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24.6.12

LEITURAS NO PARQUE



Uma iniciativa muito bonita da Biblioteca Municipal de Torres Vedras juntamente com os Livreiros da cidade. Pouca gente? O costume, nesta cidade de distraídos...


Várias "Horas do Conto", com leitura à sombra das árvores do Parque



O cenário em que as cosas se passaram...


Escritor Luís Filipe Cristóvão fala do seu "Afonso e o Livro"

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Escritora Teresa Lopes Vieira

Escritora Tânia Ganho

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Teolinda Gersão falou da sua obra, com destaque para o livro mais recente,
A Cidade de Ulisses

*


Clara Pinto Correia a propósito da reedição do seu Adeus Princesa 

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Em jeito de balanço: a divulgação terá sido deficiente mas a população de Torres Vedras é relapsa quanto à indiferença pela Literatura. Ando nisto há muitos anos, trouxe cá grandes escritores portugueses e o máximo que vi foi assistências excepcionais de 20 / 30 pessoas.
Interrogo-me muitas vezes: por onde andam as dezenas de professores de Língua Portuguesa das duas Escolas Secundárias e das duas do Ensino Básico? E os professores de outras áreas humanísticas? Para já não falar nos outros todos, a quem só faria bem lerem mais e participarem nas actividades culturais. Deve haver mais de 300 professores só das escolas da cidade...
E - perdoem o elitismo, mas quem mais estudou mais responsabilidades tem - onde os engenheiros? os advogados?  os médicos?  os arquitectos? 

De qualquer modo há que emendar alguns processos. Sugiro que os encontros com escritores se façam no espaço do Bar Saborear. É lá que estão as pessoas. Se elas ficarem incomodadas, que se levantem e se retirem, mas não acredito que o façam. 
Sugiro também que em vez do Sábado e Domingo se faça numa Sexta e Sábado, em tempo de aulas, sendo que na Sexta a acção privilegie uma Escola Secundária.

De qualquer modo deixo aqui o meu reconhecimento à equipa da Biblioteca Municipal e aos Livreiros de Torres Vedras que, já em tempo de Verão,  ousaram enfrentar a indiferença dos gentios...
Observação: estiveram presentes outros escritores mas não assisti às suas sessões. Não se pode ir a tudo e este blogue é um espaço pessoal...

19.3.12

PRÉMIO LITERÁRIO



O cavalo a pedra a nuvem o amor
tudo o que se desloca
desloca-se para um fim, a gota de orvalho
nas folhas ou entre os dedos segue seu rumo,
a própria chuva quando cai bate
profundo

Se alguém te perguntar para onde corres
responde: sem fim.



Luís Filipe Rodrigues acaba de ser distinguido com o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho de poesia, instituído pelo Município de Loures. A concurso, 132 coletâneas de poemas originais,  apreciadas por um júri composto por António Carlos Cortez, José Correia Tavares e Amélia Vieira.
O prémio inclui a futura publicação da obra premiada,  intitulada LUGARES DE PASSAGEM, coletânea de 41 poemas.
Transcrevemos o último.

30.12.11

AGRADECENDO AS LARANJAS




Luís Filipe Rodrigues passou à minha porta e deixou um poema e votos de Bom Ano.
Agradeço, retribuo os votos e publico.


Deixou metade da laranja na mesa. Não o perturbou a falta de apetite nem o desenho abandonado a meio.
«A dieta tem as suas regras, tal como a perspectiva. A escassez dói e nos faz fortes, mas viver no limite da escassez altera a visão final do desenho.
            A realidade depende do ponto donde se olha. A conclusão é variável porque o espírito flutua conforme o vento. Ao seguir-se a linha da falésia onde mora o indizível, é arriscado atravessar a treva sem uma luz que nos chame e oriente. Perante o horizonte abstracto permanece a dúvida, ou será que a minha fome consiste em continuar a viver na cegueira» disse ele.
            Dias depois ao sentar-se novamente à mesa, no silêncio de si consigo e depois de muito meditar, notou que o desenho tinha mudado: As árvores desciam do céu e o chão atapetado de laranjas.

21.8.10

IMAGENS DO MEU OLHAR - Um velho chafariz...

