31.10.08

Contra a Firma «Socratintas & Cª »

Santana Castilho, no jornal PÚBLICO de ontem, assinou um texto belíssimo, pela oportunidade e verdade que assume. Vale a pena ler!


RESSUSCITEM O PAPEL SELADO!
30.10.2008, Santana Castilho, in Público

Os docentes são asfixiados em burocracia e a escola afastada da sua missão principal. O ensino está à beira do abismo.
Esta crónica tem uma causa próxima: um pequeno texto inserto na rubrica Sobe e Desce deste jornal, no passado dia 24. Rezava assim, a dado passo: “Os sindicatos dos professores não querem, de todo, a avaliação. A maioria da classe não quer, de todo, a avaliação…” Quem escreveu isto desconhece por completo o que se passa no sistema de ensino e propala uma enorme falsidade, que ficaria sem reparo, não fora a gravidade do que actualmente se vive nas escolas portuguesas e a necessidade de esclarecer, por isso, a opinião pública.Mente quem diz que os sindicatos e os professores não querem sujeitar-se a avaliação.


Mentiu o próprio primeiro-ministro, quando há dias disse ao Diário de Notícias que nunca no passado foi feita avaliação dos professores. Desafio quem quer que seja a sustentar documentalmente tais enormidades. A realidade é bem diferente. Os professores rejeitam este (e sublinho o pronome demonstrativo este) modelo de avaliação. Porque não cumpre o fim primeiro de qualquer exercício de avaliação do desempenho: a melhoria do próprio desempenho e a valorização das práticas profissionais. Quando o primeiro-ministro, em acto sintomática e reveladoramente falhado, afirma que a avaliação dos professores se faz por “uma” (e sublinho o artigo uma) razão, “premiar o mérito”, torna-se patente por que os professores não aceitam visão tão redutora. Sobretudo porque este “premiar o mérito” se construiu por via de uma tômbola aviltante, que dividiu professores em titulares e outros, deixou de fora profissionais altamente qualificados e esmagou dedicações e competências.


Se tivessem vergonha, os seus autores, que têm nome e rosto, pintavam a cara de negro, a cor do luto, e não ousavam falar de premiar o mérito. Mas há mais, que ninguém pode desmentir. Este modelo de avaliação penaliza os professores que usem direitos protegidos por leis de dignidade superior: direito a engravidar, direito a estar doente, direito ao recolhimento (nojo) por morte de pai, mãe, filho ou filha, mulher ou marido e até o elementar direito de não ser prejudicado pelo cumprimento de obrigações legais impositivas (comparecer em tribunais). Este modelo de avaliação penaliza os professores quando os alunos desertam da escola ou chumbam; põe professores de Música a avaliar professores de Matemática, bacharéis a avaliar doutores; mete no mesmo saco, para efeitos de graduação profissional, quem seja classificado com insuficiente, regular ou bom; instala nas escolas um pernicioso clima de desconfiança e competição; coloca toda a classe numa espécie de estágio permanente, com uma vida profissional inteira de duração; privilegia os cargos administrativos e burocráticos em detrimento das funções lectivas; institui uma casta de Kapos incumbidos de controlar e reportar aos donos; aniquila a liberdade pedagógica e intelectual do professor. Isto e muito mais são bestialidades que um coio de incompetentes quer impor aos professores.


Que diriam jornalistas e comentadores, que escrevem ligeiro sobre a matéria, se os arrastassem em tal caudal de disparates?Esta é apenas uma, eventualmente a mais gritante, das vertentes que asfixiam os docentes em burocracia e afastam a escola da sua missão principal: ensinar. Os portugueses não percepcionam quanto o sistema de ensino está à beira do abismo. Os professores sufocam com tarefas administrativas e reuniões. Há reuniões de todo o tipo: de coordenação de ano, para conceber testes conjuntos, para desenhar grelhas, para analisar resultados, de conselho pedagógico, com encarregados de educação, com alunos, para preparar as actividades de estudo acompanhado, de formação cívica, da área de projecto, de tutoria, de apoio educativo, de recuperação de resultados, de superação de necessidades educativas especiais, etc., etc.


