28.9.12

É FEIO APONTAR




É uma escultura, como bem se vê.
Encontra-se no adro de uma igreja do Gavião. Na altura - tarde de Verão, meados de Agosto -pouca gente havia por ali e ninguém me soube explicar o contexto em que ali foi posta, o possível significado, a proximidade do templo...
Já nem me lembrava mas ontem, ao organizar fotos, dei com isto.
Alguém me pode esclarecer?

24.9.12

LIMITAÇÕES DE UMA VELHA FÁBULA




A propósito de Miguel Macedo e da sua inaceitável comparação entre as cigarras e as formigas, deixei um comentário no facebook em que o acusava de viver "atascado na política" desde sempre. E apontava para o seu currículo.
Escrevi aquilo a quente mas tenho de reconhecer que, a quente ...só a sopa. 


Daí que tenha sentido a necessidade de emendar a mão. E deixei este comentário:


Devo observar o seguinte: a expressão "atascado na política" pode ser mal interpretada, e com razão. É uma expressão infeliz porque parece alinhar no coro dos que denigrem a actividade política. 
Ora a política é a participação na vida da sociedade, organizada, solidária, com ideais.
Salazar e os seus apoiantes é que incutiu nos portugueses que gente séria não faz política, trabalha. Passei a juventude a ouvir essa treta: "a minha política é o trabalho" - de gente que se recusava a lutar pela liberdade e encarneirava na política do Estado Novo. Faziam política da pior maneira!
Por isso acho muito perigosa a corrente de opinião que vai por aí a clamar pela demissão dos políticos, metendo todos no mesmo saco.
Este ministro M Macedo, ao chamar "cigarras" aos que o apupam ou que enchem as ruas das cidades em manifestações legítimas contra o Governo, está na linha salazarista, opondo política ao trabalho. Ora o que eu quis dizer na frase de cima (atascado na política) foi isso mesmo: ele que use para si o argumento com que ataca os adversários.
Desculpem tanto palavreado, achei necessário explicar-me melhor...



23.9.12

MAU TEMPO?




Para a senhora que apresentava há pouco o telejornal "chegou hoje o mau tempo: muita chuva e trovoadas..."
Ó deuses da ignorância e da insensibilidade! Chover é "mau tempo" num país que está há meses em seca extrema?!
E logo a seguir a madame insistia: "A boa notícia é a descida do preço dos combustíveis..."

Está visto, o que esta perua gosta é de passear ao sol no carrinho. E não percebe que é com visões destas que se incute nos mais novos a ideia nefasta de que o bom tempo é o que serve para dourar a pele.
E que tal passar três meses numa exploração agrícola, sem direito a fins-de-semana?

22.9.12

E POR FALAR EM BURROS...






A concorrência é muita. Não de burros mas de gente a falar de burros. De maneira que estou um bocado entupido de assunto. 
E foi quando vi o livro. Eh! 
É isto! Mestre Aquilino já por ali andara a burricar. Prosa deliciosa, ó mestre dos mestres!
O burro do Aquilino vivia lá no Alto Minho - talvez arredores de Romarigães - mas por trilhos e ladrilhos que só a leitura da história explicará, acabou por vir para a Capital, via Viseu, Santarém, Torres (Vedras), Mafra, até chegar ao Lumiar por onde penetrou em Lisboa, indo dormir com o dono numa estalagem ao Arco do Cego. O que o burro tinha de diferente era a sua enorme cauda - a que Aquilino chama "rabo" para não destoar do ambiente plebeu da história. E foi o rabo do burro que acabou por transformar o dono num nababo ricaço, como se descobre no final da história.
Gosto dos burros pela sua inteligência, nais notória pelo modo como incutiram que o vulgo a tomasse por teimosia estúpida. Assim abrem caminho ao que quiserem e lhes faça mais proveito,  bem lhes importando que os asnos humanos lhes chamem burros!!!

De burros estamos conversados. 
Vamos então ao começo da história de Aquilino, primeira edição em 1962, com belas ilustrações de Luís Filipe de Abreu:

A Corrupção - Olhos nos Olhos - TVI24 - 17.09.2012



O vídeo é este. Aqui está de novo.
Denúncias gravíssimas, com nomes, destinatários bem identificados, factos!
Quero ver o que acontece...

QUEM MUDOU O VÍDEO?

Curioso!

Ontem postei aqui o programa Olhos nos Olhos, da TVI24, com as gravíssimas denúncias de Medina Carreira e Paulo Morais à corrupção em Portugal. Pois hoje esse vídeo desapareceu e, em seu lugar, encontrei uma coisa que só vejo às vezes, A Quadratura do Círculo.

Quem deu autorização para isto?
Vamos ter de investigar... porque isto é muito suspeito.

