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23.10.09

ESPERANÇA


Maria de Lurdes Rodrigues não deixa saudades. Cometeu um erro crasso: quis mudar a Escola colocando-se contra os professores. Mais tarde tentou emendar a mão mas o mal estava feito. Não é por acaso que dois em cada três professores estava contra ela. Sabendo nós que o grupo docente é maioritariamente do centro político, a oposição tenaz que lhe foi movida foi consequência de uma acção mal conduzida e de uma insensibilidade gritante perante o real funcionamento das escolas. Era sabido, aliás, que Mª de Lurdes Rodrigues nunca dera aulas numa escola pública de 2º ou 3º Ciclos, os graus de ensino que ela afrontou mais.

Isabel Alçada é bem diferente. Tive contacto com ela no início dos anos 80, quando se deslocou à minha Escola ( Prep. P. Francisco Soares, na altura ainda no edifício da 5 de Outubro, aqui em Torres Vedras), onde conduziu uma acção de formação sobre Gestão das Escolas. Na altura ela trabalhava no 2º Ciclo, numa escola de Lisboa, salvo erro a Fernando Pessoa. O seu modo de ser cativou toda a gente. Via-se que vivia o Ensino com paixão. Era profundamente conhecedora do funcionamento das escolas e da legislação labiríntica que a pretende organizar, até porque era Presidente de um Conselho Directivo.
Logo a seguir, era eu delegado sindical da minha escola, vim a encontrá-la como dirigente sindical, onde esteve dois anos, julgo eu.
Tornou-se figura pública como co-autora da melhor série de livros juvenis, "Uma aventura", para além de muitas obras de divulgação histórica dirigidas ao público jovem.
Nestes anos recentes dirigiu de forma brilhante o Plano Nacional de Leitura, que tanto tem feito pela divulgação dos livros no meio escolar, e não só.

Que admira, pois, que eu veja com enorme esperança a sua chegada ao topo do Ministério da Educação?
Estou já a ouvir os opinadores ignorantes destes problemas - com Miguel Sousa Tavares à cabeça - a dizerem que o Ministério vai ficar refém dos professores. A esses digo que a ignorância devia ser conselheira de recato e silêncio, o que muitas vezes não acontece em Portugal, onde ela é senha suficiente para entrar na roda da opinião pública dos meios de comunicação social.
De Isabel Alçada espero competência na abordagem dos problemas, capacidade de diálogo e sensibilidade para as mudanças que é preciso introduzir nas escolas ( no que respeita às questões da autoridade, do rigor necessário à aprendizagem, na responsabilização dos alunos e dos pais...)

28.5.09

ELES É QUE SABEM ! NÓS SOMOS BURROS...


Esta é a concepção que o Ministério da Educação do sr. Sócrates tem dos professores. Eu ainda pensava que isto tinha sido uma excepção, quando acompanhei exames há uns anos atrás. Mas não: é uma prática corrente! Repete-se todos os anos! Mas que gente é esta?

Leia-se este magnífico texto:

ANTÓNIO BARRETO no "Retrato da Semana" - Público de 24 de Maio de 2009 ):


