31.10.07

»»»» Por terras de Torga ««««...

Se eu falasse como um político:

«A conjuntura permite que nesta matéria se possa concretizar uma viagem às terras do grande escriba Miguel Torga, aproveitando de forma consistente os dias que medeiam entre o próximo feriado e o segundo dia não-útil desta semana...»

Como artista brasileiro à chegada ao aeroporto da Portela:

«Tenho antêpàssados portuguesis em Trás-os-Montis. Daí eu pensá me déslocá àquela linda terra nestes dias. Parece que viveu lá um grande póeta... eu vou conhécê!... São às minhás raizis...Eu adoro Portchugau!!»

E este? Quem será?

«Ganda moka, meu! Vou curtir uma naice lá p'ra cima, acho ké baril!
É só montes bué da grandes, meu! É mêmo fixe! O meu velho adorava aquela cena!...E há lá erva comó c...!!»

Eu digo:

« Tenho a sorte de alguém amigo me emprestar uma casinha de montanha lá para as bandas de Vila Real (de Trás-os-Montes). Levo a máquina e conto trazer-vos algumas imagens da Serra do Alvão, S. Martinho de Anta, Sabrosa, Lamas de Olo...De amanhã até Domingo vou para lá... lavar a alma e os olhos. Só tenho saudades dos meus amigos que não podem ir...»


( Fisgas de Ermelo, próximo da Serra do Alvão. Chamam-se assim porque as águas correm "enfisgadas" por entre as penedias. Foto da Net. )

Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
- Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a bicar estrelas verdadeiras...


Miguel Torga

30.10.07

Raio de perguntas...



"Passamos a vida lamentar-nos...."
Passamos?




"Afinal o que fazemos para mudar as coisas?"
Fazemos? Ou não fazemos?




"Há dias esta era a conversa da hora do café."
Qual é a hora do café?




"Esta noite não preguei olho..."
Qual prego? Em qual olho?


"Que raio de conversa é esta?"
Qual conversa?

25.10.07

Carlos Drummond de Andrade

Será tempo de dar lugar aos grandes poetas brasileiros.

E já que estamos em maré de Carlos...










Eu te amo porque te amo.


Não precisas ser amante,


e nem sempre sabes sê-lo.


Eu te amo porque te amo.


Amor é estado de graça


e com amor não se paga.






Amor é dado de graça,


é semeado no vento,


na cachoeira, no elipse.


Amor foge a dicionários


e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo


bastante ou demais a mim.


Porque amor não se troca,


não se conjuga nem se ama.


Porque amor é amor a nada,


feliz e forte em si mesmo.





Amor é primo da morte,


e da morte vencedor,


por mais que o matem e matam


a cada instante de amor.






Carlos Drummond de Andrade

24.10.07

* * * CARLOS DE OLIVEIRA * * *



Carlos de Oliveira, um dos grandes escritores portugueses do século XX!
Ando a revisitá-lo. Um mundo! Voltar a "Casa na Duna" , "Uma abelha na Chuva", "Finisterra: Paidagem e Povoamento". E Ao "Trabalho Poético"!
Deixarei no LUGAR ONDE a totalidade da página literária. Aqui fica apenas um pedacinho, este "soneto da chuva", com grafismo especial como ele o deixou.






SONETO DA CHUVA




Quantas vezes chorou no teu regaço
a minha infância, terra que eu pisei:
aqueles versos de água onde os direi,
cansado como vou do teu cansaço?
Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa última órbita em que fores
carregada de cinza como a lua.
Porque bebes as dores que me são dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu coração, visões abandonadas.
Deixem chover as lágrimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu, poesia, meu amargo rio.

22.10.07




ELEGIA EM CHAMAS


Arde no lar o fogo antigo
do amor irreparável
e de súbito surge-me o teu rosto
entre chamas e pranto, vulnerável:


Como se os sonhos outra vez morressem
no lume da lembrança
e fosse dos teus olhos sem esperança
que as minhas lágrimas corressem.
(Carlos de Oliveira)

POEMAS DE MÃO EM MÃO (IV)



TEMPO




O tempo é um velho corvo
de olhos turvos, cinzentos.
Bebe a luz destes dias só dum sorvo
como as corujas o azeite
dos lampadários bentos.