16.9.12

TI JOAQUIM "GASCIDLA"


 ... - assim conhecido por ter trabalhado com aparelhos de gás - sai quase todos os dias na sua bicicleta desportiva, pelos arredores de Torres Vedras. Ninguém acredita nos 88 anos que leva no pêlo.
Encontrei-o há dias, a subir a pé a rua Teresa J. Pereira. Explicou-me:
- A médica não quer que eu abuse... isto é um bocado a subir..."
- E o que é que leva aí no guiador, ó ti Jaquim?
- São ervas para os coelhos. Apanhei-as lá atrás, na estrada da Bordinheira.

Quando chegou à rotunda montou e lá foi até ao bairro Vila Morena.

PORTAS: SEMPRE À TONA DA ÁGUA...






É um espertalhão! -  o mais popular do Governo, na sondagem do Expresso.

Espertalhice insuportável. Está no Governo mas põe-se de fora das medidas mais impopulares, a ver se passa nos intervalos da chuva... Um homem perigoso que agora até já fala em ouvir a concertação social. 
Mas ele pensa que somos todos tótós?


Não esquecer os submarinos...





De vez em quando convém refrescar a memória.






Cartoon daqui: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/43550.html

NA RUA!




Estive nas ruas de Lisboa, hoje, com mais umas 80 000 pessoas e concordo com a análise que ouvi à historiadora Irene Pimentel (autora de A HISTÓRIA DA PIDE).  Disse ela que sentiu no ar o ambiente social que se viveu no primeiro 1º de Maio, em 1974. Uma unanimidade apaziguadora, uma esperança partilhada, uma vontade de construir algo muito diferente da sociedade para que apontam estes governantes ignaros.
E também: o anseio de garantir um país possível para os filhos e netos desta geração desencantada.
Só espero que não tenha sido um canto de cisne após o qual este povo se deixará arrastar para o patíbulo, de olhos baixos e corda ao pescoço...

(Fotos tiradaspor mim com o telemóvel fraquinho que me acompanhou hoje)

12.9.12

RESISTIR. DIZER...

...

É um dever patriótico dizer NÃO a esta política. 
O Governo já não tem legitimidade para governar pelos motivos que estão bem à vista.
Por isso participarei na manifestação do próximo Sábado, 15 de Setembro.

Tinha eu acabado de escrever isto quando encontrei outra carta de Eugénio Lisboa no blogue Da Literatura. Aqui fica. É um monumento de sarcasmo à brutalidade do Governo. Que Manuela Ferreira Leite, figura de primeiro plano do PSD, acaba de denunciar em termos muito claros. Ver aqui.

Veja-se também este belíssimo texto que acabo de ler aqui.

UMA FLOR QUE NASCESSE...





Quando ontem li a carta aberta escrita por Eugénio Lisboa ao primeiro-ministro partilhei intensamente o que ele diz sobre a velhice. Não tendo a idade dele, tenho a suficiente para já perceber o que ele sente.
Sim, "Este país não é para velhos" - mas também não é para novos!...

De norte a sul, uma onda de revolta varre esta praia portuguesa. Quero acreditar que algo se passará em breve. Como é possível esticar tanto a corda?

Infelizmente olho para a esquerda política e não vejo capacidade para criar uma alternativa credível.
O PS que foi de Sócrates não tem qualquer crédito. Quem acredita naquela gente que arruinou o país com as PP's? Chega a ser patético o ar de Seguro a armar ao indignado e a pedir uma reunião de emergência com o presidente da república.
O PCP tem toda a razão nas denúncias que faz mas... que condições tem para ser Governo? Aliado com quem? Com que Programa?
E o BE é a mesma coisa...

 Vai haver um Congresso de esquerda não alinhada, em Outubro. Queria ter esperança...
Este país tem de ser para velhos e para novos, tem de ter lugar para a esperança de todos os portugueses. Mas que caminhos para lá chegar?

Ah! Uma flor que nascesse, mesmo entre tojos e ervas secas...


10.9.12

ZÉ POVINHO - dormir ou acordar?




"Porque é que os portugueses não vêm para a rua manifestar-se, porque é que não há revoltas populares?"
Estou a pensar nas pessoas que diariamente fustigam os outros no facebook ou nos jornais porque "os portugueses não se revoltam, são como os bois mansos", etc.

 E citam a frase de Torga que caracteriza os portugueses como "uma comunidade pacífica de gente revoltada." Criticam os outros mas eles também estão parados...

Os portugueses estão revoltados, sim. Muito revoltados. Mas não vêm para a rua porque acham que não vale a pena gritar, levantar os punhos, agitar pendões. Para quê? Os gregos fizeram-no e vejam o resultado... Os espanhóis fizeram-no e vejam o resultado...

