Respira-se aqui o ar do velho comércio de antigamente. Como é que estes homens de camisas suadas e estas mulheres de mãos gretadas podem ser pacificamente transferidos para o cromado e asséptico novo mercado municipal?
Com tantos adjectivos, aqui pouco se diz da genuina actividade destes sábios do abastecimento. Podem andar em carrinhas toyotas e mitzubiches, fordes e citroénes, mas é por obrigação do tempo. Nas mãos e nos dizeres ainda trazem o antiquíssimo manejar de cavalos e burros. Preferem talvez a chuva e o frio em Fevereiro, o sol e o calor deste Verão escaldado. Desconfiam do sofisticado comércio que lhes impõem de fora.
E eu pergunto: que foi feito pelos poderes instituídos para os ajudar a mudar? Para os convencer das vantagens?
E é Cesário Verde que regressa:
Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas:
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!