E nós sorrimos
pássaros mortos
no fundo dum paul
dormimos




Só lá do alto do poleiro azul
o sol doirado e verde,
o fulvo papagaio
(estou bêbedo de luz,
caio ou não caio?)
nos lembra a dor do tempo que se perde.
Carlos de Oliveira (1921 / 1981)









(...)

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer,
lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo
e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...


Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

20.10.07

E L E G I A




O tempo desfez-se nos teus olhos,
finalmente fitos no ponto mais distante
dos dias que viveste.


Nunca mais verei teu acordar.
Uma última vez guardarei as mãos
no abrigo das tuas,
o teu rosto fechado para sempre.


Sobe a água aos olhos
a tempo ainda
de ver a luz que se afasta.

17.10.07

******* POEMAS DE MÃO EM MÃO *******


LEMBRANÇA


Quem olha para trás volta a cabeça...
- No lago, o barco de papel não anda;
O teimoso menino que o comanda
Sou eu ainda, embora não pareça.


O sol que em mim agora dá
Não brilha tanto, já.
- Contudo, o mesmo sou
Que no jardim brincou
Ao jará...


Afasto os olhos húmidos do lado
Desta lembrança, quase diluída;
Volto a cabeça... e eis-me de novo, à vida:
- Pássaro morto que voa empalhado!




O sol que em mim agora dá
Não brilha tanto, já.
- E eu a julgar que ainda sou
O mesmo que outrora cantou:
"Giroflé - Giroflá..."




(Carlos Queirós, 1907-1949)

16.10.07

OLHANDO E VENDO

Portal manuelino da entrada (foto Méon)


Galeria dos ex-votos ( foto Méon)
Um dos ex-votos ( foto Méon )


Os mais recentes: amontoado de quinquilharia, a que não falta um crocodilo embalsamado... ( foto Méon)Ainda o Santuário de Nossa Senhora da Visitação, em Montemor-o-Novo.
Um dos seus "tesouros" é a colecção de ex-votos, deixados pelo povo ao longo dos anos.
Não sacralizo esta arte popular. Se por um lado me comove a ingenuidade, por outro revolto-me com a exibição da crendice. É certo que não me limitei a olhar e ver... fixei nas fotografias.

Trova do vento que passa

Uma canção eterna. Actual!!!
E algumas fotos históricas...

EM MEMÓRIA DE ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA


ADRIANO, SEMPRE



“Em memória de Adriano”

“Nas tuas mãos tomaste uma guitarra
copo de vinho de alegria sã
sangria de suor e de cigarra
que à noite canta a festa da manhã.


Foste sempre o cantor que não se agarra
O que à terra chamou amante e irmã
Mas também português que investe e marra
Voz de alaúde e rosto de maçã.


O teu coração de oiro veio do Douro
Num barco de vindimas de cantigas
Tão generosas como a liberdade


Resta de ti a ilha dum tesouro
A jóia com as pedras mais antigas
Não é saudade, não! É amizade...”


(poema de José Carlos Ary dos Santos)




Agradeço à Maria o ter-nos acordado a "memória".


Vale a visita: AQUI!

15.10.07

VIVER O AMBIENTE

Defender o ambiente passa por conhecê-lo, amá-lo, resguardá-lo.
Há dias andei por Montemor-o-Novo e senti que ali ainda havia muita pureza de ar, beleza para os olhos, cultura para o espírito.

Trouxe algumas fotos para partilhar com os meus amigos que me visitam neste espaço.
Será, também, a forma de me associar ao dia em que os bloguistas se unem pela defesa do ambiente.











