Dois poemas de Fernando Jorge Fabião, a sublinharem o belíssimo "Setembro", do A.L.A.
TÍLIAS
Recolheu os manuscritos.
Contou as tílias, a promessa
das cores. Emudeceu,
Nada alterou a sombra amável
nem a dignidade do olhar.
O ramo da escrita: luz surda
respiração
puro tacto.
Louvor mudo.
IMPRUDÊNCIAS
Há sempre, no amor, uma imprudência
um dizer atento
uma flor centrada na alegria da água
Há sempre um esboço de dança
uma gestação de ouro e seda.
O primeiro céu, a primeira colheita
o alvorecer das mãos
no corpo celeste.
Há sempre, no amor, uma mina insondável
um espólio de giestas e searas profundas.
E um imenso desejo de cantar.
Fernando Jorge Fabião