Os papéis não têm fim. Tenho à minha frente seis folhas de um documento intitulado Coordenação de Ano de um agrupamento de escolas. Para o interpretar tive que me socorrer de um glossário. Aqui fica a tradução das siglas, omissão feita às que não consigo decifrar: CE (conselho executivo); CA (conselho de ano); PRAE (Plano de Recuperação e Apoio Educativo); PCT (Projecto Curricular de Turma); CGAS (critérios gerais de avaliação somativa); AEC (actividades de enriquecimento curricular); PTT (professor titular de turma); TIC (tecnologias de informação e comunicação); PGEI (Programa de Generalização do Ensino de Inglês); CAA (comissão de acompanhamento alargada); CAR (comissão de acompanhamento restrita); SPAEC (supervisão pedagógica das actividades de enriquecimento curricular); CEI (currículo específico individual); UAM (unidade de apoio à multideficiência); PAA (Plano Anual de Actividades); PA (plataforma do agrupamento); CAD (comissão de avaliação do desempenho).Chega?


Não! Por favor, Madre Lurdes e Santo Valter, ressuscitem o papel selado!


Urge desmascarar a firma « Socratintas & Cª»!

30.10.08

CHOVE


Todos os anos, no primeiro dia de chuva, eu costumava iniciar as aulas com este poema escrito no quadro.
Hoje choveu na minha rua... mas já não tenho quadro.
Escrevo aqui...

Chove...

Mas isso que importa!
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir na chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira

27.10.08





SABEDORIA




Aprende a estar só, e a dizer
Adeus às coisas que se afastam.
Deixa-as ir, supérfluas... Recolhe-te
À pobreza das coisas que te bastam.




Não te apegues à névoa dispensável
Nem ao cómodo torpor do que te é dado.
Mas canta, como um rio que não sabe
Se canta para si ou é escutado...




Estende à beira-nada o teu poema,
Vai cantando sozinho o que é verdade.
E deixa-te invadir pela bondade
- A sabedoria íntima e suprema.




(João Maia, in Abriu-se a Noite)

Foto Méon (C): Rio Tejo, junto a Alpiarça

SUGESTÃO

Goya: "O dois de Maio: a carga dos mamelucos"

Chegou-me por mão amiga. No meio da incrível variedade de sítios interessantes da "Net", este parece-me excepcional. Pelo conteúdo, pela organização (aparentemente) simples e eficaz, pela variedade, pela rapidez de acesso, pela qualidade final.


Acho que vale a pena! E ajuda a limpar os olhos da fealdade do Chafariz dos Canos ... É só clicar:


http://www.sabercultural.com/index.html

23.10.08

MONUMENTO NACIONAL AO ABANDONO...




Andei ontem pelas ruas de Torres Vedras a tirar umas fotos "para memória futura". Não gostei de muitas coisas que vi, de outras não digo mal, algumas agradaram-me.
Até que parei junto ao Chafariz dos Canos. E tive vergonha! VERGONHA!
Que dizer de uma família que não limpasse a casa há dez anos sob o pretexto de que tinha que fazer obras de restauro das paredes, numa hipotética data futura?
É isso que se passa com aquele Chafariz. Monumento Nacional, jóia única da arquitectura gótica civil de Portugal, referenciado documentalmente desde o Séc. XIV !

Na Câmara Municipal parece que há um ante-projecto de arranjo daquela zona e obras de conservação do monumento. Pois...



Curiosamente o Luís Filipe Rodrigues enviou-me, também ontem, este poema..

CHAFARIZ DOS CANOS

Imaginar o que fora desde o século XIV até cansa a vista
cada mês de manhã à noite a dança dos aguadeiros
e mulheres de cântaro à cinta,
mãos que se matavam por um fio de água.
Quando a luz cedia, sob os arcos ainda se ouviam as bilhas
cantando. De nenhum lado agora a água corre,
só a imaginação tacteante lembra tal salmodia.
Há muito que o mundo daí se despediu.
Dirão que é um vento bravo que nos olha, um tempo
tão veloz que sufoca sem cessar. O certo é que
nova figura há-de vir,
embora cegos fiquemos antes do sol nascer.

