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8.3.13

PORQUE HOJE É DIA 8 DE MARÇO

(...)
- Há da sua parte um fascínio por mulheres?
- Sem dúvida, tenho um fascínio pelo feminino. O que aliás não entendo que não possa haver. Todos nós somos filhos de mulher, nós homens, vocês mulheres. As mulheres ensinaram-me tudo: a falar, a fazer chichi, a andar, tudo..Eu sou filho de mulher. E depois há a figura paterna. Essa intimidade com o feminino é a base da minha personalidade de homem, de macho.
(Entrevista de Ana Sousa Dias ao escritor Helder Macedo, rev. LER, Março 2013)


Deixei na minha página do FBook:


Devo dizer que não discordo que haja um dia como hoje. É que infelizmente ainda há homens para quem este dia é necessário. Para lhes lembrar o que para outros já é uma verdade conhecida há muito. Há homens/bestas que maltratam as mulheres ao ponto de lhes tirarem a vida. Há culturas que fazem da mulher um ser inferior. E ainda não há muito ouvíamos certos clérigos da Igreja Católica falarem da mulher como fonte de tentações. 
Para esses ainda é necessário haver um DIA INTERNACIONAL DA MULHER, para que todos os dias venham a sê-lo na cabeça e no comportamento de TODOS OS HOMENS.

3.2.11

GOSTO DE LER



Ler a LER já se me tornou uma rotina mensal.
É uma revista que se dedica aos livros e aos autores com uma qualidade de apresentação grafica acima da média e com riqueza e variedade de conteúdos que a tornam irresistível. Vale bem os 5 €.
Pedro Támen é o convidado do mês, à conversa com o sempre bem informado Carlos Vaz Marques. Com ele entramos na casa do poeta - também conhecido como um dos nossos grandes tradutores - partilhando os dias e as rotinas, sem bisbilhotice, conversa centrada no ofício de escre(vi)ver.
Gosto do Pedro Támen, aprendi a gostar, depois de alguns anos de rodeios em torno da sua poesia que me repelia, na sua sintaxe arrevesada. Até que percebi que aquilo era uma forma diferente e original de desvendar os segredos das palavras. Porque não há palavras simples e a poesia de Pedro Támen parte dessa evidência. Joga, esconde, procura, nega, interroga. Cada palavra, cada frase.

Outra coisa que admiro nele é a recusa da pose. Não se leva a sério, como afirma. E não tem paciência par os literatos que teimam em dizer que o são. Retenho da entrevista:

«Nunca procurei as chamadas "luzes da ribalta", nem entrevistas como esta. Além disso, sempre tive a sensação de que 10 depois da minha morte ninguém saberá quem fui»

(...) na poesia que ia escrevendo contribuía para que as pessoas dissessem: "Este tipo afinal é poeta mas não parece nada poeta, é um tipo normal."

Entrevistador: Parte-se portanto do princípio de que os poetas não são tipos normais.

Exactamente.

E não são?

Os poetas, no seu reduto próprio de poetas, não são ti¬pos normais. Em princípio, o poeta é aquele que vê um bocadinho mais do que os outros. Ou que pelo menos é capaz de e^rirnir coisas que vê e que os outros, mes¬mo quando vêem, não são capazes de formular. Estou a falar tanto dos poetas como dos artistas em geral: músicos, pintores, etc. A poesia é, para mim, um per¬manente arranhar o mundo, com unhas na cal, para tentar encontrar coisas que se pressentem por detrás do branco uniforme do mundo e da vida.

É uma procura de sentido?

Sim. Ainda por cima com a fatalidade inelutável de isso ser inglório, de afinal nunca revelar absolutamen¬te nada. No fundo, nunca chega a verdade nenhuma. »


Vou ler o resto da entrevista e da revista. 96 páginas de muita coisa interessante, das crónicas às recensões, das notícias às curiosidades.