Castelo de Montemor
(Foto Méon)


















Uma das portas do Castelo
(Foto Méon)









Vereda no recinto do castelo, em direcção às ruinas do Paço dos Alcaides
(Foto Méon)

Ruínas do Paço dos Alcaides
(Foto Méon)



Santuário de Nossa Senhora da Visitação
(Foto Méon)

Interior da Igreja do Santuário
(Foto Méon)

14.10.07

>>>>>>> ZÉ DO TELHADO <<<<<<<<


Aceitei o convite para ir à MALAPOSTA (em Olival Basto, à entrada da Calçada de Carriche) ver a peça Zé do Telhado. Nunca tinha ido àquela casa de espectáculos e tenho a dizer: gostei! É um espaço bonito, bem arranjado, moderno, muito limpo, com uma sala acolhedora. No grande átrio havia uma exposição de pintura. Ao fundo, o bar de apoio.
A peça? Num registo revisteiro, parte da narração de Camilo C. Branco nas "Memórias do Cárcere" para nos dar uma visão do bandido que roubava aos ricos para dar aos pobres e que se au-intitulava de "cobrador".
Gostei: da encenação, da interpretação (são actores profissionais, com escola), da direcção de actores, da coerência global do espectáculo que se torna muito divertido.
Não gostei: de algum excesso de caricatura do "puobo" lá do "Nuorte", de alguma cedência à estética popularucha.
Espremido, deita sumo: nos tempos actuais continua a haver necessidade de alguém que tire aos ricos para devolver a quem nada ou pouco tem. Deveria ser o Governo a fazê-lo...
Nota final: há trinta anos o grupo A BARRACA teve um grande êxito com uma peça de Helder Costa precisamente sobre o Zé do Telhado. Um dos actores era o saudoso Mário Viegas.
Vi três vezes esse espectáculo! Inesquecível.
A peça ora em cena na Malaposta não é a mesma e não se compara com a outra. Mas permite o que se chama "um bocado bem passado" - como gostava de dizer o meu tio António.

13.10.07

Perdoem a fra(n)queza...

Não resisto a "linkar" aqui o que é, para mim, motivação forte para continuar. Os nossos filhos são o pedaço de futuro que tentamos atingir, conscientes que estamos da nossa inelutável finitude. Sabendo que, também eles são finitos...

Jacinta canta Zeca Afonso

Perdi o concerto de Jacinta em Óbidos, no Verão que passou. Hoje visitei-a aqui.
Muito bonito.

12.10.07

Para a Cecília, num dia especial.

http://www.youtube.com/watch?v=rL83-ljQiMo
Ensinou História durante muitos anos. Foi a professora motivadora que fez do seu trabalho um espaço de partilha e criatividade. Os alunos ficaram seus amigos. Ela merece tudo.

Hoje vamos estar com ela, numafesta de Amizade.

11.10.07

PJ: MAIS UM MITO QUE CAI...



Deu-me para comprar este livro!

Explico: nunca gostei de polícias (PSP, GNR...) porque vivi numa terra onde eles "mordiam" mesmo, cães de fila do Estado Novo salazarista. Mas habituei-me a ver a Polícia Judiciária como algo diferente, mais para o lado do FBI. ( Havia uns livros policiais com o nome genérico de FBI que eu li muito nessa época...)


A PJ parecia-me uma polícia altamente especializada em desvendar crimes e essa capacidade era importante para a nossa segurança. Criou-se o mito da eficácia e qualidade da PJ, não só na minha cabeça mas também na dos portugueses em geral.

Porém, ao ler este livro, o mito não resiste. Três inspectores da PJ de Lisboa foram encarregados de "pegar" no caso Joana, depois de os inspectores locais ( no Algarve) não resolverem o assunto. A opinião pública e os media pressionavam, exigindo resultados.
O livro relata a experiência deste grupo. E o leitor fica atónito com a maneira de trabalhar daquela polícia, com fama de tão eficaz. Não vou relatar o que lá se diz mas parece-me digo de crédito dado que o livro foi amplamente falado nas TV's e o autor - um dos inspectores desse trio, que entretanto abandonou a PJ, profundamente desiludido com o estado a que ela chegou - não foi processado nem, que eu saiba, desmentido.
Agora, ao ver nos noticiários que a casa onde a Maddie foi alegadamente raptada foi objecto de nova análise por parte da PJ durante cinco horas, lembro o que vem relatado neste livro sobre o caso Joana. Terá acontecido algo semelhante? Isto é: será que as primeiras investigações na casa não foram exaustivas? Não foi tudo examinado ao mínimo pormenor? Foi preciso irem lá de novo, meses depois, e passarem cinco horas a investigar?
No caso Joana foi isso que se passou. Os primeiros investigadores fizeram erros grosseiros, não viram provas que a segunda brigada encontrou semanas depois, porque usaram métodos laboratoriais que era suposto terem sido usados logo desde o início. E mais grave: os primeiros inspectores não só não o fizeram como deixaram a casa aberta, onde entrou quem quis. Tal como agora no caso Maddie, em que a casa não foi selada.
Que raio de polícia é esta? Não será altura de os governantes e a opinião pública reverem a reverência que guardam perante a PJ e descobrirem que afinal aquilo - pelo menos no Algarve - é um bando de incompetentes?
Que é que eu tenho a ver com isto? - pergunta quem me lê.
É uma questão de segurança. Sentir-me-ei mais seguro se souber que há no meu país uma polícia de investigação criminal verdadeiramente eficaz e competente.
Eu pensava que a PJ era essa polícia. Afinal ... Parece não ser... Ou não é mesmo!

