Nasceu em 1926, faleceu em 11 de Dezembro de 2007. Inesquecível, a minha primeira experiência de leitura de um "romance moderno": «A Gata e a Fábula», de Fernanda Botelho, que levantei na biblioteca itinerante da Gulbenkian de Santarém por indicação de António José Forte, que lá trabalhava.
Mais conhecida como romancista - foi Grande Prémio de Romance da APE, com «As Contadoras de Histórias» - F. Botelho iniciou-se nas letras como poeta.
É dela esta poema:
AMNÉSIA
Posso pedir, em vão, a luz de mil estrelas,
apenas obtenho este desenho pardo
que a lâmpada de vinte e cinco velas
estende no meu quarto.
Posso pedir, em vão, a melodia, a cor
e uma satisfação imediata e firme:
(a lúbrica face do despertador
é que me prende e oprime).
E peço, em vão, uma palavra exacta,
uma fórmula sonora que resuma
este desespero de não esperar nada,
esta esperança real em coisa alguma.
E nada consigo, por muito que peça!
E tamanha ambição de nada vale!
Que eu fui deusa e tive uma amnésia,
Esqueci quem era e acordei mortal.
3 comentários:
Méon,
uma excelente lembrança!!!!
Lá vou eu atrás da "dica"!!!!
UM DIA BOM!!!!
Obrigado.
Dia bom para ti, também!
devolvo-lhe o comentário que por último me deixou, para agora eu, dizer que isto me tocou deveras... Por ser de uma mulher que escreveu, por ser de alguém que assim disse de si, por o ler aqui, neste lugar seguro para mim. Obrigada pela partilha.
Venho também pedir-lhe mais um favor: para ir ao endereço que lhe vou deixar de mais um lugar meu, desta vez, profissional. Nada mais direi aqui uma vez que, me importa a sua opinião para algo que, pelo que lerá, está ainda em construção dentro de mim.
Obrigada por estar ai.
www.vinculoL.blogspot.com
um abraço para si. até breve. Azul.
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