27.2.10

QUE É FEITO DE ANTÓNIO RAMOS ROSA ?

Acordei hoje com esta pergunta na cabeça e fui à procura de um de tantos poemas que ele semeou pelo mundo...




Este poema é absolutamente desnecessário
pela simples razão de que poderia nunca ser escrito
e ninguém sentiria a sua falta
Esta é a sua liberdade negativa a sua vacuidade dinâmica
e o movimento da sua abolição
a partir do seu vazio inicial
Mas qual é a sua matéria qual o seu horizonte?
Traçará ele uma linha em torno da sua nulidade
e fechar-se-á como uma concha de cabelos ou como um útero do nada?
Ou será a possibilidade extrema de uma presença inesperada
que surgiria quando chegasse a essa fronteira branca
que já não separaria o ser do nada e no seu esplendor absoluto
revelaria a integridade do ser antes de todas as imagens
a sua violência inaugural a sua volúvel gestação?

António Ramos Rosa
in Deambulações Oblíquas

26.2.10

SÓ OU...ACOMPANHADO?



A propósito de um simples post que aqui fiz, gerou-se alguma discussão sobre República/Monarquia.
Não me apetece nada entrar neste jogo. Sou republicano e - confesso! - neste momento tenho pouca ou nenhuma paciência para debater as virtudes da monarquia, para mais quando ela se faz sob a imagem tutelar de S A R o Sr. D. Duarte de Bragança.

Quanto à candidatura de que me tenho ocupado: o Dr. Fernando Nobre disse ontem à revista VISÃO:

«Já tive ligações à causa monárquica, mas já não tenho. Simpatizo com a monarquia. Digamos que aprecio os nossos nove séculos de história e oito deles foram em monarquia.»

A verdade é que a página do Instituto Democracia Portuguesa ainda ontem lá continuava com a foto de Fernando Nobre, logo a seguir à de D. Duarte, como se pode ver:



E um blogue monárquico (ver AQUI) também ontem, 25 de Fevereiro, citando-me, publicava a foto que copiei mais acima.

Reafirmo: Fernando Nobre tem todo o direito de se candidatar. Mas ponho muitas reservas ao seu discurso de moralização política. Esta ambiguidade, que já vem de trás - pode o mesmo homem apoiar em poucos anos projectos politicos tão diferentes como o PSD, Mário Soares, F. Louçã? - obriga-me a olhar com enorme desconfiança a sua candidatura.
Por isso repito, usando o meu direito de cidadania e respondendo à interpelação pública que esta candidatura suscitou: Fernando Nobre não diz claramente ao que vem...

25.2.10

CAMINHOS






Eram dois caminhos paralelos.
A vida juntou-os numa clareira luminosa.
São agora um único caminho.
Para SEMPRE! 




Fotos Méon, Azambuja, junto ao Palácio das Obras Novas

21.2.10

A TRANSPARÊNCIA OPACA DO SR. FERNANDO NOBRE




Entenda-se que não ponho em causa, de modo algum, a qualidade profissional e o sentido humanitário do trabalho do Dr. Fernando Nobre à frente da AMI.
Em plano muito diferente está  a sua  opção política de candidatura à Presidência da República, que me aparece como uma incursão monárquica exactamente no ano em que comemoramos o centenário da República.
Porque digo isto? Vejam-se as ligações:
Fernando Nobre é Presidente da Assembleia Geral do Instituto Democracia Portuguesa cujo Presidente de Honra é... D. Duarte de Bragança! Como se vê AQUI.

Vejam-se também  os órgãos desse Instituto, com as diversas personalidades que o compõem.
Por exemplo, o Presidente da Direcção é o Prof. da Universidade Católica Mendo Castro Henriques, com um relevante currículo académico no qual nunca escondeu a sua defesa da Monarquia.
Leiam-se alguns textos do referido professor AQUI; AQUI; ou a sua intervenção no X CONGRESSO DA CAUSA REAL.

Ser monárquico não é crime. Para mais, esta corrente monárquica defende inequivocamente o regime democrático. Mas defende, igualmente, a passagem do regime republicano ao regime monárquico através de um processo que chamam de "dupla revisão constitucional", no qual o povo português seria chamado a referendar o novo regime. A intervenção de Mendo Castro Henriques no X Congresso da Causa Real intitulava-se, significativamente, «4.ª República ou 5.ª Dinastia? Os Modelos da Construção europeia e a Relevância da Questão do regime» e teorizava longamente sobre estas questões.