APLICADORES

A PUBLICAÇÃO, pelo Ministério da Educação, do “Manual de Aplicadores” não passou despercebida. Vários comentadores se referiram já a essa tão insigne peça de gestão escolar e de fino sentido pedagógico. Trata-se de um compêndio de regras que os professores devem aplicar nas salas onde se desenrolam as provas de aferição de Português e Matemática. Mais preciso e pormenorizado do que o manual de instruções de uma máquina de lavar a roupa. Mais rígidos do que o regimento de disciplina militar, estes manuais não são novidade. Podem consultar-se os dos últimos quatro anos. São essencialmente iguais e revelam a mesma paranóia controladora: a pretensão de regulamentar minuciosamente o que se diz e faz na sala durante as provas.ALGUNS exemplos denotam a qualidade deste manual: “Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste Manual”. “Continue a leitura em voz alta: Passo agora a ler os cuidados a terem ao longo da prova. (...) Estou a ser claro(a)? Querem fazer alguma pergunta?”. “Leia em voz alta: Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo, até que eu diga que as voltem”. “Leia em voz alta: A primeira parte da prova termina quando encontrarem uma página a dizer PÁRA AQUI! Quando chegarem a esta página, não podem voltar a folha; durante a segunda parte, não podem responder a perguntas a que não responderam na primeira parte. Querem perguntar alguma coisa? Fui claro(a)?”. Além destas preciosas recomendações, há dezenas de observações repetidas sobre os apara-lápis, as canetas, o papel de rascunho, as janelas e as portas da sala. Tal como um GPS (“Saia na saída”), o Manual do Aplicador não esquece de recomendar ao professor que leia em voz alta: “Escrevam o vosso nome no espaço dedicado ao nome”. Finalmente: “Mande sair os alunos, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado(a) pela vossa colaboração”!A LEITURA destes manuais não deixa espaço para muitas conclusões. Talvez só duas. A primeira: os professores são atrasados mentais e incompetentes. Por isso deve o esclarecido ministério prever todos os passos, escrever o guião do que se diz, reduzir a zero quaisquer iniciativas dos professores, normalizar os procedimentos e evitar que profissionais tão incapazes tenham ideias. A segunda: a linha geral do ministério, a sua política e a sua estratégia estão inteiras e explícitas nestes manuais. Trata os professores como se fossem imaturos e aldrabões. Pretende reduzi-los a agentes automáticos. Não admite a autonomia. Abomina a iniciativa e a responsabilidade. Cria um clima de suspeição. Obriga os professores a comportarem-se como “robots”.A ser verdadeira a primeira hipótese, não se percebe por que razão aquelas pessoas são professores. Deveriam exercer outras profissões. Mesmo com cinco, dez ou vinte anos de experiência, estes professores são pessoas de baixa moral, de reduzidas capacidades intelectuais e de nula aptidão profissional. O ministério, que os contratou, é responsável por uma selecção desastrada. Não tem desculpa.Se a segunda for verdade, o ministério revela a sua real natureza. Tem uma concepção centralizadora e dirigista da educação e da sociedade. Entende sem hesitação gerir directamente milhares de escolas. Considera os professores imbecis e simulados. Pretende que os professores sejam funcionários obedientes e destituídos de personalidade. Está disposto a tudo para estabelecer uma norma burocrática, mais ou menos “taylorista”, mais ou menos militarizada, que dite os comportamentos dos docentes.



O ANO lectivo chega ao fim. Ouvem gritos e suspiros. Do lado, do ministério, festeja-se a “vitória”. Parece que, segundo Walter Lemos, 75 por cento dos professores cumpriram as directivas sobre a avaliação. Outras fontes oficiais dizem que foram 57. Ainda pelas bandas da 5 de Outubro, comemora-se o grande “êxito”: as notas em Matemática e Português nunca foram tão boas. Do lado dos professores, celebra-se também a “vitória”. Nunca se viram manifestações tão grandes. Nunca a mobilização dos professores foi tão impressionante como este ano. Cá fora, na vida e na sociedade, perguntamo-nos: “vitória” de quem? Sobre quê? Contra quem? Esta ideia de que a educação está em guerra e há lugar para vitórias entristece e desmoraliza. Chegou-se a um ponto em que já quase não interessa saber quem tem razão. Todos têm uma parte e todos têm falta de alguma. A situação criada é a de um desastre ecológico. Serão precisos anos ou décadas para reparar os estragos. Só uma nova geração poderá sentir-se em paz consigo, com os outros e com as escolas.
OLHEMOS para as imagens na televisão e nos jornais. Visitemos algumas escolas. Ouçamos os professores. Conversemos com os pais. Falemos com os estudantes. Toda a gente está cansada. A ministra e os dirigentes do ministério também. Os responsáveis governamentais já só têm uma ideia em mente: persistir, mesmo que seja no erro, e esperar sofridamente pelas eleições. Os professores procuram soluções para a desmoralização. Uns pedem a reforma ou tentam mudar de profissão. Outros solicitam transferência para novas escolas, na esperança de que uma mudança qualquer engane a angústia. Há muitos professores para quem o início de um dia de aulas é um momento de pura ansiedade. Foram milhares de horas perdidas em reuniões. Quilómetros de caminho para as manifestações. Dias passados a preencher formulários absurdos. Foram semanas ocupadas a ler directivas e despachos redigidos por déspotas loucos. Pais inquietos, mas sem meios de intervenção, lêem todos os dias notícias sobre as escolas transformadas em terrenos de batalha. Há alunos que ameaçam ou agridem os professores. E há docentes que batem em alunos. Como existem estudantes que gravam ou fotografam as aulas para poderem denunciar o que lá se passa.O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.

3.12.08

CEREBROPATIA


As declarações do sr. Jorge Pedreira, hoje, a propósito da greve dos professores! Manual completo da intrujice palerma!