O que se vê após vária mudança é o que dura,
a lápide antiga, a pedra enrugada,
os coruchéus e as ameias à espera de nova lembrança.

Luís Filipe Rodrigues, Out 2008

(Clicar no título deste post para ver ligação...)

22.10.08


PLENITUDE

Sorri, sorriste. O Mundo era pequeno.
Mas bastava. Cabia nele, intacto,
o encantamento pleno
que te detinha ali, junto de mim,
que nos detinha ali, serenos, puros,
longe da multidão, longe do tempo
- rio que passava ao largo e nós ficávamos.

Sebastião da Gama, in Campo Aberto
Imagem daqui

21.10.08

O "Cântico dos Cânticos" da poesia portuguesa

O AMOR EM VISITA

Herberto Hélder

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.

Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele — imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.

Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
— Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria!


Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.

E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.

Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.

- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.

Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra – invento para ti a música, a loucura
e o mar.

Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.

E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor? eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.

Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.

Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.

Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.

Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.

Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.

Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.

Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.

Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.

Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.

As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.

Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.

Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.

E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.

De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.

Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável –
em cada espasmo eu morrerei contigo.

E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água – e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.

20.10.08

DIREITO À INDIGNAÇÃO


Porque considero MUITO IMPORTANTE, transcrevo do blogue do Paulo Guinote:




« Adivinha-se o simplex para evitar o descalabro:




Foi na sexta-feira passada, dia 17/10. A ministra reuniu, em Lisboa, com duas dezenas de membros das recentemente criadas “equipas de apoio à avaliação de desempenho”. São 22 professores, quase todos directores ou ex-directores de CFAEs, que integram as equipas de apoio criadas pela DGRHE com a função de darem formação aos PCEs e avaliadores e acompanharem os processos de avaliação de desempenho nos agrupamentos onde houver mais dificuldades ou o processo estiver paralisado. São uma espécie de “INEM” da avaliação de desempenho ou bombeiros para todo o serviço. Doze actuam na região de Lisboa e Sul do país e dez no Centro e Norte. A reunião do dia 17/10 durou um dia inteiro e a ministra da educação esteve presente durante algumas horas, prestou esclarecimentos e deu alguns conselhos:1. Digam aos PCEs e aos avaliadores que podem agregar os itens das fichas de avaliação de desempenho de modo a torná-las mais fáceis de preencher. Não explicou com que base legal nem os presentes tiveram a coragem ou a lucidez de fazer a pergunta.2. Os professores que tiverem excelente não precisarão de ter aulas observadas nos próximos anos. Também não explicou com que base legal e ninguém se deu ao trabalho de perguntar.3. As reuniões entre avaliadores e avaliados podem ter a duração que as escolas quiserem e podem, em certos casos, não se realizar. Também não indicou a base legal.Alguns professores presentes na reunião informaram-me que a ministra da educação está disposta a aceitar a simplificação do processo e está, pela primeira vez, aberta à possibilidade de deixar cair os resultados dos alunos para efeitos da avaliação de desempenho dos professores.O que é que isto significa?i. O ME está em pânico com o movimento de resistência interna nas escolas. Os avaliadores e os avaliados que têm aprovado moções a pedir a suspensão do processo ou estão a solicitar esclarecimentos antes de avançarem com o processo são verdadeiros heróis e heroínas. A estratégia está a resultar. O ME está a dar sinais de quebrar.ii. O ME está com receio de que os professores saiam à rua em proporções semelhantes às do 8 de Março. Há muitas pressões de deputados - em particular de António José Seguro, o responsável pela Comissão de Educação da AR - no sentido de o Governo se entender com os professores ao longo de 2009. Esse entendimento obrigará a um recuo do ME no processo de avaliação de desempenho.iii. Perante isto, justifica-se que a Plataforma Sindical e a APEDE, PROmova e MUP se entendam, durante a semana que vem, de forma a agendarem uma única grande manifestação de professores que faça tremer o Governo e aumente a pressão dos deputados do PS - que naturalmente estão com medo de perderem os lugares - sobre a ministra da educação e sobre o primeiro-ministro.O momento é demasiado crucial para que a divisão dos professores se mantenha. É preciso apagar o orgulho e o ressentimento que tomou conta dos nossos corações.