Portanto, a candidatura de Fernando Nobre não é nada inocente. Ontem, na sua apresentação  afirmou que ela é a "dos que não tiveram voz até agora, dos que se desiludiram com a política, dos que acreditam que a política não se esgota nos políticos e não é a sua coutada privada". Dirige-se aqueles para quem "o destino do país não é indiferente" e diz-lhes que "chegou a hora da grande, determinada e corajosa opção de actuar".

Envolvida em ideais de renovação da vida pública e em transparência democrática, esta candidatura é, na realidade, um afrontamento aos ideais republicanos.

20.2.10

PROFESSORES DIZEM ADEUS...



Quem pode vai-se embora. Há algo de muito errado nesta onda de abandonos. Muita gente - que conheço! - gosta de dar aulas, de estar com os alunos, de realizar projectos, de ajudar os jovens a crescer.
Então, por que se vão embora?
O Diário de Notícias de hoje dá que pensar...

19.2.10

À ESCUTA


Recebi ontem um mail com uma história que vem a propósito desta trapalhada das escutas. Pode ser vista como complemento da revista VISÃO de ontem, que trazia uma entrevista escrita ao Procurador Geral da República e outra a Miguel Sousa Tavares. Uma e outra parecerem-me pertinentes.


Aqui fica a história, que me foi apresentada como "verídica daqui a uns anos". Também acho que sim. Desculpem-me a crueza dos diálogos, mas... escutas devem ser mesmo assim!


DIÁRIO DE UM PROFESSOR

18 de Novembro de 2014

Dormi mal. Ontem deram-me uma notícia terrível: o jornal cá da terra vai publicar umas escutas em que estou envolvido. Onde é que vamos parar? E tinha de me acontecer… a mim!
Sei que sou consciencioso e procuro cumprir bem o meu trabalho. Mas ando irritadiço, cada vez me exigem mais trabalho burocrático. Os alunos pouco ou nada estudam porque sabem que irão passar de ano sem problemas. Portam-se mal e os pais ainda lhes dão razão. Tudo isto me desgasta, já levo vinte e três anos de serviço e não vejo melhoras no sistema.
No ano passado, numa manhã muito agitada, perdi a cabeça e dei um estalo num aluno que andava há meses a moer-me a paciência. Puseram-me um processo em cima. Acabei por ser ilibado porque toda a gente sabia quem era aquele aluno e a minha conduta anterior, sempre exemplar, funcionou como atenuante. Durante o processo foram-me feitas escutas telefónicas, ouvidas depois em tribunal. No fim do julgamento o juiz garantiu-me que elas iam ser destruídas.
Afinal, ontem disseram-me que iam ser publicadas. Vão sair no jornal cá da terra. Claro, isso acontece porque fui eleito nas últimas autárquicas e o partido da oposição nunca me viu com bons olhos, desde que pus em causa certos privilégios do Colégio particular que eles controlam.
Que têm de comprometedor essas escutas? Muitas coisas, se forem vistas fora do contexto e não tiverem em conta que eu sou um bocado desbocado nas conversas informais…
Dói-me a cabeça. Não sei como vou dar hoje quatro aulas, ter uma reunião na escola e, à noite, ir para a Assembleia Municipal, onde se está a discutir o orçamento da Câmara…

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“ ECOS DA RIBEIRA”, 18 de Novembro de 2014:

O professor Marcos Oliveira foi julgado no ano passado por ter agredido um aluno numa aula. Foi ilibado mas os pais do aluno nunca aceitaram a sentença pois consideraram que os juízes não tiveram em conta algumas provas que nunca foram arroladas ao processo.
Publicamos hoje parte de uma conversa que o referido professor teve com um colega, na qual é possível detectar a má consciência do arguido. Fazemo-lo porque consideramos de interesse público o conhecimento de como os nossos filhos estão entregues a pessoas que não mostram nível moral à altura da missão que desempenham.

