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9.11.08

Mundos paralelos



Estive lá! Subi do Terreiro do Paço até ao Marquês! Vi!
No Telejornal da noite, na RTP, a Ministra: também a vi, a responder, convicta, às questões pertinentes do jornalista.
Tento despir-me de preconceitos e olhar para ela como alguém que está a tentar fazer o melhor que pode e sabe. Tento percebê-la, sei que é errado diabolizá-la, prescruto o que vai dentro da mente dela.




E uma evidência se impõe: entre ela e os mais de cem mil que estiveram na rua há uma parede intransponível. Não vivemos no mesmo mundo! A realidade que ela vê não é a mesma que nós vemos. Por isso este diálogo de surdos.
Ela fala em dois papéis que é necessário preencher - apenas dois papéis, senhor jornalista!
Os professores falam em horas de intermináveis reuniões, em resmas de papel.
Este é o grande, - O GRANDE problema ! - de quem nos governa: eles vivem fechados nos gabinetes, só falam com dossiês preparados por assessores carreiristas e quando descem ao povoado vêm blindados de cerimónias protocolares.
Eles não fazem a mínima ideia de como vivemos, do que fazemos, do que pensamos. E pensam que governam!




Quero acreditar nas boas intenções deles mas esbarro nesta verificação: pusemo-los lá em cima com o nosso voto e eles convenceram-se de que são imprescindíveis à marcha da História. E verifico mais: só alguns estão bem intencionados. A maioria entrincheirou-se nessa gaiola dourada do PODER ADMINISTRATIVO e tornou-se objectivamente cúmplice dos que têm o PODER REAL do dinheiro, o verdadeiro PODER POLÍTICO. E logo que podem passam de um para o outro.




O caso do BPN aí está, de fulgurante clareza. Os barões do Cavaquismo! O que eles diziam que eram e o que eles são! ("Pai, sou Ministro!" - gritava ao telefone o Dias Loureiro, que agora é Conselheiro de Estado e um dos grandes do BPN! ). O padrinho deles é, agora, o nosso Presidente! Calado que nem um rato, com medo que o soba da Madeira fale alto do muito que sabe...




Tudo me faz lembrar o "ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA": impressionante metáfora deste medonho mundo!
Com os olhos parados, brancos, ela falava, a Ministra. Era como se caminhasse às apalpadelas pelo corredor da sua imensa escuridão!

20.10.08

DIREITO À INDIGNAÇÃO


Porque considero MUITO IMPORTANTE, transcrevo do blogue do Paulo Guinote:




« Adivinha-se o simplex para evitar o descalabro:




Foi na sexta-feira passada, dia 17/10. A ministra reuniu, em Lisboa, com duas dezenas de membros das recentemente criadas “equipas de apoio à avaliação de desempenho”. São 22 professores, quase todos directores ou ex-directores de CFAEs, que integram as equipas de apoio criadas pela DGRHE com a função de darem formação aos PCEs e avaliadores e acompanharem os processos de avaliação de desempenho nos agrupamentos onde houver mais dificuldades ou o processo estiver paralisado. São uma espécie de “INEM” da avaliação de desempenho ou bombeiros para todo o serviço. Doze actuam na região de Lisboa e Sul do país e dez no Centro e Norte. A reunião do dia 17/10 durou um dia inteiro e a ministra da educação esteve presente durante algumas horas, prestou esclarecimentos e deu alguns conselhos:1. Digam aos PCEs e aos avaliadores que podem agregar os itens das fichas de avaliação de desempenho de modo a torná-las mais fáceis de preencher. Não explicou com que base legal nem os presentes tiveram a coragem ou a lucidez de fazer a pergunta.2. Os professores que tiverem excelente não precisarão de ter aulas observadas nos próximos anos. Também não explicou com que base legal e ninguém se deu ao trabalho de perguntar.3. As reuniões entre avaliadores e avaliados podem ter a duração que as escolas quiserem e podem, em certos casos, não se realizar. Também não indicou a base legal.Alguns professores presentes na reunião informaram-me que a ministra da educação está disposta a aceitar a simplificação do processo e está, pela primeira vez, aberta à possibilidade de deixar cair os resultados dos alunos para efeitos da avaliação de desempenho dos professores.O que é que isto significa?i. O ME está em pânico com o movimento de resistência interna nas escolas. Os avaliadores e os avaliados que têm aprovado moções a pedir a suspensão do processo ou estão a solicitar esclarecimentos antes de avançarem com o processo são verdadeiros heróis e heroínas. A estratégia está a resultar. O ME está a dar sinais de quebrar.ii. O ME está com receio de que os professores saiam à rua em proporções semelhantes às do 8 de Março. Há muitas pressões de deputados - em particular de António José Seguro, o responsável pela Comissão de Educação da AR - no sentido de o Governo se entender com os professores ao longo de 2009. Esse entendimento obrigará a um recuo do ME no processo de avaliação de desempenho.iii. Perante isto, justifica-se que a Plataforma Sindical e a APEDE, PROmova e MUP se entendam, durante a semana que vem, de forma a agendarem uma única grande manifestação de professores que faça tremer o Governo e aumente a pressão dos deputados do PS - que naturalmente estão com medo de perderem os lugares - sobre a ministra da educação e sobre o primeiro-ministro.O momento é demasiado crucial para que a divisão dos professores se mantenha. É preciso apagar o orgulho e o ressentimento que tomou conta dos nossos corações.




Este post do Ramiro Marques é importante pelo conteúdo e também pelo apelo que contém.
No entanto, eu gostaria de introduzir uma nota adicional em tudo isto, com a responsabilidade de, nos primeiros tempos, ter achado que a Plataforma Sindical saberia lidar com o Entendimento assinado após o 8 de Março, o que não se veio a confirmar.
Com uma ou duas manifestações, com uma plataforma comum ou não de reivindicações em relação ao ME, a esta altura eu não aceito nenhum Entendimento visando simplificar o modelo de avaliação do desempenho docente que não inclua, de forma clara, uma de duas condições:




--> A revogação ou substituição do DR 2/2008 e não o seu enxerto com portarias avulsas e despachos casuísticos ou, pior, aplicações simplificadas sem qualquer suporte legal.
--> A admissão explícita da sua inexequibilidade prática por parte do ME.




Desculpem-me lá o mau feitio, mas desta vez não me aptce que existam margens nenhumas para dúvidas.»