Gostei daquela de ele dizer que os professores é que vão ser os grandes prejudicados: «sem avaliação ficam dois anos sem progredir na carreira.»



Não me diga!



Outra: «Só daqui a uma semana saberemos a dimensão da greve... as faltas podem ser justificadas... há prazos...»



Chiii! Só daqui a uma semana?





E lá foi dizendo que o Ministério continua aberto ao diálogo... e patati e patacuá...cuá...cuá...
Caso de cerebropatia galopante, este pobre homem!

31.10.08

Contra a Firma «Socratintas & Cª »

Santana Castilho, no jornal PÚBLICO de ontem, assinou um texto belíssimo, pela oportunidade e verdade que assume. Vale a pena ler!


RESSUSCITEM O PAPEL SELADO!
30.10.2008, Santana Castilho, in Público

Os docentes são asfixiados em burocracia e a escola afastada da sua missão principal. O ensino está à beira do abismo.
Esta crónica tem uma causa próxima: um pequeno texto inserto na rubrica Sobe e Desce deste jornal, no passado dia 24. Rezava assim, a dado passo: “Os sindicatos dos professores não querem, de todo, a avaliação. A maioria da classe não quer, de todo, a avaliação…” Quem escreveu isto desconhece por completo o que se passa no sistema de ensino e propala uma enorme falsidade, que ficaria sem reparo, não fora a gravidade do que actualmente se vive nas escolas portuguesas e a necessidade de esclarecer, por isso, a opinião pública.Mente quem diz que os sindicatos e os professores não querem sujeitar-se a avaliação.


Mentiu o próprio primeiro-ministro, quando há dias disse ao Diário de Notícias que nunca no passado foi feita avaliação dos professores. Desafio quem quer que seja a sustentar documentalmente tais enormidades. A realidade é bem diferente. Os professores rejeitam este (e sublinho o pronome demonstrativo este) modelo de avaliação. Porque não cumpre o fim primeiro de qualquer exercício de avaliação do desempenho: a melhoria do próprio desempenho e a valorização das práticas profissionais. Quando o primeiro-ministro, em acto sintomática e reveladoramente falhado, afirma que a avaliação dos professores se faz por “uma” (e sublinho o artigo uma) razão, “premiar o mérito”, torna-se patente por que os professores não aceitam visão tão redutora. Sobretudo porque este “premiar o mérito” se construiu por via de uma tômbola aviltante, que dividiu professores em titulares e outros, deixou de fora profissionais altamente qualificados e esmagou dedicações e competências.


Se tivessem vergonha, os seus autores, que têm nome e rosto, pintavam a cara de negro, a cor do luto, e não ousavam falar de premiar o mérito. Mas há mais, que ninguém pode desmentir. Este modelo de avaliação penaliza os professores que usem direitos protegidos por leis de dignidade superior: direito a engravidar, direito a estar doente, direito ao recolhimento (nojo) por morte de pai, mãe, filho ou filha, mulher ou marido e até o elementar direito de não ser prejudicado pelo cumprimento de obrigações legais impositivas (comparecer em tribunais). Este modelo de avaliação penaliza os professores quando os alunos desertam da escola ou chumbam; põe professores de Música a avaliar professores de Matemática, bacharéis a avaliar doutores; mete no mesmo saco, para efeitos de graduação profissional, quem seja classificado com insuficiente, regular ou bom; instala nas escolas um pernicioso clima de desconfiança e competição; coloca toda a classe numa espécie de estágio permanente, com uma vida profissional inteira de duração; privilegia os cargos administrativos e burocráticos em detrimento das funções lectivas; institui uma casta de Kapos incumbidos de controlar e reportar aos donos; aniquila a liberdade pedagógica e intelectual do professor. Isto e muito mais são bestialidades que um coio de incompetentes quer impor aos professores.


Que diriam jornalistas e comentadores, que escrevem ligeiro sobre a matéria, se os arrastassem em tal caudal de disparates?Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc.