Escuta do dia 3 de Maio 2013:

- Pá, tou arrasado. Os sacanas dos pais do rapazeco vêm agora com a história de que eu tomei o miúdo de ponta desde que soube que eles tinham comprado a tal casa…
- O que é que isso tem a ver?
- Tem que eles estão a dever dinheiro ao meu cunhado, … e é muito dinheiro… e agora compraram uma mansão de novos ricos… há-de ir lá ver… aquela gente é do piorio, pá.
- Não ligues… eu sei o que eles são… a gaja… a mãe do puto… se eu fosse a dizer o que sei…
- Sabes o quê?... Conta lá…
- ó pá, a gaja… toda a gente sabe… como é que arranjou emprego pró marido? A gaja manobrava o patrão… e como é boa comó c****, o patrão bumba!...
- Isso já percebi… A gaja rebola o cu por tudo quanto é sítio… Mas é chato… Os gajos querem que eu apresente desculpas para não ir a julgamento...
- Mas pra te f*****m a vida já não é chato! Não sejas choninhas, pá! os gajos têm de ser postos no lugar. Não vás nessa de pedir desculpas. Aquela gente tem d’aprender… Lixa os gajos, pá! Se não és tu qu’és f*****…
- Tá bem... os gajos não merecem nenhuma consideração... a gaja é uma p*** do pior... o pai é um palerma, só faz o que ele diz... mas... quanto mais se mexe na m****... não sei.
- Não sejas palerma... tás a ser tóto! Enfrenta os gajos, pá! ... o juíz não vai na conversa deles, só se fosse como eles... eles são muito conhecidos, é gente da pior espécie...
- Vou ver... vou ver... tenho de falar com o advogado... ele acha que tenho hipóteses, sou bem visto e tal... vou ver... olha, pá, tão-me a chamar... amanhã ligo-te. Ciao....

16.2.10

Carnaval de Torres Vedras em 1932

Imagens históricas de uma festa com tradições nesta terra. É muito interessante tentar reconhecer os locais onde passa o cortejo...

BORGES E O LABIRINTO


Jorge Luís Borges pelo pintor argentino Luís de Bairos Moura


A cegueira levou Camilo Castelo Branco ao suicídio. Jorge Luís Borges encontrou nela uma luz para o conhecimento. Textos casuais, interesses dispersos, curiosidade inesgotável explicam uma obra em que não é possível encontrar fronteiras - sejam de cultura ou de língua. Universal.

Releio a maravilhosa entrevista/conversa de Mega Ferreira a Borges, publicada em "Retratos de sombra"  com o título «Borges ao anoitecer»( Assírio & Alvim, 2003):

" (…)« o texto é um campo aberto onde cada leitor deposita as suas esperanças, os seus desejos, a sua cultura. A obra só vive quando sobre ela se depositam os olhos do leitor. Repare, como é que interpreta o motivo do labirinto?»
O labirinto é a metáfora do cosmos, acho eu. A questão está em saber se, para ele, o labirinto é a vida tal como nos é revelada, ou a vida, tal como, para sempre, fica oculta da compreensão dos homens.
«Isso é muito interessante. Eu acho que cada homem tem o seu labirinto, que é dele e de todos. A questão está em saber encontrar a saída. Ora, a maior parte dos homens fica perdida nos corredores intermináveis, nas galerias suspensas sobre o nada, nas portas fictícias. Para quem desperdiça o tempo da sua vida à procura da saída, ou seja, para quem está lá dentro, o labirinto não é um cosmos, é um caos. É isso a vida, para a maior parte das pessoas.»
Falo-lhe da idade. Volto à ideia inicial: que coisas redimem a impotência do homem perante o «tempo sucessivo»?
«A idade preocupa-me pouco. A minha mãe, por exemplo, morreu com 99 anos. Eu não sei se ela terá sido...»
Maria interrompe, vivamente: «Feliz? Eu acho que sim, Borges, a sua mãe conservou todas as faculdades, toda a sua ener­gia e lucidez até cerca de um ano e meio antes de morrer. Eu acho que ela foi feliz.»
«Não sei. E tu, Maria, gostavas de viver até essa idade?»
«Se fosse como a sua mãe, acho que sim.»
Borges baixa os olhos sobre a mesa. Parece que se fixa num pormenor qualquer, mas isso é ilusão de quem vê. «Eu não sei. Mas a velhice, esta velhice, não me incomoda. Bioy Casares, por exemplo, faz-me impressão. Tem só sessenta anos e está completa­mente amargo com o envelhecimento. Hoje, é quase a sua única preocupação. Para mim, a velhice é uma serenidade. Ao contrário do que as pessoas pensam, não se sente o tempo a fugir-nos: tudo é mais calmo, às vezes, com felicidade, perde-se a noção desse tem­po que nos é exterior. Tudo tem o seu ritmo interno e é uma gran­de alegria aprender a não contar com o tempo.»
Daí o seu interesse pelo pensamento oriental?
«Sim, sim, é isso. Eu penso que os orientais estão muito mais próximos do que nós da eternidade, não acha?»