10.10.07

Leo Ferre - Chanson d'automne

>>>>>> MENTALIDADE PIDESCA... <<<<<<<


Procurando respostas para a interrogação feita há pouco, encontrei esta ACHEGA. Aqui fica, para ajudar à sua divulgação.


A mentalidade pidesca está de volta à superfície, como se vê...

>>>>> O QUE É ISTO? <<<<<


Custa-me a crer que isto seja apenas invenção sindical para agitar as massas.

Há que esclarecer rapidamente, Senhor Sócrates e Dona Lurdes!!!!

***** Destino de onda *****



(...)
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia.
( Ruy Belo )
Nem sempre me identifico com a visão tão desesperadamente lúcida de Ruy Belo. Mas há alturas em que as palavras mais duras nos ajudam a olhar a realidade de frente. A onda que morre na praia é o pouco de mim que morre todos os dias.
Mas há partes de mim que re-nascem! Tal como a uma onda sucede outra onda ...

9.10.07

***** UM DIA DEPOIS *****


No limiar de outra etapa, na soleira de outra entrada, na expectativa de outra luz...


SILENCIOSO, AGORA


Quero quedar-me silencioso, agora,
neste espaço inteiro onde brilham asas,
porque a terra agora tem um só sentido
e a construção se ergue e amplifica.


Quero estar calado neste fim de tarde,
neste breve rosto, nesta luz e luz,
como um beijo longo que nos lembre sempre
um súbito rumor que nos perturbe.


Quero, quero, quero estar contigo
neste só silêncio que nos vê e atrai,
nesta hora escassa em que o céu acorda
e não se morre nunca e não se morre mais.


Quero, sim, quero ficar quieto
nesta bruma ou brisa, nesta lua ou mágoa
de branda textura, em que se adivinha
este cais de espuma, de mistério e água.

( João Rui de Sousa, O FOGO REPARTIDO )

8.10.07

***** MARGEM QUE NOS LIGA *****


DESENHOS
Estou diariamente à tua espera
Como quem espera um astro pela noite.
Defino-te em segredo.
Revejo-te na memória.
Desenho a tua fronte nas estrelas.
Invento-te.
Construo a tua boca sem palavras.
Construo este silêncio em que me prendo.
Passas diante de mim
- uma forma sem contornos
Te inicia.
Constróis-te
Como se foras brisa.
Dissolves-te
Como se dissolve a areia.
E na margem
Que nos liga
Nosso sonho principia.
João Rui de Sousa, «Fogo Repartido»

5.10.07

Quem avalia esta gente??



Acossados pela realidade - Ah!! Como o mundo seria bom se a realidade fosse só a que existe dentro da minha cabeça! - os senhores do Ministério da Educação apressam-se agora em abrir um concurso para inspectores. Vinha ontem na imprensa.

Quer dizer: o processo de avaliação do desempenho dos professores - tão rigoroso, tão eficiente, tão urgente! - é uma manta de retalhos que se vai cosendo à medida dos buracos que aparecem.

E quem vai avaliar estes senhores? Com que grelhas de avaliação?