Os papéis não têm fim. Tenho à minha frente seis folhas de um documento intitulado Coordenação de Ano de um agrupamento de escolas. Para o interpretar tive que me socorrer de um glossário. Aqui fica a tradução das siglas, omissão feita às que não consigo decifrar: CE (conselho executivo); CA (conselho de ano); PRAE (Plano de Recuperação e Apoio Educativo); PCT (Projecto Curricular de Turma); CGAS (critérios gerais de avaliação somativa); AEC (actividades de enriquecimento curricular); PTT (professor titular de turma); TIC (tecnologias de informação e comunicação); PGEI (Programa de Generalização do Ensino de Inglês); CAA (comissão de acompanhamento alargada); CAR (comissão de acompanhamento restrita); SPAEC (supervisão pedagógica das actividades de enriquecimento curricular); CEI (currículo específico individual); UAM (unidade de apoio à multideficiência); PAA (Plano Anual de Actividades); PA (plataforma do agrupamento); CAD (comissão de avaliação do desempenho).Chega?


Não! Por favor, Madre Lurdes e Santo Valter, ressuscitem o papel selado!


Urge desmascarar a firma « Socratintas & Cª»!

21.9.08

VERDADES QUE O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NÃO DIVULGA



AFINAL OS PORTUGUESES SÃO DOS QUE PASSAM MAIS TEMPO NAS ESCOLASOCDE desmente o Ministério da Educação
A OCDE DESMENTE O MINISTÉRIO O que o Ministério sabe mas esconde cobardemente, de forma a virar os portugueses menos esclarecidos contra os que trabalham dia a dia para dar um futuro melhor aos filhos dos outros.
'Os PROFESSORES em Portugal não são assim tão maus...'
Consulte a última versão (2006) do Education at a Glance, publicado pela OCDE, em
http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf.
Se for à página 58, verá desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim.É apresentado, no estudo, o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos de permanência nas escolas. superiores
aos
japoneses,
húngaros,
coreanos,
espanhóis,
gregos,
italianos,
finlandeses,
austríacos,
franceses,
dinamarqueses,
luxemburgueses,
checos,
islandeses
noruegueses!
No mesmo documento de 2006 poderá verificar, na página 56, que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!Na página 32 poderá verificar que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.
E isto, o M.E. não manda publicar...Não tem problema. Já estamos habituados a fazer todos os serviços.Nós divulgamos aqui e passamos ao maior número de pessoas possível, para que se divulgue e publique a verdade.

1.9.08

REGRESSO À ESCOLA


Pela primeira vez em muitos anos não retomo a actividade docente no início do ano lectivo. Mas não o lamento e é isso que me dói. Sempre disse que queria ficar na escola mais alguns anos para além do tempo da reforma, desde que tivesse condições de saúde para tal. Contudo, vi-me "obrigado" a sair mais cedo, inclusivé aceitando uma penalização de 4,5% sobre o vencimento.


Não sou protagonista de nada: o meu caso é apenas mais um no meio de milhares de professores a quem este Governo afrontou. Só quem não conhece as escolas e tem uma ideia errada da função docente é que não entende isto.


É doloroso ouvir pessoas que sempre deram o máximo pela sua profissão, que amam o ensino e têm uma ligação profunda com os alunos, a dizerem que estão exaustas e que lamentam não serem mais velhas para poderem reformar-se já. Vejo com enorme tristeza estes colegas a entrarem no ano lectivo como quem vai para um exílio. Compreendo-os bem...
Este estado de coisas tem responsáveis: são a equipa do Ministério da Educação e o Primeiro Ministro.
A eles se deve a criação de um enorme factor de desestabilização e conflito nas escolas que é a divisão artificial da carreira docente entre "professores titulares" e os outros que o não são. Todos fazem o mesmo, a todos são pedidas as mesmas responsabilidades, mas estão em patamares diferentes, definidos segundo critérios arbitrários.
A eles se deve um sistema de avaliação de desempenho que não é mais do que a extensão administrativa daquele erro colossal.
A eles se deve a legislação que não reforça a autoridade dos professores na escola, antes os transforma em burocratas ao serviço de encarregados de educação a quem não se pedem responsabilidades e de alunos a quem não se exige que estudem e tenham sucesso por mérito próprio.


No ano passado 100 000 mil professores na rua mostraram que não se conformavam com este estado de coisas. O Governo tremeu. Mas os Sindicatos de professores não souberam gerir esta revolta legítima. Ocupados por gente que não dá aulas, funcionalizados e alienados pelo sistema, apressaram-se a assinar um acordo que nada resolveu, antes adiou um problema que vai inquinar o ano lectivo que hoje começa.


