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12.6.11

MANUEL ANTÓNIO PINA ESCREVE SOBRE LIVROS




AOS MEUS LIVROS

Chamaram-vos tudo, interessantes, pequenos, grandes,
ou apenas se calaram, ou fecharam os longos ouvidos
à vossa inútil voz passada
em sujos espelhos buscando
o rosto e as lágrimas que (eu é que sei!)
me pertenciam, pois era eu quem chorava.

Um bancário calculava
que tínheis curto saldo
de metáforas; e feitas as contas
(porque os tempos iam para contas)
a questão era outra e ainda menos numerosa
(e seguramente, aliás, em prosa).
Agora, passando ainda para sempre,
olhais-me impacientemente;
como poderíamos, vós e eu, escapar
sem de novo o trair, a esse olhar?
Levai-me então pela mão, como nos levam
os filhos pela mão: sem que se apercebam.
Partiram todos, os salões onde ecoavam
ainda há pouco os risos dos convidados
estão vazios; como vós agora, meus livros:
papéis pelo chão, restos, confusos sentidos.
E só nós sabemos
que morremos sozinhos.
(Ao menos escaparemos
à piedade dos vizinhos)




NA BIBLIOTECA

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’


[in: Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal, Assírio & Alvim, 2011]

6.1.09

LER


Editorial do DN, hoje:

(...)
«Já a notícia de que, na última quadra natalícia, aumentou a venda de livros, e, em particular, de livros de autores portugueses, é, seguramente, uma boa surpresa. Porque é sempre muito difícil triunfar num mercado apertado pela falta de hábito arreigado de leitura entre os portugueses, o que produz edições de volume reduzido, aumentando, assim, os custos de cada exemplar de um tipo de bens caro, em termos relativos, para o poder de compra que temos.Quando olhamos com admiração para as tiragens de jornais e volumes das edições de livros nos países nórdicos, não esqueçamos que nos princípios do século XIX a Igreja Luterana impunha a literacia aos casais que quisessem ver o seu casamento formalmente celebrado, para estarem em condições de ler a Bíblia em família. Em Portugal já houve um tempo em que se acusava de heresia quem fosse apanhado com a Sagrada Escritura em casa. Mas os tempos mudam: o Plano Nacional de Leitura vai-se implantando nas escolas deste país. A sementeira dará os seus frutos. Tarde, mas dá.»
Diário de Notícias, 6 JAN2009

A causa principal do insucesso escolar dos nossos alunos - que ainda ontem o 1º Ministro atribuiu aos professores - é essa mesmo: em Portugal a maioria das famílias não tem livros em casa, ; e só agora se começa a ler mais.
Há poucos anos a Bíblia que se lia nas famílias católicas era uma edição depurada, reduzida a episódios escolhidos segundo as normas moralistas do Estado Novo.
Era vulgar ouvir dizer: "Letras são tretas".
Quando escolhi cursar História ouvi muitas vezes a exclamação: "Letras! Isso serve para alguma coisa?"
Não é por acaso que os países nórdicos são o que são. Lá, a Reforma Protestante abriu portas de literacia que só há poucas décadas Portugal começou a transpor.
[Entretanto, por cá, a Reforma Protestante continua a ser incompreendida e denegrida, como se a verdade histórica tivesse sido definitavamente esclarecida com o Concílio de Trento (1545-1563).]

9.9.07

O PRIMEIRO LIVRO...


Novo ano lectivo, nova temporada.
E novos livros! Não já os das férias, lidos ao sol, mas os outros. Lidos no silêncio da sala de trabalho ou no quarto, antes de apagar a luz. Pequenos oásis de frescura, dunas a perder de vista, a imensidão...
Este foi-me aconselhado e veio por mão amiga. QUANDO NIETZCHE CHOROU.
Irei dando notícias desta viagem...