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23.12.14

A PROPÓSITO DE UMA FOTO ANTIGA

Um dia fiz de barbeiro do séc. XIX...




E ao fim do dia
a matéria de que se faz a minha vida
de novo abandonada
de novo de novo abandonada
pergunta-me silenciosa
se ao apagar da luz
a vida terá princípio.

Pedro Támen, O Livro do Sapateiro
Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2010




27.2.11

ESCRITA E SAPATOS

Pedro Támen sente a passagem dos anos, como pudemos ver na entrevista à LER. É a vida...
Mas os poetas têm arte de dizer o que é experiência de toda a gente. E PT escreveu O LIVRO DO SAPATEIRO.
É assim que ele se vê: um solitário à banca de trabalho, manejando linhas e sovelas, colas e tesouras, solas e borrachas, pregos de tomba e vira. Sapateiro. À moda antiga, como os conheci, sentados no banquinho, mãos hábeis onde os outros põem os pés. "Ó mestre, quando é que me entrega o arranjo das meias-solas?"

Artesanato puro, sapateiro ou poeta. Os dias passam, como os transeuntes na calçada,  e o artesão à banca em seu ofício. O júri do Correntes d'Escrita 2011 gostou da extensa metáfora em 49 poemas e deu-lhe o Prémio.

Pequeno livrinho da D. QUIXOTE que abro ao acaso:

E no entanto chega luz,
uma estranha, inesperada luz,
à catacumba onde estou vivo
por força destas mãos.
Da matéria que afago à minha frente
irrompe ou brota uma solar,
uma ardente e sereníssima claridade,
de que me valho ao ver o universo,
vendo e vivendo os dias que passaram
e os que em nascer persistem.