaladora
da Confraria Ibérica do Tejo.
(Texto in: http://www.cm-vfxira.pt/uploads/writer_file/document/15377/O_esp_rito_da_Confraria_Ib_rica_do_Tejo_e_a_sua_cria__o.pdf )
Hoje, 25 de Março de 2017, no Museu do Neo Realismo em Vila Franca de Xira, será a formalização desta nova associação.
Lá estarei. Nascido num concelho ribeirinho - Alpiarça - o Tejo foi a minha praia na juventude. Lá aprendi a nadar, em tardes de convívio sob o quentíssimo sol de Verão do Ribatejo.
Tejo - o grande rio da Península - necessita da participação dos cidadãos na sua defesa e preservação. Veja-se a gravíssima situação verificada há cerca de um mês:
http://elegante.pt/2017/02/09/poluicao-gravissima-do-rio-tejo-filmada-por-drones/
http://elegante.pt/2017/02/09/poluicao-gravissima-do-rio-tejo-filmada-por-drones/
Lembrei-me de um belo livro que recebi há uns anos como prenda de anos. Com ele recordei as paisagens e os lugares habitados que rodeiam o grande rio, nos seus 1 070 km de percurso deste a Serra de Albarracim até ao Atlântico
Inevitavelmente, vem à memória o poema de Alberto Caeiro:
Pelo Tejo Vai-se para o Mundo
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XX"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XX"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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Ou, de António Gedeão
Poema da Memória
Havia no meu tempo um rio chamado Tejo
que se estendia ao Sol na linha do horizonte.
Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia
exactamente um espelho
porque, do que sabia,
só um espelho com isso se parecia.
De joelhos no banco, o busto inteiriçado,
só tinha olhos para o rio distante,
os olhos do animal embalsamado
mas vivo
na vítrea fixidez dos olhos penetrantes.
Diria o rio que havia no seu tempo
um recorte quadrado, ao longe, na linha do horizonte,
onde dois grandes olhos,
grandes e ávidos, fixos e pasmados,
o fitavam sem tréguas nem cansaço.
Eram dois olhos grandes,
olhos de bicho atento
que espera apenas por amor de esperar.
E por que não galgar sobre os telhados,
os telhados vermelhos
das casas baixas com varandas verdes
e nas varandas verdes, sardinheiras?
Ai se fosse o da história que voava
com asas grandes, grandes, flutuantes,
e poisava onde bem lhe apetecia,
e espreitava pelos vidros das janelas
das casas baixas com varandas verdes!
Ai que bom seria!
Espreitar não, que é feio,
mas ir até ao longe e tocar nele,
e nele ver os seus olhos repetidos,
grandes e húmidos, vorazes e inocentes.
Como seria bom!
Descaem-se-me as pálpebras e, com isso,
(tão simples isso)
não há olhos, nem rio, nem varandas, nem nada.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'
que se estendia ao Sol na linha do horizonte.
Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia
exactamente um espelho
porque, do que sabia,
só um espelho com isso se parecia.
De joelhos no banco, o busto inteiriçado,
só tinha olhos para o rio distante,
os olhos do animal embalsamado
mas vivo
na vítrea fixidez dos olhos penetrantes.
Diria o rio que havia no seu tempo
um recorte quadrado, ao longe, na linha do horizonte,
onde dois grandes olhos,
grandes e ávidos, fixos e pasmados,
o fitavam sem tréguas nem cansaço.
Eram dois olhos grandes,
olhos de bicho atento
que espera apenas por amor de esperar.
E por que não galgar sobre os telhados,
os telhados vermelhos
das casas baixas com varandas verdes
e nas varandas verdes, sardinheiras?
Ai se fosse o da história que voava
com asas grandes, grandes, flutuantes,
e poisava onde bem lhe apetecia,
e espreitava pelos vidros das janelas
das casas baixas com varandas verdes!
Ai que bom seria!
Espreitar não, que é feio,
mas ir até ao longe e tocar nele,
e nele ver os seus olhos repetidos,
grandes e húmidos, vorazes e inocentes.
Como seria bom!
Descaem-se-me as pálpebras e, com isso,
(tão simples isso)
não há olhos, nem rio, nem varandas, nem nada.
António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'
25.12.16
NATAL 1948
Pequeno presente de Natal: folhear um velho jornal de Torres Vedras e encontrar um soneto de Afonso Moura Guedes.
15.9.15
MEMÓRIAS DO TRABALHO PRODUTIVO
Um bom cartaz é meio caminho andado.
Agora só falta esperar que a realização corresponda ao que foi sonhado.
Mais pormenores:
https://www.facebook.com/patrimonio.de.torres.vedras?ref=hl
1.8.15
BARCO NO TÂMEGA
Amarante caía na sonolência, depois do feriado. O Tâmega adormecia e um homem, de pé no seu barco, esperava. No Zé da Calçada cheirava a arroz de tamboril.
