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13.8.12

NÃO HÁ MAIS...


Chegaram ao fim os Jogos Olímpicos de Londres. Fizeram-me companhia durante mais de 15 dias e sinto-lhes a falta. A qualidade das realizações e os níveis de participação dos atletas foram muito altos.

A delegação portuguesa esteve ao nível da nossa pequenês geográfica e demográfica e é o resultado natural das políticas desportivas que parecem ignorar a diversidade de disciplinas que hoje existem no desporto mundial.

Fomos a Londres colher os resultados da cultura nacional
desportiva que vive do futebol profissional - e pouco mais. Em cada Telejornal de todos os canais temos de levar sempre com as notícias dos plantéis do porto, benfica e sporting,  - com os tipos a fazerem corridinhas no relvado - e as mesmas tretas diárias sobre o andamento dos treinos ou a importância do próximo jogo que é sempre decisivo. Com a agravante de que essas equipas são praticamente formadas só por estrangeiros.

Que destaque dão os jornais e programas desportivos aos atletas da canoagem, do ténis de mesa, do judo, do hipismo, do tiro, das disciplinas do atletismo? Quase nada e a horas mortas.

Que lugar para o desporto escolar? Cada vez menos.

Portanto... tivemos as medalhas que merecemos. 
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Algumas das melhores imagens dos Jogos 

21.9.10

EM 21 DE SETEMBRO DE HÁ 2 500 ANOS: A PRIMEIRA MARATONA!


Admiro os corredores da Maratona. Em tempos ainda acalentei a ideia de me preparar para a correr, nem que fosse em 6 horas! Lembro-me agora do saudoso Tio Alex, um velho atleta do concelho de Torres Vedras, que corria longas distâncias em provas regionais - mas penso que nunca correu a Maratona. Chegava mais de uma hora depois de todos os outros - mas chegava! As organizações das provas orgulhavam-se dele e nunca permitiam que a "feira" das metas fosse levantada até que chegasse o Ti' Alex! E ele lá vinha, meio torto, a sorrir, indomável na recusa de desistir.

Segundo Heródoto, o grego que escreveu a primeira História com preocupações de rigor, foi no dia 21 de Setembro de 490 a.c. que os Gregos venceram os invasores persas na batalha de Maratona - FAZ HOJE EXACTAMENTE 2 500 ANOS!

A cidade de Atenas, a cerca de 40 km, esperava ansiosa pelos resultado do confronto. Diz a lenda que as mulheres atenienses estavam dispostas, caso os gregos fossem vencidos, a suicidarem-se depois de matarem os filhos.
Após a vitória, Milcíades, chefe grego, incumbiu o soldado Filípides de levar a notícia a Atenas o mais rapidamente que pudesse. E ele correu os 42 km sem parar, chegou e apenas conseguiu balbuciar "VENCEMOS!" - caindo morto de exaustão.
Nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas no ano de 1896, o soldado Filípides foi evocado e homenageado, com a criação da corrida da Maratona, ainda hoje a última em todos os jogos olímpicos, com 42,195 Km. Ganhou-a o grego Spiridon Louis, sagrando-se como o primeiro campeão olímpico de maratona.

Por associação de ideias, está na hora de revermos "O Homem da Maratona", esse inesquecível filme de John Schlesinger, com o actor Dustin Hoffman.

25.8.08

AINDA OS "OLÍMPICOS"


Quando ontem postei aqui um comentário algo radical sobre os Jogos Olímpicos, ainda não tinha lido o de Vasco Pulido Valente, saído dois dias antes no Público, que acima se reproduz (clicar para aumentar).
Não se trata de me encostar a ele, até porque normalmente o acho destrutivo, azedo... e doentiamente céptico! Apenas julgo que é saudável tentar olhar com sentido crítico para estes "grandes acontecimentos"... E aqui até estou muito de acordo com ele.


24.8.08

OLÍMPICAMENTE FAL(H)ANDO...


Não me afecta nada que os atletas portugueses tragam medalhas de ouro ou de pingos de sopa na camisola. Aquilo a que se chama "Jogos Olímpicos" parece-me uma imensa feira que nada tem a ver com o olimpismo ou com o simples desporto. É uma mostra de gente que se profissionaliza em desempenhos físicos desumanos, trabalhando como escravos durante anos para conseguir tirar um décimo de segundo numa corrida. Já não é um ideal a atingir: é uma maldição a cumprir.

Compreende-se muito bem a reacção do velejador português que chorava de frustração porque não chegou à medalha por causa de um ponto. Ou da rapariga que é a melhor a saltar e que, de súbito, fica paralizada e só dá um saltinho. Ou da judoca, habituada a árbitros compreensivos, e que se vê julgada por um alto e impassível funcionário do apito. Ou do "nosso" sprinter maior que desiste na hora decisiva porque o tendão já não aguenta mais esforço.

Impressiona-me ver tanto negro a correr em nome de países para onde emigraram e que se vingam assim da má sorte de terem nascido em África e de viverem em bairros/guetos. Enjoa-me tanta sincronia de ginastas do Leste, de rostos duros, como autómatos, a movimentarem-se em piruetas de circo. Revolta-me ver jogos de futebol olímpico com jogadores altamente profissionais pagos a peso de ouro por clubes milionários à custa de burlas ao fisco.

Um pequeno Portugal a querer pôr-se em bicos dos pés para ser visto no mar de gente da China é uma aberração na qual não me sinto nada representado. Nunca incitaria um filho a deixar de viver para poder estar dois minutos em cima de um pódio a celebrar a vitória conseguida à custa da frustração de dezenas de outros que ficam a chorar pelo caminho.

Pequim, tal como todos os jogos olímpicos da era moderna, não é desporto, é competição selvagem. Com a agravante de ser manifestação de capitalismo puro e duro num país que, oficialmente, ainda desfralda a bandeira do socialismo.