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8.6.10

...NÃO É TANTO O QUE A TELEVISÃO PASSA MAS O QUE ELA NÃO PASSA!




«A televisão funciona de uma forma muito subliminar, ao nível do subconsciente. A simples exposição à televisão condiciona os nossos sentidos, a nossa percepção e não é só durante o tempo em que estamos a vê-la. A televisão é um enorme instrumento de criação de consenso, de manipulação e de conformismo.»(André Correia, biólogo, 32 anos.)





 O “NOTÍCIAS MAGAZINE” de 6 de Junho trazia uma reportagem sobre pessoas que optaram por viver sem televisão.

Começa por referir que ver televisão é o maior entretenimento dos portugueses que, em média, gastam nisso cerca de 4 horas por dia.
Vem depois o contraste com alguns casos de pessoas que baniram a caixa mágica das suas vidas.

Cá em casa já pouco se vê televisão e sei de outras pessoas que se estão a afastar dela.
Por isso me tocou tanto o depoimento de um jovem, André, biólogo, que transcrevo da dita reportagem:



« (…)quando tinha televisão via tudo. «Apanhei a transição dos quatro canais para a televisão por cabo e como não durmo muito, ficava noites inteiras a ver televisão. Não sei se consumimos televisão ou somos consumidos por ela. Se calhar é mais isto.»

Quando os livros se meteram entre André e o pequeno ecrã, o biólogo percebeu que o ritmo e a profundidade da mensagem que é possível absorver pela leitura é muito diferente.

«Ao mesmo tempo, comecei a interessar-me mais por questões sociais e políticas e estudando a televisão um pouco mais a fundo, dei-me conta de que é um meio superpoderoso e para o qual somos alvos fáceis. Foi então que se deu o corte. Hoje se vejo trinta segundos de televisão por ano é muito e não sinto falta nenhuma.» Outra revelação que esta ausência lhe trouxe foi que começou a andar muito mais informado do que estava a acontecer. «O modo como passam o que é suposto ser informação na televisão é muito fragmentado e isso não é inocente, provoca uma dessensibilização, que há-de interessar a alguém.»

Fazendo o balanço, o ganho é infinitamente maior do que a perda, apesar de sentir que também perde. «Não é tudo mau na televisão, mas ganho outra percepção das coisas, ganho tempo para absorver, para pensar, ganho imenso espaço e sobretudo recupero a minha liberdade, porque a televisão funciona de uma forma muito subliminar, ao nível do subconsciente. A simples exposição à televisão condiciona os nossos sentidos, a nossa percepção e não é só durante o tempo em que estamos a vê-la. A televisão é um enorme instrumento de criação de consenso, de manipulação e de conformismo.»
Livre dessa armadilha, a informação de André vem de dentro, da exploração, da observação, da internet e dos livros: «Muitos livros, prefiro ler um bom livro do que ver duzentas horas de televisão sobre o mesmo tema».

Tempo tem para tudo, para viver, antes de mais, e não se sente nada extraterrestre.
«Claro que só soube que o papa vinha cá pouco antes de ele chegar, porque a minha mãe me disse. Há coisas que me passam ao lado e isso faz confusão a alguns amigos que estão mais dentro de uma visão consensual do que é o nosso dia-a-dia a nível nacional e global. Da mesma maneira que me faz impressão a caixa mais ou menos estanque em que parece que eles se encontram. A questão não é tanto o que passa na televisão, mas o que não passa. Por detrás da aparência de grande diversidade, há uma enorme limitação. Há coisas que simplesmente não passam na televisão e portanto não existem. Isto no contexto da informação parece-me muito perigoso.»


Daí que André exorte todos a uma experiência. «Passar nem que seja um mês sem televisão. Quem o fizer vai descobrir muitas coisas, vai percepcionar um espaço que sempre esteve lá, mas que simplesmente não era percebido nem utilizado. E o espaço do mundo real, é o espaço para sentir, para estar, para partilhar.»

7.5.10

O PAPA É QUE ESTÁ A DAR...



Os meios de comunicação social criam em volta de nós uma rodoma de atmosfera artificial.
Procuram desesperadamente o que pensam ser o sentir da maioria e carregam aí até à exaustão.
Quanto mais acertarem nesse gosto geral, mais vendem o que escrevem e o que filmam.
É o vulcão! E lá vão todos para os directos à beira do vulcão. Repetem até à náusea generalidades ou apontamentos de reportagem que nada adiantam. Porque tudo o que havia para dizer já foi dito no início.
É uma derrocada! Correm todos a chafurdar na desgraça, de manhã à noite!
Um assalto! Um desastre! Um homem que atirou um croquete à cara de um político! Directos a todas as horas:  "Ao longo do dia continuaremos a desenvolver esta notícia..."
O Benfica é quase campeão! E quem não é do Benfica, tem de suportar esta histeria encarnada?
Agora é a vinda do Papa.  É muito importante! É?
Mas o que lhes interessa é o espectáculo: os meios mobilizados para o acontecimento, as multidões a correrem para os espaços de celebração, a reportagem sobre os calos dos peregrinos a pé, as costureiras e os carpinteiros dos artefactos para as cerimónias....
Cada um procura o ponto de vista mais original, o que ninguém mais viu, o pormenor que faz a diferença.

Quem tem fé recolhe-se no aprofundamento da vida interior. E é isso que está certo, essa devia ser a preocupação dos crentes!
Quem não tem, sente-se incomodado com esta agressividade jornalística que faz de um acto eminentemente religioso um carnaval de futilidades mundanas.

Depois admiram-se que me apeteça brincar...
Estou como dizia alguém: "A televisão é muito cultural. Quando alguém a liga, pego num livro e sento-me sossegadamante noutra divisão da casa."