Este post do Ramiro Marques é importante pelo conteúdo e também pelo apelo que contém.
No entanto, eu gostaria de introduzir uma nota adicional em tudo isto, com a responsabilidade de, nos primeiros tempos, ter achado que a Plataforma Sindical saberia lidar com o Entendimento assinado após o 8 de Março, o que não se veio a confirmar.
Com uma ou duas manifestações, com uma plataforma comum ou não de reivindicações em relação ao ME, a esta altura eu não aceito nenhum Entendimento visando simplificar o modelo de avaliação do desempenho docente que não inclua, de forma clara, uma de duas condições:




--> A revogação ou substituição do DR 2/2008 e não o seu enxerto com portarias avulsas e despachos casuísticos ou, pior, aplicações simplificadas sem qualquer suporte legal.
--> A admissão explícita da sua inexequibilidade prática por parte do ME.




Desculpem-me lá o mau feitio, mas desta vez não me aptce que existam margens nenhumas para dúvidas.»

19.10.08

CRISE, DIZEM ELES...


Desnorteados, tentamos perceber este lugar.
Ir para onde? Quem tem os mapas? E os códigos de sinais, quem tem a chave?
Crise, dizem eles. E nós temos medo de acordar um dia, ir ao multibanco e ler a mensagem: saldo indisponível durante seis meses!

Quem nunca teve saldos não terá problemas: a vida já não poderá piorar... Mas os outros, os que alimentam a economia com o consumo? O que é pior: acabar com o consumo ou com a economia?


Ninguém será preso preventivamente apesar do consenso de que há responsáveis e de se saber que só esperam o "restabelecimento da confiança" para retomarem a especulação.
E os nossos políticos?
Os socialistas continuam a defender a quadratura do círculo.
Os comunistas continuam a falar da utopia em que os explorados são todos bons e os exploradores são todos maus, sem verem que não há fronteira entre eles e que ESSE É QUE É O PROBLEMA!
Os sociais-democratas defendem a "solução do Sr. X" contra a "solução da Srª. Y, que não concorda com "a solução do Sr. Z, que é contra "a solução do Sr. SL"...
Os democratas-cristãos não acreditam em nada enquanto esbracejam para continuarem à tona de água, obsecados com a segurança.
Os bloquistas têm soluções tão evidentes que nos cegam a todos, ninguém as vê!
Os liberais clamam agora pelo Estado!
Para onde vai a estrada?

18.10.08

ESPERANÇA !

Do meu amigo Cid Simões vão chegando palavras de esperança.
Já agora: vale a pena dar uma volta pelo seu espaço. Homem atento...


CANÇÃO DO PEDAÇO DE ESPERANÇA

Sou operário da pena.
Outros o são da enxada,
do martelo.

Que cada um crie
com a sua ferramenta um pedaço
de esperança.



Jesus Lopez Pacheco

16.10.08

OPTIMISMO E SOFRIMENTO




«Se o alvo imediato e directo da nossa vida não é o sofrimento, então a nossa existência estará muito mal adaptada ao seu alvo no mundo; porque é absurdo pensar que as infindáveis aflições de que o mundo está cheio e que emergem da necessidade e da angústia próprias da vida, sejam sem sentido e puramente acidentais. Cada infortúnio individual parece ser uma ocorrência excepcional; mas a regra geral é o infortúnio. » (Schopenhauer)
Será o optimismo a expressão do nosso instinto de sobrevivência, a forma de iludir o sofrimento ? ...

14.10.08

DEUS É...


«Deus é o silêncio do universo e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio.» (José Saramago).
É sempre estimulante ler coisas sobre "deus". Sobretudo quando escritas - ou ditas - por quem não se arroga o direito de falar em nome dele.

13.10.08

IMAGENS DO MEU OLHAR - Montemor-o-Novo

Convento de S. Domingos, com um núcleo museológico muito interessante: arqueologia, olaria, etnografia, tauromaquia. Colecção de carroças e charrettes antigas. Sede da Associação dos Amigos de Montemor-o-Novo.



