Perguntei a muita gente e ninguém me sabia dizer onde ficava exactamente esse famoso monumento.
De que se trata afinal? O site do IGESPAR elucida: «Gruta artificial da época calcolítica».
O sítio foi encontrado em finais dos anos 30 do séc. XX, possivelmente em trabalhos agrícolas. E logo acorreram os arqueólogos da "Junta de Escavações e Antiguidades", recentemente constituída. Dela fazia parte o Dr. Manuel Heleno, director do Museu Etnológico Leite de Vasconcelos, em Belém, e professor da Faculdade de Letras de Lisboa.
A época calcolítica situa-se mais ou menos entre 4000 e 2500 anos a. C. e é caracterizada pelo início do uso dos metais, desenvolvimento da cerâmica e outras pequenas indústrias como a cestaria e a tecelagem, e crescente diferenciação social. É também uma época em que se evidenciam os primeiros sinais de contactos das populações autótones com visitantes casuais, chegados por mar, vindos do Mediterrâneo Oriental. O Castro do Zambujal é outro exemplo deste período da pré-História na nossa região.
Os poucos vestígios encontrados, de que se destacam fragmentos de cerâmica campaniforme e os pendentes de ouro guardados na Casa Forte do Museu de Belém, não retiram importância a este monumento funerário, uma gruta artificial rasgada em argila compacta, para enterramentos colectivos. Mais de 4 000 anos nos separam da sua construção pelo que não é de admirar que só reste uma pequena parte da abóbada.
A pequena gruta situa-se no cômoro que se vê antes da antiga fábrica de tijolo.
O resto da gruta terá sido destruída com a abertura do velho caminho que serve os terrenos agrícolas.
O Emílio Correia, que nos levou lá, depois de contactar com o proprietário.
Foi preciso calcar as ervas que tapavam quase por completo a parede da gruta.
Nunca seríamos capazes de encontrar o local sem o auxílio de um dos seus proprietários, o senhor Manuel Pinheiro, da Quinta de Entrecampos, previamente contactado pelo amigo Emílio.
O sítio foi declarado Monumento Nacional por três Decretos dos anos 40.