O teu olhar. O teu sorriso.
Os círculos na água não deixam que o sonho naufrague.
Não deixes que a noite nos separe. Temos um barco, navega comigo.
[ Fotos J Moedas Duarte ]
17.6.15
![]() |
| Rubens - Orfeu e Eurídice, Museu do Prado |
A SOMBRA DE EURÍDICE
Canção
divina as cousas comovia,
E de ternura
as árvores choravam...
E lembrava o
luar a luz do dia
E os
ribeiros, extáticos, paravam.
Era Orfeu,
de inspirado, que descia
Às entranhas
da terra! E se afundavam
Os seus
olhos na noite, muda e fria,
Onde as
pálidas sombras vagueavam.
Eurídice, o
seu morto e triste amor,
Ouvindo-o,
tomou forma e viva cor,
Íntima luz à
face lhe subiu...
Mas Orfeu,
pobre amante enlouquecido,
Quis ver
aquele corpo estremecido...
E, outra vez
sombra, Eurídice fugiu...
Teixeira de
Pascoaes
8.1.15
PELA LIBERDADE
Liberté
Sur mes cahiers d’écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J’écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J’écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J’écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l’écho de mon enfance
J’écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J’écris ton nom
Sur tous mes chiffons d’azur
Sur l’étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J’écris ton nom
Sur les champs sur l’horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J’écris ton nom
Sur chaque bouffée d’aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J’écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l’orage
Sur la pluie épaisse et fade
J’écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J’écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J’écris ton nom
Sur la lampe qui s’allume
Sur la lampe qui s’éteint
Sur mes maisons réunies
J’écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Du miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J’écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J’écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J’écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J’écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J’écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J’écris ton nom
Sur l’absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J’écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l’espoir sans souvenir
J’écris ton nom
Et par le pouvoir d’un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
Paul Eluard, Au rendez-vous allemand, 1945, Les Editions de Minuit
3.1.15
DOIS POEMAS DE FERNANDO FABIÃO
Conheço lugares
que não vêm nos mapas
lameiros acesos pelo labor solar
dos camponeses.
Casas, arquitectura de infância
fio de prumo, adobes e sombra
de estrelas.
Conheço lugares
macerados pela melancolia
fragas expostas à linguagem feroz
do abandono
haste de cereal, alvíssima.
Territórios de xisto, manchas de musgo
pólen anunciando a doçura furtiva do mel.
Conheço lugares
escritos pelo pensamento límpido
de Deus.
O ano de 2014 chegava ao fim. Mais uma vez Fernando Fabião vem trazer-me o aconchego das palavras.
Leio devagar o teu poema. Leio muito devagar.
Os teus lugares estão para além do tempo
Como agradecer-te, meu querido poeta?
Tenho cabelos brancos
cor de prata
cor de pranto
cor de cal
Atravesso os dias devagar
levo nos bolsos recados
uma velha canção
um pião que gira em redor do azul
Tenho cabelos brancos
uma gramática precária
o olhar pousado no sono do mundo
E não sei nada.
27.12.14
METAMORFOSES DO CHOUPAL
Esperamos que fique bonito depois destas obras radicais.
Mas receio que no final surja um espaço muito clean style, ao gosto de tantos que proliferam por esse país fora: áreas rapadas, canteiros enfezados, matacões de pedra onde ninguém se senta, muros de betão. Oxalá me engane.
Os muros de betão já existem, em contraste com os que lá estavam, muito mais airosos e leves, Compare-se o de cima com o de baixo:
Naturalmente não pudemos entrar no espaço da obra. As fotos foram tiradas nas ruas adjacentes. Já se vê o tabuleiro da ponte pedonal, a grande novidade que - esperamos! - aproxime os torrienses daquele espaço até agora tão desprezado.
A ponte pedonal sobre a estrada, entre a Ponte da Mentira e a Ponte de S. Miguel:
A velha Ermida da Srª do Amial aguarda os arranjos do espaço envolvente:
Mas receio que no final surja um espaço muito clean style, ao gosto de tantos que proliferam por esse país fora: áreas rapadas, canteiros enfezados, matacões de pedra onde ninguém se senta, muros de betão. Oxalá me engane.
Os muros de betão já existem, em contraste com os que lá estavam, muito mais airosos e leves, Compare-se o de cima com o de baixo:
Naturalmente não pudemos entrar no espaço da obra. As fotos foram tiradas nas ruas adjacentes. Já se vê o tabuleiro da ponte pedonal, a grande novidade que - esperamos! - aproxime os torrienses daquele espaço até agora tão desprezado.
A ponte pedonal sobre a estrada, entre a Ponte da Mentira e a Ponte de S. Miguel:
A velha Ermida da Srª do Amial aguarda os arranjos do espaço envolvente:
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