29.2.08

A ONDA CHEGOU AQUI

Hoje, às 20 horas, frente aos Paços do Concelho de Torres Vedras: a onda chegará!
A equipa do Ministério da Educação tem de ser varrida! A bem do Ensino!
(Desenho de Antero Valério, in ANTEROZÓIDE)

28.2.08

VER TESTES !

É coisa de que já estou livre!

Mas penso, - penso mesmo! - nos colegas que ainda têm esta dura tarefa a cumprir!
Estou com eles. Na mesma luta.
E amanhã lá estarei, junto aos Paços do Concelho, na vigília dos professores em luta.
É preciso defender a dignidade !

26.2.08

DISCUSSÃO "DESCENTRADA"...

Lá estive ontem, esforçadamente, a ver o programa Prós e Contras, na RTP, sobre questões do Ensino. E achei a discussão "descentrada" do essencial. Aquilo parecia um tribunal em que a ministra era a ré e a sala a acusadora. Resultado: a ministra passou o tempo a defender-se e a sala a acusá-la. Como se o advogado de acusação se esquecesse de apresentar as provas e se limitasse a dizer que o réu era culpado. Faltou objectividade e esclarecimento.
A maioria dos professores presentes falou como se estivesse na Sala de Professores, debaixo da indignação - LEGÍTIMA! - que esta política está a provocar. Ora, penso que este devia ser um programa para esclarecer a opinião pública, que desconhece os meandros da coisa. E acho que não foi. Quem não estava dentro dos assuntos, lá continuou.
A única intervenção de que gostei foi a do Mário Nogueira: directa, concisa, a desmontar o esquema imposto às escolas. E aí a senhora ME foi de um cinismo revoltante.
Preparava-me para ver a terceira parte quando dei por mim a ouvir o senhor da Confap. Já não aguentei: quase uma da manhã e aquele ali a pregar...
Acabei de ler o blogue do Ramiro Marques e confirmei as minhas impressões. De caminho encontrei uma referência a um cartoon sobre a avaliação do desempenho e não resisto a linká-lo.
Divirtam-se AQUI .
E não se esqueçam de dar uma saltada ao Paulo Guinote, que seguiu o debate a par e passo. Concordo com a maioria dos comentários dele.Ver AQUI
Atenção: não estou nem um bocadinho ao lado da ME! E sinto uma enorme satisfação por ver que, finalmente, parece que os professores acordaram. De norte a sul do país crescem os movimentos de contestação.
Ontem isso ficou bem patente. Mas julgo que falhou o esclarecimento/informação aos leigos que estão por fora. Caso dos milhares de pais dos nossos alunos...

25.2.08

VIOLETAS


Quando te conheci
no esplendor anunciado de um nome
de pulsos acesos no coração do mar
na margem do sal e do fogo
quando te conheci
no limiar da sede
a cinza, vagarosamente, estremeceu
e as medressilvas despontaram luminosas
nas áleas perfeitas
o verde, oh o verde! da água imensa do teu riso
inundou, selvagem, os meus dias
quando te conheci
uma íntima delicadeza
quebrou o mineral
os usos antiquíssimos.


(Fernando Jorge Fabião,
Nascente da Sede)

22.2.08

ENCONTREI !



Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.
Procura a maravilha.

Eugénio de Andrade

20.2.08

Fogo neles!


Mais uma vez Santana Castilho abre fogo cerrado! Não podia estar mais de acordo. Aqui fica o texto, saído hoje no "Público"
(clicar na imagem para aumentar...)

19.2.08

IMAGENS DO MEU OLHAR

Passeando no Ribatejo. Estrada entre Pernes e Alcanena.

Terra de velhas oliveiras, centenas de anos de dádiva generosa.

E de velhas quintas, como a "dos Morgados do Alviela", ainda habitada pela antiga família. Com aqueles guardas não era possível entrar...

Mas deixaram olhar para o portão lindíssimo...
... espreitar por cima do muro...


Mas afinal, onde é que estamos? Perto de Alcanena, nos Olhos d'Água, a famosa nascente do rio Alviela. Daqui foi feito, no século XVIII, um colector que levava água para abastecer parte de Lisboa.


Eexactamente aqui, o rio que corria subterraniamente, encontra a luz do dia.

Há sítios - como este - por onde não corre, quando a seca vai longa.


A Câmara de Alcanena construíu um Centro de Interpretação, modernaço, mas que - pela localização - não colide demasiado com o ambiente natural. As escolas frequentam-no pois é um Centro de Ciência Viva.

Voltando os olhos para o outro lado é o deslumbramento: água pura a correr, com peixinhos VIVOS!







Entre Pernes e os Olhos d'Água fica a povoação de Malhou com a sua igreja setecentista.


Nesta terra quase anónima há um local belíssimo para se refeiçoar: chama-se O MALHO. Restaurante que, só por si, vale a deslocação! E mais não digo...


Em Pernes vi uma indicação: «Torre do relógio, Mon Nac.» Fica o registo.



Que acontece a uma música,
quando deixa de soar;
e a uma brisa que deixa
de voar,
e a uma luz que se apaga?

Morte, diz: que és tu, senão silêncio,
calma e sombra?

(Juan Ramón Jiménez)

18.2.08

OBRIGADO


Filme inesquecível! Imagens a que volto sempre quando a angústia é mais forte. É preciso acreditar na grandeza de uma missão!
Aperto as mãos que trouxeram esta dádiva!