Todos os que podem estão a vir-se embora das escolas, é a debandada geral. Professores com a experiência e a formação profissional de muitos anos, que ainda podiam dar tanto ao ensino, retiram-se desgostosos, desiludidos, magoados. Deixaram de acreditar que a sua presença era importante e bateram com a porta. O Governo não se importa, nada faz para os segurar: eram gente que tinha espírito crítico e resistia. «Que se vão embora, não fazem cá falta nenhuma!»
Não, não tenho pena de não voltar à escola. Pelo contrário: entro em Setembro com um enorme alívio. Mas não me sinto bem. Estou profundamente solidário com os meus colegas de profissão e tenho a estranha sensação de que os abandonei, embora saiba quanto isso é pretensioso da minha parte. Vejo com apreensão e desgosto que, trinta e sete anos depois de começar a ser professor, a escola não está melhor.
Sim, regressarei hoje à escola. Mas só para dar um imenso abraço àqueles que, corajosamente, como professores no activo, enfrentam um novo ano lectivo.

7.3.08

A NOSSA RAZÃO

(Clicar para aumentar)

A comunicação social vai percebendo melhor o que se passa com os professores.
É elucidativo este editorial, publicado hoje por José Manuel Fernandes, Director do Público. Inicialmente era muito crítico e apoiava abertamente a Ministra da Educação. Agora, finalmente, viu!
Viva a inteligência! Confirma-se que "não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo"!

O PIOR SURDO É O QUE NÃO QUER OUVIR


A Ministra da Educação lá esteve ontem na RTP, entrevistada pela Judite de Sousa. E mais uma vez com uma prestação lamentável. Não quer ver, não quer ouvir. Tem os tiques do Sr. Sócrates. Ele e ela vivem num mundo virtual e maravilhoso que só para eles existe.
O que retive das palavras da ministra - em pose angelical, fazendo sorrisos doces... - foi isto:
»» As escolas estão a trabalhar tranquilamente na avaliação do desempenho...
»» O processo de legislar e informar as escolas tem sido perfeito, toda a gente sabe o que fazer...
»» Não há problemas de prazos. As escolas que sentirem dificuldades só têm de pedir ajuda para uma solução técnica que o ME tem à disposição...
»» Os professores são uns sortudos, privilegiados em relação aos outros funcionários públicos...
»» As manifestações de norte a sul do país devem-se ao stress... ela até compreende... enfim, estão cansados de muito trabalho... precisam de desopilar, vir gritar um bocadinho para a rua... eles até são boas pessoas... andam cansaditos, não é?...
»» Mas logo a seguir fala em aproveitamento político pelos partidos da oposição! (Lamentável! Esta senhora tem da política a concepção salazarista de que "Nós, os bons, não fazemos política; a política é uma actividade reprovável dos inimigos do bem!" Em que mundo vive esta senhora?)
»» Daqui se infere que os milhares de professores que vêm para a rua - e que virão amanhã à Marcha da Indignação - são uns pobres tolos manipulados pelos miseráveis e oportunistas políticos. Ela não é política! Ela é uma técnica que trabalha para o bem comum!!
Nem por um momento lhe ocorreu que os professores têm tido uma paciência quase escandalosa ao longo destes anos para com o seu ME que anda há anos a impor, a humilhar, a ignorar, a decretar, a desdizer, a complicar...
Nem por sombras pensou em fazer um pequeno exercício de humildade, reconhecendo erros, aceitando perspectivas diferentes.
Definitivamente esta senhora não merece qualquer indulgência.
Rua! RUA!

4.3.08

A QUESTÃO DOS PROFESSORES


Do blogue do Paulo Guinote permito-me transcrever este curto texto de um jornal de hoje e que diz o essencial para quem ainda tenha dúvidas...