Frescos muito bonitos...


"Amarelejos"... a imitar os frescos?


A simplicidade branca das linhas direitas ...


Fundado na transição do séc. XVI para o séc. XVII, o decreto de extinção das ordens religiosas, em 1834, levou ao seu encerramento imediato. Igreja revestida de ricos azulejos do séc. XVII, raros na Europa.Actualmente é a sede do Grupo de Amigos de MontemoroNovo e alberga o Núcleo Museológico do Convento de S. Domingos - Museu de Arqueologia e salas de olaria, arte sacra, etnografia e tauromaquia.


Foi mais um passeio dos Amigos de Torres Vedras, ontem...

10.10.08

VOLTAR A BRECHT



Canções que retratam o quotidiano, mergulhando nos desvãos da natureza humana. Humor, acutilância, ternura sem sentimentalismo.
A voz poderosa de Teresa Gafeira, uma actriz que canta ... Outra voz: Luís Madureira. Piano nas mãos de Jeff Cohen, fulgurante!
Teatro Municipal de Almada.

Precisamos, hoje, de um novo Brecht.

9.10.08

TÃO PERTO



Nas tuas mãos trazias o meu mundo.
Para mim dos teus gestos escorriam
Estrelas infinitas, mar sem fundo
E nos teus olhos os mitos principiam..


Em ti eu conheci jardins distantes
E disseste-me a vida dos rochedos
E juntos penetrámos nos segredos
Das vozes dos silêncios dos instantes.


Sophia de Mello B.Andresen

8.10.08

DE LONGE


De Coimbra, passando por Paris , com raizes em Folques: tantos anos de vida, tantos livros que se leram. Amizade construída pelo tempo.


E O TEMPO RODA...




Contamos o tempo
enquanto tivermos tempo
de o contar.
Hoje, dia de "cumprir anos",
o tempo vai contando
quanto tempo
me há-de dar...
(Foto(C) Méon. Relógio de sol, Santuário de Nª Sª d'Aires, Viana do Alentejo)

6.10.08

5.10.08

CINEMA EM CASA


O professor... os alunos....
Valores e personalidades em confronto.
Recordo Rubem Alves (professor no Brasil, escritor):


«Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprederam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O Professor, assim, não morre jamais...»

4.10.08

MOLERO CONTINUARÁ A DIZER...


Em 1977 Dinis Machado saiu-se com um livro que surpreendeu toda a gente: O QUE DIZ MOLERO.


Não é uma romancinho fácil, de contar a vidinha, de meter umas intelectualices, de aproveitar o momento político da época. É um objecto único, diferente. Apanha-se o seu ritmo de narrativa como quem entra numa conversa já iniciada. E vamos conhecendo alguém de quem se fala, de quem Molero fala... A noite vem, há fogo na lareira, e nós vamos ouvindo Molero...
Dinis Machado morreu ontem. Mas Molero continuará a falar dele...

3.10.08

URGENTE: DIVULGAR !

( Clicar para aumentar )
Que se passa com os professores? Onde estão os 100 mil da grande manifestação? Porquê tanto desalento e conformação?
O estado de espírito que se vive nas escolas está bem descrito neste texto.

HÁ QUANTO TEMPO NÃO PASSA UM POEMA POR AQUI?


Um ritmo perdido...


Se uma pausa não é o fim
E silêncio não é ausência,
Se um ramo partido não mata uma árvore,
Um amor que é perdido, será acabado?



Um ouvido que escuta,
Uma alma que espera...
- Uma onda desfeita
É ou já não era?


Ana Hatherly
Gravura:John Henry Fuseli

1.10.08

DIA MUNDIAL DA MÚSICA




Festejo o DIA MUNDIAL DA MÚSICA recordando o espectáculo memorável no CCC, que vi há cerca de três anos, com o grupo RONDA DOS QUATRO CAMINHOS. Coros alentejanos, uma orquestra sinfónica e uma solista andaluza: resultado soberbo! Aqui fica uma faixa.
Há um CD, TERRA DE ABRIGO, absolutamente imperdível.