14.2.10

IMAGENS DO MEU OLHAR


Ainda a Capela de Nª Srª do Ó da Carvoeira, Mafra. Pormenores...






ANIVERSÁRIO DE UM CRIME




A historiadora Irene Pimentel publicou AQUI um oportuno post sobre um dos maiores crimes do Estado Novo, o assassínio de Humberto Delgado. Fez ontem 45 anos.
A  minha homenagem ao lutador antifascista.

13.2.10

IMAGENS DO MEU OLHAR

Nossa Senhora do Ó do Porto da Carvoeira - Mafra.

IR ATÉ LÁ : passada a Ericeira a caminho de Sintra, a estrada desce para a ponte sobre o Lizandro e depois sobe em curvas apertadas, entre a ravina à esquerda e os afloramentos rochosos do lado direito. Encontra-se a vila da Carvoeira. Junto à Igreja, corta-se à esquerda e segue-se a estrada até encontrar a Matriz do Porto da Carvoeira, cerca de um km mais adiante.

















A Igreja de Nossa Senhora do Ó é a Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora do Ó do Porto da Carvoeira.

Situa-se no vale da Carvoeira, afastada da povoação, na margem direita do Rio Lizandro.

Junto à ponte velha da ribeira do Cheleiros, hoje muito alterada na traça original, situa-se então esta Igreja cuja data de edificação permanece desconhecida, embora alguns elementos decorativos conservados no seu interior, como a pia de água benta, nos indiquem que já era utilizada ao culto no início do sec. XVI.
A Igreja de linhas simples, está delimitada por um adro murado, no qual foi colocado um cruzeiro, com painel de azulejos numa das faces.

O corpo do edificio é precedido por uma galilé de secção rectangular, de cércea baixa, à qual se acede por um arco de volta perfeita ladeado por duas janelas. A fachada da Igreja, que possui também planta rectangular, possui portal principal de moldura simples, com cornija destacada, onde está gravada a data 1830, encimada por uma janela rectangular e óculo, sendo rematada superiormente por empena de cruz de pedra.

Destaca-se como peça importante a pia de agua benta, quinhentista, dividida em gomos sem decoração, com boleados junto ao friso superior, cujo suporte é decorado com florões.
É um imóvel Classificado pelo IGESPAR como de interesse Municipal, que se foi degradando ao longo dos tempos mercê das inundações provocadas pelas cheias do rio, agora controladas por açudes, e que ciclicamente inundavam o vale.

Nossa Senhora do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo, na Espanha, remontando à época do X Concílio, presidido pelo arcebispo Santo Eugênio, quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de Dezembro.
Sucedido no cargo por seu sobrinho, Santo Ildefonso, este determinou, por sua vez, que essa festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria. Pelo facto de, nas vésperas, se proferirem as antífonas maiores, iniciadas pela exclamação (ou suspiro) “Oh!”, o povo teria passado a denominar essa solenidade como Nossa Senhora do Ó.
O seu relógio de sol, num dos cunhais está datado de 1764

Fotos © Méon 2009

12.2.10

QUE PODER TEM OBAMA?


