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26.5.11

ADEUS, LIMA FERNANDES!



 Anos 60, Alpiarça e a sua equipa sensacional de ciclismo ,  "Os Águias de Alpiarça". Eu era um miúdo e vibrava com aqueles heróis do pedal.
Alpiarça tinha uma das poucas pistas de ciclismo do país. Ali assisti a duelos memoráveis entre Os Águias e equipas como o Sporting ( com Américo Raposo), o Sangalhos ( com Alves Barbosa), o Porto (com Sousa Cardoso) ou o Académico ( com Ribeiro da Silva).

Um dos meus heróis era o Lima Fernandes, um portento de força muscular, ao jeito do que viria a ser o nosso Joaquim Agostinho.
Mais tarde encontrei o filho aqui em Torres Vedras, num Grande Prémio de Ciclismo. Falei-lhe, perguntei pelo pai.
Estávamos longe de imaginar que, um ano depois, este Lima Fernandes júnior viria a morrer no Grande Prémio de T Vedras, vítima de ataque cardíaco, a que não terá sido alheio o uso de doping.
Deste jovem podemos ver AQUI um emocionante relato dos seus feitos de ciclista, em provas no Brasil.

Seu pai, o velho campeão dos anos 6o, ficou destroçado de dor. Proibiu o outro filho de se tornar corredor de ciclismo. Mas - ironias da vida: também este viria a morrer sobre duas rodas, num desatre de moto.

O pai sobreviveu, na dor e na saudade. Homem íntegro, era conhecido em Alpiarça pelo seu carácter franco, solidário, corajoso.

A morte veio agora buscá-lo, aos 76 anos.
Adeus meu velho campeão!

25.7.09

FIGURAS INESQUECÍVEIS - LANCE ARMSTRONG





Nasci em terra de ciclistas, Alpiarça. Cresci a vê-los correr na pista, em competição com Alves Barbosa, Américo Raposo, Pedro Polainas ( hoje um velhinho de bengala, pelas ruas de Torres Vedras), João Roque, Sousa Cardoso e tantos outros...

Habituei-me a gostar do ciclismo, modalidade desportiva extremamente exigente. O que se sofre em cima daquelas rodas, só quem praticou pode calcular. Para além da capacidade física é necessária uma força anímica excepcional.
É isso que admiro em Lance Amstrong. Ele foi atleta desde muito novo, começou na natação. Fez ciclismo e teve resultados decepcionantes no início, até perceber que, com treino adequado, podia aspirar às vitórias. E quando tudo parecia encaminhá-lo para o êxito, aparece-lhe um cancro num testículo. E dois tumores, um num pulmão e outro no cérebro, que felizmente eram operáveis. Para o cancro fez quimioterapia severa, ficou sem cabelo e de rastos. Deram-lhe 40% de hipóteses de vida.
Curou-se do cancro. Voltou aos treinos de bicicleta. Com chuva ou sol, frio ou calor, tempestades de neve ou manhãs amenas, ele lá ia, força de vontade férrea. Os colegas encostavam a "bicla" mas ele teimava. Vinha para a França e para a Suiça, fazer estradas de montanha.

Depois, em 1999, entrou no Tour de França. E em sete anos seguidos venceu a mais dura prova do ciclismo mundial. Os franceses, chauvinistas como só eles sabem, tiveram de inventar uma história de doping, que veio a revelar-se falsa.

Regressou este ano ao Tour. Não tinha necessidade de provar nada, podia ter ficado a saborear os louros ganhos. Mas quer dar visibilidade à sua Fundação, que apoia a luta contra o cancro. Sem complexos sujeitou-se a "aguadeiro" de um novo campeão, A. Contador, da nova geração de ciclistas. Deu uma lição de fidelidade táctica à equipa. E está em terceiro lugar na classificação geral, com direito ao pódio amanhã, em Paris.

Inesquecível Lance!
Para saber mais: AQUI e AQUI.