Repito: não tenho medo de ser avaliado no meu trabalho. Tenho é medo de ser prejudicado por um sistema de avaliação montado à pressa, sem credibilidade nem exequibilidade e imposto aos professores como se estes fossem delinquentes a precisarem de correcção!

4.10.07

( Clicar sobre a janela )

Hoje apetece-me ser escatológicamente indecente! Tenho razões para isso: a equipa do M.Ed. anda a "praticar o acto sexual comigo" há muito tempo e contra minha vontade. Sinto-me "praticado sexualmente" sem prazer nenhum! Isso chateia-me!

Vi um anúncio no jornal e marquei consulta com o prof. Karambolas, mestre de "cinzas frias", "asas de morcego" e "pó de cemitério". Receitou-me "prática sexual alternativa"!!

Vou aproveitar bem o fim-de-semana. Como não sou resmelengo (e nunca fui!), deixo aqui o apontamento para quem quiser experimentar. Porque "ser alternativo" vale a pena...


E os gajos do Monturo da Educação que vão praticar o acto sexual com o Abominável Homem das Neves !!...

Agora apliquem-se:

3.10.07

O "Pensamento" dos "Pedabobos"...


A amiga Saltapocinhas que me perdoe mas um texto seu motivou-me para um comentário que não resisti a copiar para aqui. Gostava que outros visitantes dissessem o que pensam sobre isto...


Criou-se neste país a ideia aberrante e perigosa de que o insucesso se deve apenas aos professores. A Sinistra Ministra reforça-a. Para ela tudo depende do modo como se trabalha com as criancinhas. É a teoria do Rousseau em todo o seu esplendor!Quando há alguns anos a OCDE apontou como uma das grandes causas do insucesso escolar em Portugal o IMENSO ATRASO CULTURAL do povo português, pouca gente ligou. Mas quem trabalha nas escolas está "careca" de saber que essa é que é a grande verdade.Não há pedagogia nem didáctica que resistam a famílias cujo acto mais cultural que praticam é o pai ir ao futebol... a mãe consumir programas da manhã das TVs generalistas... as leituras serem A BOLA e o RECCORD, a CARAS e a MARIA...os livros serem tretas...etc.Em que mundo vive esta gente que nos governa?Para parecerem Governos de um país de grande nível cultural toca de induzir o sucesso escolar à força, culpando os professores quando não o conseguem. Por mim já aprendi: para uma criança ter sucesso em História e G. de Portugal - que lecciono - basta saber dizer metade do nome de D. Afonso Henriques e saber que Portugal é um país que fica na Terra...

2.10.07

TESTEMUNHO IMPRESSIONANTE

Aqui deixo o meu contributo para o conhecimento de um caso sério. Pode ser a nossa história amanhã. Ver AQUI

Quem nos governa distingue-se por uma revoltante indiferença pelas condições em que vivem muitos portugueses, vítimas das "políticas realistas" que se comprazem em proclamar.

1.10.07

TUA ÁGUA


Levar-te à boca,

beber a água

mais funda do teu ser

-se a luz é tanta,

como se pode morrer?



Eugénio de Andrade

A SURREALISTA MINISTRA...


Antero Valério brinda-nos diariamente com cartoons impagáveis no seu ANTEROZÓIDE. Este Ministério da Educação merece...está mesmo a pedi-las...
Boa malha, Antero! Que nunca do teu lápis falte o bico!

CISTERNA DE LUZ

Dá-me sempre esse dom
obscuro e precário
esse fulgor da cinza
essa pureza na alegria da terra
dá-me uma cisterna de luz
um cântaro de água aprisionada
dá-me a tua aurora e o teu presságio
para eu dançar no centro da noite
e na orla do coração
escutar os pássaros.

Fernando Jorge Fabião


UM LUGAR

Um lugar
onde a respiração
seja tão leve
que só a ciência do amor perdure.

Um lugar
demorado
onde o ouro da pele
permaneça no pão comum
de cada dia.

Um lugar
onde a mulher diz:
- Há um lírio aceso no teu olhar
uma casa destruída
uma candeia desfeita.
Falta sempre um lugar

Fernando Jorge Fabião