Saudámos a vitória de Obama com enorme esperança. O mais poderoso país do mundo deixava de ter à frente um primata ignorante e perigoso, substituído por alguém muito diferente. Num colossal e contraditório caldo de culturas, mentalidades e interesses,  Obama representava os excluídos, os dominados, a multidão dos grupos urbanos das grandes cidades, contra os interesses económicos dominantes da indústria armamentista, das petrolíferas, dos gruposfinanceiros ( bancos, seguradoras...).
Meses depois a sua popularidade cai. Porquê? Eu andava a tentar perceber, até porque não subscrevo as análises primárias que o classificam  como "mais um grande representante do grande capital...", etc

O professor  Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008, tem as suas crónicas semanalmente transcritas no jornal I. O seu texto de hoje parece-me responder em parte à questão. Transcrevo-o, até porque esta questão diz respeito a todos nós:


«Estados Unidos: farsa em vez de tragédia


por Paul Krugman, Publicado em 12 de Fevereiro de 2010

Os dois principais partidos estão a tornar os Estados Unidos praticamente ingovernáveis. É verdade que nem tudo está perdido, mas o Senado está a fazer por isso

Sempre soubemos que o reinado dos Estados Unidos como nação mais poderosa do mundo acabaria um dia. Só que a maioria de nós imaginava que a nossa queda, quando chegasse, seria algo de grandioso e trágico.

Em vez disso, depara-se-nos não uma tragédia, mas uma absoluta farsa. Em vez de nos estarmos a vergar sob o peso de um expansionismo imperial excessivo, estamos a ser paralisados por procedimentos. Em vez de uma nova versão do declínio e da queda de Roma, estamos perante uma réplica da dissolução da Polónia do século xviii. Não sei o que isto vale...

Uma pequena lição de história: nos séculos xvii e xviii, o órgão legislativo polaco, o Sejm, funcionava segundo o princípio da unanimidade. Qualquer deputado tinha o poder de anular uma proposta legislativa gritando "Não consinto!". Isto tornou o país ingovernável em termos práticos, e as potências vizinhas começaram a anexar pedaços do território polaco. Em 1795, a Polónia desapareceu, para só voltar a emergir um século mais tarde.

Hoje em dia, o Senado dos EUA parece determinado a fazer que o Sejm pareça, por comparação, uma benesse.
A semana passada, ao fim de nove meses, o Senado aprovou por fim o nome de Martha Johnson para chefiar a General Services Administration, órgão que gere o património edificado e os aprovisionamentos governamentais. É, em essência, um lugar não político, e ninguém contestou as qualificações de Johnson para o ocupar: o seu nome foi aprovado por 94 votos a favor e 2 contra. No entanto, o senador Christopher Bond, (republicano, do Missouri) tinha posto a nomeação em "suspenso", como forma de pressionar o governo a aprovar um projecto de construção em Kansas City.

Esse feito de características duvidosas pode ter inspirado o senador Richard Shelby (republicano, do Alabama). Seja como for, Shelby já pôs em suspenso todas as nomeações da administração Obama - cerca de 70 cargos oficiais de alto nível - até que o Estado que representa obtenha um contrato de produção de navios-tanque e um centro de contraterrorismo.

O que dá a senadores individuais um poder desta magnitude? A maioria dos assuntos do Senado assenta na aprovação por unanimidade: é difícil conseguir que alguma coisa se faça até que todos os membros concordem com os respectivos termos processuais. Nasceu assim, e consolidou-se, uma tradição segundo a qual os senadores, em troca de não invalidarem tudo, obtêm o direito de bloquear a nomeação de indigitados de quem não gostam.

Antigamente, as suspensões eram utilizadas de forma comedida - isto porque o Senado costumava observar "tradições de civilidade, cortesia, reciprocidade e conciliação". Mas isso era antigamente. As regras que costumavam ser viáveis tornam-se incapacitantes, agora que os principais partidos políticos do país se deixaram cair num niilismo e não vêem mal algum - aliás, vêem ganhos políticos - em tornar a nação ingovernável.

Hoje os dirigentes republicanos recusam-se a enunciar propostas específicas. Protestam contra o défice; no mês passado, os senadores desse partido votaram em bloco contra qualquer aumento do limite de endividamento federal, uma medida que poderia ter provocado mais um bloqueio do governo, não fora o facto de os democratas terem 60 votos no Senado. Mas também denunciam tudo o que possa reduzir o défice, incluindo, ironicamente, quaisquer esforços para gastar mais racionalmente os fundos do Medicare. Tendo o Partido Republicano, a nível nacional, abdicado de qualquer responsabilidade de fazer que as coisas funcionem, é mais que natural que os senadores, individualmente, se sintam à vontade para tomarem a nação como refém até conseguirem o financiamento pretendido para os seus projectos preferidos.

