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31.5.13

IMAGENS DO MEU OLHAR - Ruas de Castelo de Vide









(...)

Canta, nostalgia,
em mim que sou o canto,
e que absoluto me levanto
como nasce o dia.

(...)
Manuel António Pina

Fotos(C)J Moedas Duarte
Castelo de Vide, 2012

10.3.13

REGRESSO A CASA



O CAMINHO DE CASA

Volto de noite para casa.
Tudo é memória fora de mim
ou onde em mim alguém conduz
fisicamente o automóvel.

Como não estarei 
nem não estarei
em nenhum sítio, voltando
absolutamente para casa?

Subindo as escadas grave e inocente
como quem volta à noite para casa
e voltando para casa inteiramente
e adormecendo em mim como em casa?



Manuel António Pina
9/2/85
TODAS AS PALAVRAS - Poesia reunida
Asírio & Alvim, Porto, 2012

Foto: J Moedas Duarte



19.10.12

ADEUS, POETA!


Chego a casa e soube da notícia: morreste.
Pego nos teus poemas: vives.

A RTP 2 transmitia um programa sobre ti, de que só vi a parte final, aquela em que um polícia, fardado, citava de cor poemas teus.
Não  morreste, poeta!

Momento de recordar o LUGAR ONDE de Maio de 2011, em que se celebrava a atribuição do PRÉMIO CAMÕES a Manuel António Pina.

5.8.11

"COMISSÃO LIQUIDATÁRIA" - Crónica de Manuel António Pina





JN de 3 de Agosto

Acredite se quiser



O actual Governo começa a parecer-se de mais com uma comissão liquidatária do património do Estado a preços de saldo (e com os contribuintes a financiar os compradores).

A eliminação das "golden shares" a troco de nem um cêntimo não foi outra coisa senão uma escandalosa liberalidade ao capital privado. E não se diga que foi imposição da "troika" pois a "imposição" foi aceite, é bom não esquecê-lo, por PSD, CDS e PS e apesar de Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Irlanda, Grécia, Finlândia, Bélgica e Polónia continuarem a manter "golden shares" em empresas estratégicas (provavelmente terão é governos menos servis).

O BPN será, por sua vez, "vendido" ao BIC com o Estado a suportar os encargos dos despedimentos e ter que nele meter ainda mais 550 milhões, além dos 2,4 mil milhões que já lá estão. Tudo por... 40 milhões.

Seguir-se-ão os transportes, as estruturas aeroportuárias, os Correios, a água... O processo será o mesmo dos transportes: primeiro limpam-se os passivos das empresas à custa dos contribuintes (os aumentos "colossais" das tarifas dos transportes públicos dão uma ideia do que está para vir) depois são entregues de bandeja ao capital privado.

Para isso, o Orçamento Rectificativo agora apresentado na AR prevê 12 mil milhões para a banca mais um aumento de 20 para 35 mil milhões em garantias. Assim não faltarão à banca dinheiro nem garantias do Estado para ir aos saldos do Estado.

Manuel António Pina

15.6.11

O Beijo ( pormenor) Klimt

AMOR COMO EM CASA
 
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
e amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina

15.5.11

AINDA MANUEL ANTÓNIO PINA






Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão.

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas inúteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

Eduardo Prado Coelho, no livro A POESIA ENSINA A CAIR:

"Manuel António Pina é certamente um dos nomes fundamentais da actual literatura portuguesa."

"... parece-me um dos autores contemporâneos que mais explicitamente parte de Pessoa."





12.11.09

A MEU FAVOR...




COMPLETAS

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

(Manuel António Pina, n. 1943)