13.2.08

Homenagem a alguém que muito ama a Idade Média



Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (1810-1877) nasceu em Lisboa. Devido ao seu envolvimento na «Revolta do 4 de Infantaria», é obrigado a emigrar para Inglaterra. Lê Walter Scott. Inicia a sua colaboração no Repositório Literário. Integra-se no exército liberal de D. Pedro IV, desembarca no Mindelo e participa no cerco do Porto. Ajuda a organizar a Biblioteca Pública do Porto. Em 1839 é nomeado director das bibliotecas reais das Necessidades e da Ajuda. Entretanto vai publicando algumas obras: A Harpa do Crente (1837), Lendas e Narrativas (2 volumes, 1839-1844), Eurico, o Presbítero (1844), o primeiro volume da História de Portugal (1846), O Monge de Cister (1848), etc. As suas obras são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. Foi, além de um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, o renovador do estudo da história de Portugal. (Projecto Vercial, Un. Minho)

Hermengarda, a paixão de Eurico, é capturada por mouros após um tétrico momento, possívelmente a passagem mais perturbadora do romance, numa abadia em que as religiosas preferem a morte ao cativeiro. Eurico oferece-se para a resgatar, e consegue-o, numa operação heróica digna das maiores gestas de cavalaria, que culmina com um exército mouro às portas das serranias asturianas, onde Pelágio, irmão de Hermengarda, lidera a resistência à invasão àrabe (que mais tarde originará a reconquista cristã). Aí, nas profundezas das cavernas da montanha, Eurico revela o seu segredo a Hermengarda, apenas para se deparar com um obstáculo inultrapassável. Qualquer esperança de felicidade é anulada pelo sacerdócio, ao qual Eurico é tão fiel como ao seu amor por Hermengarda e ao seu amor pela pátria. Tolhido, desesperado, Eurico oferece-se à morte num combate desesperado, enquanto Hermengarda enlouquece.
(in: intergalacticrobot.blogspot.com)

- Dez anos! ... Sabes tu, Hermengarda, o que é passar dez anos amarrado ao próprio cadáver? Sabes tu o que são mil e mil noites consumidas a espreitar em horizonte ilimitado a estrela polar da esperança e, quando, no fim, os olhos cansados e gastos se vão cerrar na morte, ver essa estrela reluzir um instante e, depois, desfechar do céu nas profundezas do nada? Sabes o que é caminhar sobre silvados pelo caminho da vida e achar ao cabo, em vez do marco miliário onde o peregrino de tréguas aos pés rasgados e sanguentos, a borda de um despenhadeiro, no qual é força precipitar-se? Sabes o que isto é? É minha triste história! Estrela momentânea que me iluminaste, caíste no abismo! Arbusto que me retiveste um instante, a minha mão desfalecida abandonou-te, e eu despenhei-me! Oh, quanto o meu fado foi negro!
(Eurico, o Presbítero)

12.2.08

CHORA


(Terbrugghen)


Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
Festões de som dissimulando a hora.
(...)
A flauta débil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
(Camilo Pessanha)

10.2.08

PENSANDO, ENREDANDO SOMBRAS...



Pensando, enredando sombras nesta profunda solidão.
Também tu andas longe, ah mais longe que ninguém.
Pensando, soltando pássaros, desvanecendo imagens,
enterrando lâmpadas.

Campanário de brumas, que longe, lá no alto!
Afogando lamentos, moendo esperanças sombrias,
moleiro taciturno,
de bruços te vem a noite, longe da cidade.

A tua presença é alheia, estranha a mim como uma coisa.
Penso, caminho longamente, a minha vida antes de ti.
Vida antes de niguém, minha áspera vida.
O grito frente ao mar, por entre as pedras,
correndo livre, louco, no bafejo do mar.
A fúria triste, o grito, a solidão do mar.
Desbocado, violento, estirado para o céu.

Tu, mulher, que eras ali, que sulco, que haste
desse leque imenso? Estavas longe como agora.
Incêndio no bosque! Arde em cruzes azuis.
Arde, arde, chameja, chispa em árvores de luz.
Despenha-se, crepita. Incêndio. Incêndio.
E a minha alma dança ferida por aparas de fogo.
Quem chama? Que silêncio povoado de ecos?
Hora da nostalgia, hora da alegria, hora da solidão,
hora minha entre todas!
Búzio em que o vento passa cantando.

Pabro Neruda, Vinte Poemas de Amor e Uma canção Desesperada

9.2.08

PARAGEM

Vejo pelo contador de visitas que têm vindo aqui à minha procura.
Peço desculpa por encontrarem a porta cerrada. Não é por mal...
Há momentos em que é preciso fechar para balanço.
Outros, os piores, em que estamos de luto.
Voltarei, espero.
Aos meus amigos só peço paciência. E desejo que fiquem bem!

3.2.08

AO RODAR DO TEMPO...

O tempo roda... a vida corre...
Algumas mudanças estruturais vão implicar, por aqui, algumas mudanças de horários, de hábitos, de rotinas...
A vida corre...



Teu coração dentro do meu descansa,
Teu coração, desde que lá entrou:
E tem tão bom dormir essa criança,
Deitou-se, ali caiu, ali ficou.

(...)
António Nobre