A verdade é que, dado o estado da vida política nos EUA, o comportamento do Senado está completamente divorciado de qualquer noção de governo funcional. Os próprios senadores deveriam reconhecer este facto e pugnar por uma alteração dessas regras, incluindo a eliminação, ou pelo menos a limitação, da flibusteria, o processo de bloqueio parlamentar. Eis algo que podem e devem fazer, por voto de maioria, no primeiro dia da próxima sessão do Senado. Mas é melhor esperarmos sentados. Da maneira como as coisas se apresentam, os democratas parecem nem sequer ser capazes de ganhar pontos pela denúncia do obstrucionismo dos seus opositores.

Deveria ser uma mensagem simples (e deveria ter sido mesmo a mensagem central no Massachusetts): um voto num republicano, independentemente do que se pense dele em termos pessoais, é um voto na paralisia. Mas, nesta altura do campeonato, já sabemos como a administração Obama lida com os que a destroem: vai-lhes directamente... aos vasos capilares. É bem verdade que Robert Gibbs, secretário de imprensa da Casa Branca, acusou Shelby de "parvoíce". Pois. Isso vai mesmo ter um impacto avassalador junto dos eleitores!»

Economista Nobel 2008

Exclusivo i/The New York Times

CARNAVAL MAIS "BARRETE"

Ora aqui está uma ligação para alguém que sabe explicar o que é o Carnaval. AQUI! Texto erudito, elucidativo, de Venerando de Matos, que não brinca em serviço!

Pela minha parte, já brinquei ao Carnaval. Tudo começou ainda em Dezembro e veio até sábado passado, quando fomos para a rua vender o resultado da nossa brincadeira - uma revista de humor:


À venda nas melhores casas da especialidade.

11.2.10

PRÉMIO DE POESIA RTP / SPA ( 2009 )

Prémio para o melhor livro de Poesia 2009 da RTP/Sociedade Portuguesa de Autores:  atribuído a António Osório, pelo seu livro A Luz Fraterna (Ed Assírio & Alvim)




O CANTO DO CISNE

Nunca o ouvi.
Que seja inextinguível.
Ou então silencioso
por pudor e tremendo
de raiva.
E que dure o bastante
para que nada fique por cantar.



[in A Luz Fraterna - Poesia Reunida,
Assírio & Alvim, 2009





QUEM É ANTÓNIO OSÓRIO 


António Gabriel Maranca Osório de Castro, de seu nome completo, nasceu em 1933 em Setúbal, afirmando-se profissionalmente no exercício da advocacia onde chegou a ocupar o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados entre 1984 e 1986. O seu percurso profissional incluiu ainda a participação na administração da Comissão Portuguesa da Fundação Europeia da Cultura e a presidência da Associação Portuguesa para o Direito do Ambiente. Dirigiu a Revista de Direito do Ambiente e do Ordenamento do Território, que fundou, e é director de Foro das Letras, revista da Associação Portuguesa de Escritores-Juristas. Colabora regularmente com crónicas no J.L.- Jornal de Letras, Artes e Ideias.



A sua actividade literária inicia-se em 1954, como colaborador da revista Anteu, mas é apenas na década de 70 que publica o seu primeiro livro de poesia, A Raiz Afectuosa, que “determina em boa parte a tonalidade de uma voz que se assume como vocação primordial, íntima e natural para uma espécie de canto da criação e do mistério da vida e da morte, do animal e do humano”, inflectindo o percurso do que na época se tinha como modernidade (in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. VI, Lx, 1999).


Com mais de vinte títulos publicados, muitos dos quais também traduzidos, revelou a cumplicidade da arte poética com a linguagem da pintura na colaboração com nomes maiores desta área, como Manuel Cargaleiro ou Júlio Pomar, que ilustram obras de sua autoria.

10.2.10

SUBSCREVO INTEIRAMENTE

Sim, este texto que li no JUGULAR, diz tudo o que penso. É que há para aí justiceiros, sempre prontos a atribuir as mais nefandas intenções aos que com eles não concordam...


Escreve:Rogério da Costa Pereira:

Ontem recebi um comentário que é um belo resumo de tudo o que tem acontecido nos últimos dias. Diz o Luis Serpa: "Uma coisa que acho curiosa: como vão aqueles que hoje defendem Sócrates justificar-se no futuro? Vai ser interessante." 

