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1.8.11

SERVIÇO DE EMBRUTECIMENTO GERAL AO PAÍS





Só uma parte dos portugueses - sobretudo da que vive nos centros urbanos - tem televisão por cabo. O resto, que ainda é muita gente, e com menos recursos, conta apenas com as chamadas televisões generalistas: RTP, SIC e TVI. Para fugir, só apagando a televisão.

Ontem, no horário nobre, andei por ali e fiquei siderado: todas estavam sintonizadas com o SEGP - Serviço de Embrutecimento Geral ao Pais.

 A RTP transmitia o último episódio de uma série de 13, de "O ÚLTIMO A SAIR". Uma coisa ignóbil e pindérica que pretendia satirizar os reality shows.
Um tal Bruno Nogueira elevado a comediante foi o criador do programa. Sem chama, sem imaginação, enveredando pelo mau gosto e pela imbecilidade. Miguel Guilherme, que tão bem fez o "Conta-me como foi", ali obrigado a ter graça, metia dó. Confrangedor! Que saudades do antigo Herman e Cª!
Mas que grande serviço público, ó RTP. Privatiza-te, vai chafurdar na "iniciativa privada", ao menos não tenho de continuar a pagar uma coisa que não existe!

 Agoniado, passei à SIC. Estava a dar o Peso Certo!
Isto é: passei da retrete para a sentina. Aquilo é abaixo de estrume! Cheiro fétido! Uns tipos a rebentar de gordura suam que nem focas para perderem peso. E depois choram, choram a sério. Uma apresentadora aos guinchos faz de compére daquela tropa toda.

 Segurando o vómito, entrei na TVI. E cheguei ao esgoto.
Um tal "castelo branco" era o palhaço mais triste que alguma vez vi. Uma coisa com pernas e braços a dizer nem percebi o quê. E depois apareciam indígenas de umas ilhas perdidas do terceiro-mundo, que ensinavam formas ecológicas de vida como comer larvas e tomar banho em poças de água barrenta. Riam-se muito e diziam que tinham aprendido muito com aquelas experiências todas.

 Uma legião de fantasmas ergueu-se na minha memória. Apareceram-me de rostos marcados de uma indizível tristeza, de uma indignação magoada. Mário Castrim e a luta por uma televisão de qualidade. João Vilaret e os programas de poesia. Vitorino Nemésio e a vertigem da experiência cultural. David Mourão-Ferreira e as imagens da literatura universal. João de Freitas Branco e o universo musical. Natália Correia e a dignidade feminina. Palmira Bastos e as árvores que morrem de pé. Vasco Granja e o cinema de animação. João Benard da Costa e os filmes da minha vida. Mário Viegas e as palavras ditas.
E Fialho Gouveia... Raul Sonado...Carlos Pinto Coelho...
E as "noites de cinema". E as peças de teatro - teatro que desapareceu da televisão....

Não tenho vergonha de dizer: apaguei a televisão e saí dali com vontade de chorar.