LITORAL OESTE - S. LOURENÇO
CANÇÃO SEXTA
Nós sabemos do mar a cor violenta
e o sal dentro das veias a latir.
O dia é uma ave lenta,
lenta voando sobre o Tejo. Até cair.
E nas mãos guardamos essa ave
que nos tinge de sangue o litoral.
A cor dos nossos olhos só a sabem
os que nascem aqui. Em Portugal.
Os que lutam às portas de Lisboa
respirando nas ondas e no tempo
este azul tão selvagem que magoa
as gaivotas prenhes pelo vento.
Os que tombam às portas da cidade
sobre um lençol de feridas e de fogo.
Sem nome. Sem culpa. Sem idade.
Que assim morrem os homens deste povo.
Joaquim Pessoa
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Revisitar este mar ao som da poesia de Joaquim Pessoa.
Preparar os trabalhos de Setembro. Definir objectivos, planificar tarefas, arrumar papéis que o Verão deixou em tumulto.
Dos dias que passaram ficam imagens fortes: Santa Cruz, o sol, o vento desabrido, as caminhadas no litoral, mãos dadas e gaivotas nos olhos. Os risos desatados dos nossos meninos, as vindas a Torres a garantirem presença necessária, o regresso ao ninho dos livros e da ternura quotidiana, a visita vibrante e calorosa de dois amigos do Sul.
A consciência de que nos é dada uma parcela afortunada da vida, ao mesmo tempo que milhões de seres sucumbem a desastres pavorosos.