Antes de mais, eu não defendo Sócrates, defendo uma ideia (a minha) de Estado de Direito — que cada vez tem menos de ambos, de Estado e de Direito. Defendo que nenhuma escuta — nenhuma! — possa ser publicada por um qualquer pasquim. Defendo o direito à privacidade, o direito à honra e uma série de outras coisas que parecem não querer dizer muito à opinião publicada por essa blogosfera fora. Defendo o direito a inventariar a tolice, aponta-la a dedo. Defendo o meu direito à indignação perante crónicas como as do Crespo ou as do profeta do devir, perante telejornais como o de sexta. É que, pasmem, a censura pode revestir várias formas —  e algumas até são benignas e essenciais para a sustentação de um Estado de Direito (a moderação de comentários num blogue, por exemplo). Uma das formas que a censura pode assumir, esta bem maligna, ataca directamente a essência da democracia; reveste a forma do vale tudo, em molde de ralhete constante, não fundamentado, descontextualizado, intrusivo, maledicente e por vezes criminoso. É essa forma de censura que alguns apelidam liberdade de expressão.
Quanto ao comentário que deu azo a este texto: não tenho nada que me justificar no futuro, ainda que Sócrates venha a ser acusado e condenado por todos os males do mundo. Ajo e continuarei a fazê-lo de acordo com a minha consciência. Não faço uma defesa ad hominem. Mais importante ainda: espero bem que em circunstância nenhuma a minha actuação presente venha a ser escrutinada no futuro, obrigando-me a dar justificações.

9.2.10

OPINAR SOBRE "ISTO"?


Tenho-me abstido de "opinar", é verdade. É que, tal como PedroTadeu diz hoje no DN, acho que estes homens devem estar loucos. Mas como isso é contagiante, acabei por perder o juízo. E aqui estou agora com este arrazoado, quando o melhor, se calhar,  era ficar calado, de volta dos poetas e da grande música. Lá está, isto pega-se.

Começo por avisar: não sou socratista! Mas... e que fosse! Ai de quem hoje se mostra da situação! Instalou-se em Portugal uma frente de oposição como nunca se viu: todos contra o PS! Não por ideologia - até porque o PS é o primeiro a não tê-la! - mas por oportunismo político. PCP, BE, CDS, PSD, todos na mesma equipa, aos pulos e aos gritos, clamando por D. Sebastião Cavaco, para que ele monte o cavalo branco e salve a Pátria.  Vale tudo! E como vale tudo - a começar pela vergonha das quebras do segredo de justiça que acontecem todos os dias! - vemos agora uma frente de indignação que passa pelo facebook, manifs, petições, etc, e que fazem de Manuela M Guedes, Moniz e Crespo os mártires da liberdade de expressão. Ao que chegámos!

Manuela Moura Guedes? Pois... parece que o país parava deliciado com aquela forma de fazer jornalismo judicativo, agressivo, tendencioso. José Sócrates não gostava, o que para o populacho era sinal de que a senhora Guedes estava cheia de razão. Eu e muita gente que conheço achava-a má jornalista, parcial e malévola. Não raro grotesca.Mas ...era contra-poder!
Moniz? Mais um dos que fizeram da televisão privada uma cloaca de mau gosto, para agradar aos públicos mais boçalmente ignorantes. Tornou-se, também ele, um paladino da verdade informativa!

Crespo? Com aqueles debates de uma côr só, desde que os convidados alinhassem nos preconceitos dele, evidenciados em tudo em que fala, desde a Educação à Economia? Que escreveu uma crónica patética sobre uma coisa que alguém disse que outra pessoa ouviu que lhe tinham dito... E que o director do JN sensatamente se recusou a publicar? Também ele transformado em mártir da asfixia democrática!

Nunca tanta gente disse tanta coisa com tanta liberdade! Qualquer um pode dizer as barbaridades que lhe apetecer. Não há perigo.
Mesmo quando se sugere, se insinua, se acusa, se alcovita àcerca de alguém. Tudo pode ser dito impunemente. No tempo do Camilo ainda era possível responder com umas bengaladas quando o desaforo ia longe de mais. Agora nem isso.