A Questão dos Professores

A contestação dos professores ao Ministério da Educação e à Ministra da Educação está ao rubro.Esta não despontou de súbito, nem o mal estar da classe docente deriva exclusivamente das políticas deste Ministério da Educação.Sucede apenas que Maria de Lurdes Rodrigues e sua equipa exacerbaram exponencialmente o mal difuso e a hostilidade larvar que sempre opôs os docentes ao Ministério da Educação. Quem semeia ventos, colhe tempestades, diz o provérbio, e Maria de Lurdes Rodrigues teve o condão de agitar por demais os já procelosos mares da educação.Desde há décadas que um mal estar larvar afecta a relação que a classe docente tem com o Ministério da Educação. Não se trata só, como tantos afirmam, de uma questão corporativa.Este mal estar deriva de, desde há décadas, o Ministério da Educação usar os professores como bode expiatório para os problemas complexos que afectam as políticas de ensino em Portugal. A situação era e é tanto mais paradoxal quando, ao excesso de zelo do Ministério da Educação face a avaliação dos professores, correspondia e corresponde uma total falta de seriedade no tocante à apreciação das “notas” dos alunos.Não deixa de ser sintomático que no debate “Prós e Contras”, de 2ª Feira passada, o “especialista” tenha trazido ao debate a questão da progressão automática dos discentes. Claro que a progressão automática dos alunos, para quem percebe de educação, não significa que estes não sejam avaliados, mas não deixa de espelhar as contradições de sucessivas políticas educativas que, desesperadas por resultados céleres em termos de sucesso escolar, multiplicam medidas que na prática visam facilitar a progressão automática dos alunos.A condensação, em breve espaço de tempo, de três leis, a Avaliação do Desempenho Docente, o Estatuto do Aluno e a Gestão Escolar, todas a exigir a meio do ano lectivo, profundas modificações no trabalho dos professores, para mais ligadas a uma exagerada nova carga burocrática, com prazos de aplicação escassíssimos, tiveram o condão de exacerbar o já acrescido mal estar docente, e estimular a sua salutar reacção de contestação a tais medidas.A conjuntura foi ainda mais agudizada pelo facto de as exigências do Ministério de Educação para com os professores não serem aplicadas de forma igual a si mesmo. Uma série de medidas, de que dependida a Avaliação do Desempenho Docente, e que eram da responsabilidade do Ministério da Educação, simplesmente não tinham sido implementadas, ao mesmo tempo que se exigia a cumprimento dos prazos estabelecidos para os docentes.Foi o gota de água. O Estado e as entidades estatais não podem exigir que os cidadãos cumpram as leis, se ele mesmo as não cumpre. A contestação larvar dos docentes ao ministério extravasou das salas de professores e tornou-se publicamente ampla.
António Paulo Duarte(publicado no Noticias da Manhã, nº 813, 4 de Março de 2008

29.2.08

A ONDA CHEGOU AQUI

Hoje, às 20 horas, frente aos Paços do Concelho de Torres Vedras: a onda chegará!
A equipa do Ministério da Educação tem de ser varrida! A bem do Ensino!
(Desenho de Antero Valério, in ANTEROZÓIDE)

16.1.08


Está a correr na net uma petição que vale a pena considerar:


Trata-se do novo modelo de gestão das escolas. Como tem sido timbre deste Governo, a legislação é cozinhada nos gabinetes e sai depois, embrulhada em plástico, como "fast food" sem alternativa.

Foi assim, também, com a avaliação do desempenho dos professores, que está a ser "montada" à pressa nas escolas, com os Conselhos Executivos e os Coordenadores de Departamento de faca no pescoço, encostados à parede.


E nós? Vamos ficar no redil, a fazer "MÉÉÉÉ!!!", enquanto a alcateia mantém o cerco?

5.10.07

Quem avalia esta gente??



Acossados pela realidade - Ah!! Como o mundo seria bom se a realidade fosse só a que existe dentro da minha cabeça! - os senhores do Ministério da Educação apressam-se agora em abrir um concurso para inspectores. Vinha ontem na imprensa.

Quer dizer: o processo de avaliação do desempenho dos professores - tão rigoroso, tão eficiente, tão urgente! - é uma manta de retalhos que se vai cosendo à medida dos buracos que aparecem.

E quem vai avaliar estes senhores? Com que grelhas de avaliação?

Repito: não tenho medo de ser avaliado no meu trabalho. Tenho é medo de ser prejudicado por um sistema de avaliação montado à pressa, sem credibilidade nem exequibilidade e imposto aos professores como se estes fossem delinquentes a precisarem de correcção!

26.9.07

PARA NOSSO ESCLARECIMENTO

Muitos de nós andamos preocupados com o modo como o Min.Educação quer implantar a avaliação do desempenho dos professores. Vale a pena consultar este blogue:


Há análise séria e conhecedora.

Claro, os documentos podem encontrar-se nos sítios dos sindicadtos. Escolhi estes:





É preciso ler, discutir e opor uma barreira à arbitrariedade. Ninguém está contra a avaliação, estamos contra este modo de fazer as coisas: à pressa, sem formação, sem períodos de transição, sem respeito pelos mais directos interessados.
ESTA GENTE DO M.E. NÃO TEM SENSIBILIDADE HUMANA, NÃO TEM FORMAÇÃO HUMANISTA!
PORQUE É QUE ESTAMOS TÃO CALADOS, TÃO AMORFOS?


(Desenho in http://antero.wordpress.com , com a devida vénia ao Antero.)