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16.3.13


IR...

Esta é a hora
em que a existência se constrói nos passos
de um deus que chega para me levar nos braços.

Esta é a hora
do espinho arrancar do pensamento.
Partir, nos rios nas aves ou no vento.


Natália Correia
INÉDITOS,  1976/79
POESIA COMPLETA, Dom Quixote,
Lisboa 1999
Foto J Moedas Duarte, Rio Sado, 2012

22.3.11

PARA COMER TODOS OS DIAS

(Para completar o vídeo de cima)

Natália Correia ia responder em tribunal por um crime: editara As Novas Cartas Portuguesas. Estava-se em 1973, num país atrasado e governado por sacristas.  Em sua defesa escreveu um dos poemas mais estrondosos da língua portuguesa. Preparava-se para o declamar intrepidamente frente aos juízes e só o pragmatismo do seu advogado a impediu. Ela, que já tinha uma pena suspensa de três anos pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966).

, 1999.

13.9.10

NATÁLIA CORREIA FARIA HOJE 87 ANOS. EVOCAÇÃO.








Nuvens correndo num rio

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.

                      Natália Correia