Luís Filipe Rodrigues, poeta publicado e meu amigo,  gosta de olhar e escrever.
Eu, sem pretensões a mais, gosto de olhar, ler e... tentar escrever sobre o que vi e li.
O resultado pode ser engraçado.

Vejamos o que aconteceu com o velho Chafariz dos Canos.





CHAFARIZ DOS CANOS

O que fora desde o século XIV até cansa imaginar
de manhã à noite a dança dos aguadeiros
e mulheres de cântaro à cinta,
mãos que se matavam por um fio de água.
Quando a luz cedia, sob os arcos ainda se ouviam as bilhas
cantando. De nenhum lado agora a água corre,
só a imaginação tacteante lembra tal salmodia.
Há muito que o mundo daí se despediu.
Dirão que é um vento bravo que nos olha, um tempo
tão veloz que sufoca sem cessar. O certo é que
novo tempo há-de vir,
e nós mais que cegos ao pôr-do-sol.

O que se vê após tanta mudança é o que dura,
a lápide antiga, a pedra enrugada,
os coruchéus e as ameias à espera de nova moldura.

Luís Filipe Rodrigues

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CHAFARIZ DOS CANOS

Um fio de água, um tanque
sede de almocreve
notícias de longe a fazer perto
tantos séculos de ermos e silêncio

Sete mulas e alguns odres
sal, azeite e o sol
tanto caminho andado
à sede    à tanta sede
de quem demora a chegar

E agora aqui sentado
alongam-se sombras
arcos de ogiva
minha breve casa 
sede saciada

Homens de sete partidas
ó almocreves da vida
bebidos pelo tempo

não voltam   já não voltam

ficou a pedra esfarelada    areias
rasto de tempo a delir-se
pelo chão

Méon

27.12.09

MEDIR A ETERNIDADE








No alpendre de onde se avista a infância e os canaviais
ao longo do corpo, a minha mãe dizia é bom ter um relógio
na alma
                 para medir a eternidade.



(Luís Filipe Rodrigues)

Nada de balanços de ano nem de década nem de nada. A vida flui, e eu rio dela, esse rio de que não sei a foz. O que fica, o que vai ficar, é a respiração de cada momento e algum marco miliário numa curva da memória.
Como a carta que em 28 de Dezembro de 1986 me escreveu Luís Filipe, - a braços com uma madrugada tresnoitada - e que começa com uma citação de Virgílio Ferreira (de Invocação ao Meu Corpo ):

« Há o sangue que nos deram e o ar que respiramos e uma palavra trocada acidentalmente e que já esquecemos, e os problemas que chegaram até nós para os problematizarmos de novo, para lhes darmos novas soluções, ou simplesmente para os recusarmos como problemas, e há uma doença algures na infância ou juventude e que nos deixou uma cicatriz que já nos não dói e todavia dói ainda, e há os mil encontros e desencontros e sucessos e desastres e livros que lemos ou não chegamos a ler, e há um instante de boa ou má disposição (...) mas para lá de tudo isso, no fundo sem fundo dessa mesma pessoa, há uma deliberação que escapu à nossa deliberação, uma escolha original que não "escolheu", uma decisão que só começou a sê-lo quando já o era, há o insondável da obscuridade de nós - e foi aí, definitivamente, que tudo enfim aconteceu.»

Anos passam, " em passar consistem" (Ruy Belo). E nós neles e com eles. Gravemente meditando, ironicamente olhando esse passar cada vez mais rápido, água num sumidoiro.

Só as palavras do poeta nos salvam e deslumbram...

9.11.09

ABRAÇO, LUÍS FILIPE RODRIGUES !



AQUEDUTO


Ficou ali à entrada da vila

ano após ano após

o século dezasseis ao longe,

e havia água.


Agora todos os dias a morrer

são dois quilómetros tristes

de tristes arcos, ó triste

criatura parada de cada lado


do rio. Feliz de quem passa

por te ver

pedra a pedra no ar pregado,


para te ver sem água a correr

à porta da tabacaria:

ó meu querido postal ilustrado.



Luís Filipe Rodrigues

Um poema que me chegou hoje, em jeito de brincadeira afectuosa.