Há quatro anos os professores encheram Lisboa com 100 000 manifestantes contra Maria de Lurdes Rodrigues. Hoje, que têm um Crato cem vezes pior que ela, não são capazes de juntar mais de mil na rua. Porquê? Porque acham que não vale a pena.

É isto que me assusta, esta revolta surda. Porque ela pode estar a incubar o ovo da serpente, pronto a eclodir num qualquer 28 de Maio.

Ou então ela significa, mais uma vez na nossa História,  a emergência do sebastianismo: alguém virá salvar-nos …  
É o sintoma da "fé nos conjurados". Estamos à espera, acreditamos,  que algures, na clandestinidade, umas dezenas de conjurados preparam a revolta armada e vão aparecer numa madrugada destas para prender os exploradores e oferecer o poder ao povo. Foi assim em 1640... Foi assim em 1820... Foi assim em 1910... Foi assim em 1974...

Entretanto, o Zé do Bordalo Pinheiro vai ficando pela sombra que o sol está uma brasa... Na altura certa encherá as ruas a garantir que "o povo está / com o MFA"! - ou com outro qualquer...

MARCELO DEMOLIDOR!




No seu comentário de ontem Marcelo Rebelo de Sousa foi demolidor para Passos Coelho e Governo. Quem não viu, vale a pena ver…AQUI, a partir do 10 minutos dagravação.

Já agora, respiguei da net este comentário que me parece muito pertinente, referido a uma simulação feita pelo Jornal de Negócios:

Privados podem afinal perder até dois salários líquidos, Função Pública perde até três 
Negócios fez as contas e apurou: afinal os trabalhadores vão enfrentar um corte no salário que levam para casa que pode chegar aos 14%, ou seja, o equivalente em termos líquidos ao subsídio de férias e de Natal. Os funcionários públicos ainda ficam pior, podem perder até três. Efeitos que o primeiro-ministro omitiu na sua intervenção. Veja as simulações. 

A chave é o aumento da contribuição incidir sobre o salário bruto e ser retirado ao líquido. 

O aumento da taxa social única é de 7 pontos percentuais, passando de 11 para 18%. Mas a perda no rendimento que se leva para casa (o salário líquido), será superior a 7% logo a partir de salários brutos da ordem dos mil euros. 
Todos, funcionários públicos e trabalhadores no sector privado, vão ter uma redução no seu rendimento em 2013 que será superior ao corte de um dos subsídios e, nalguns casos, será de dois subsídios. Mais, portanto, do que foi desde ontem noticiado. 
Os funcionários públicos, como sofrem ainda o efeito da mudança de escalão de IRS por diluição de um dos subsídios, vão perder mais do que o equivalente a dois subsídios. 

www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=577305

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/e-altura-de-dizer-basta-diz-d-januario-torgal-ferreira=f752091#ixzz263NW4CZd


6.9.12

IMAGENS DO MEU OLHAR - Marvão


Adjectivos à parte, Marvão vale a visita. Sempre. Mas não é confortável a sensação de andarmos a passear num deserto, com casas em vez de dunas.
Um olhar silencioso...




 O Guia de Portugal, vol. II (1927) já referia estas guardas de ferro forjado como "das mais belas que se conhecem". 
São-no, de facto.





Cisterna do Castelo










Fotos (C) J. Moedas Duarte

DIÁRIO DE INVERNO - Mais recente livro de Paul Auster


Parte final da entrevista de Luciana L Leiderfarb a Paul Auster, na revista ACTUAL do Expresso de 1 Set 2012:

(...)
« No "Diário de Inverno" reflete muito sobre a mor­te. Citando-o: "Quando a pessoa consegue che­gar à idade que tu tens agora, já escapou por pou­co a várias mortes absurdas e sem sentido." No final, pergunta-se: "Quantas manhãs restam?" Tem ainda muito para dizer? Que porta se fechou e que porta se abriu?

Eu penso na morte desde os 12 anos, talvez antes disso. Mas agora sou um ho­mem mais velho, os meus dias estão contados, e não sei quantos é que me restam. Certamente me­nos do que aqueles que já vivi. Estou literalmente no inverno da minha vida. Se dividirmos a vida em quatro estações, eu cheguei à quarta estação. A por­ta da juventude fechou-se e abriu-se a porta da ter­ceira idade. Talvez seja o período mais interessante de todos, quem sabe? Ainda não estive lá, apenas dei alguns passos. Fisicamente não vai ter graça nenhuma, mas mentalmente pode vir a ser uma grande aventura. Estou cheio de ideias, não quero parar, quero continuar até ser física e mentalmente capaz de o fazer. Até lá, continuarei a caminhar.»