Acho que um bom jornalista deve ser como um bom árbitro de futebol: não se deve dar por ele. Não tem que opinar, a propósito de tudo e de nada. Mas não é o que acontece em Portugal. Alguns jornalistas, com o poder desmesurado que lhes é dado pela utilização dos media, tornam-se as vedetas, são eles próprios notícia. Logo aproveitados pelos políticos que não têm, nem de longe, o mesmo acesso aos meios de comunicação.
A uns interessa vender papel, aos outros a chicana política.
Quem pode governar uma freguesia destas?

Pergunto: goste-se ou não dele - caso Sócrates caia,  há por aí alguém à vista que lhe suceda com vantagem para o país? Estamos a ver Jerónimo de Sousa Primeiro-Ministro? Ou Louçã? Ou Manuela Ferreira Leite? Ou Aguiar Branco? Ou Passos Coelho? Ou o Rangel da claustrofobia?
Tenham paciência!

Calo-me já! Volto aos meus ricos poetas!

6.2.10

Vizinha Tem Cá Lume - Ronda dos Quatro Caminhos

Brilhante! Alguém sonhou um dia com esta novidade: um grupo coral do Alentejo canta ao som de uma orquestra!

A letra deste "cante" alentejano:

VIZINHA TEM CÁ LUME

Não sei se te diga adeus
Se te diga vou-me embora
E o amor que quer bem
Quando diz adeus já chora

Oh vizinha dê cá lume
P'rá acender meu candeeiro
Tenho o meu amor à porta
Quero-lhe ir falar primeiro

Quero-lhe ir falar primeiro
Porque é esse o meu costume
P'rá acender meu candeeiro
Oh vizinha dê cá lume

Não me lembra a minha terra
Nem a hora em que abalei
Só me lembram as saudades
Das gentes que lá deixei

Orquestração e arranjo - Pedro Pitta Groz Grupo
Coral de Balcizão
Solo - António Palminha
Alto - Jose Gasalho


IMAGEM DO MEU OLHAR ... presa por arames!

É uma aldeia a cerca de três quilómetros de Torres Vedras: Fonte Grada.
A fachada da sua igrejinha é muito bonita. Mas há cerca de seis meses o edifício abriu uma brecha... Agora está assim:




Deve ser a crise...

4.2.10

ESTAMOS CONFUSOS?

Na Madeira paga-se o IVA a 14%. No Cont'nente pagamos 20%!
Na Madeira há um governo autocrático que acha que a crise acaba quando Sócrates se for embora (palavras do chefe deles, ainda há pouco...).
No Cont'nente os partidos que não estão no Governo - sejam de direita sejam de esquerda -aliam-se porque também acham que a crise só acaba quando Sócrates se for embora.
Entretanto a Bolsa entra em choque e os estrangeiros que nos financiam levantam a voz. Gritam!

Aqui perto, num prédio de quatro andares, doze vizinhos não se entendiam por causa de um arranjo no algeroz. Preferiram contratar uma empresa de administração para fazer um trabalho simples de gestão de condomínio, pelo qual pagam caro. Agora falam mal da empresa de administração...

Falta-me imaginação para passar para o outro lado do espelho...

Pego nas POESIAS COMPLETAS  de António Feijó. Preciso de ar puro! Algo de diferente...
Ao menos este tem mais graça.


SAIAS



Amei-te de saias curtas,
No tempo em que eras menina;
Do quintal por entre as murtas,
Da praia na areia fina.

Depois, de saias compridas,
No tempo das ilusões...
Que beijos às escondidas!
Que valsas pelos salões!

Mais tarde, as saias estreitas,
Amei-te de travadinha...
Ó curvas mais que perfeitas!
Sinuosidade da linha!

Depois — a mim não te furtas!
Amei-te, passados anos,
Outra vez de saias curtas,
Mas com as botas de canos!

Já vês... que importam as saias?
A minha alma é sempre tua,
Tua, mesmo que tu saias
Nua, ou de calças, à rua!

Nua, sim! nua ou de calças!
Sedas e enfeites, que são?
Como as botas que tu calças,
Acessórios na paixão!

A essência é a chama erradia
Que o teu olhar acendeu,
E em mim fixou, certo dia
Que se encontrou com o meu...

Chama a tremer tão distante,
Tão longe, na Mocidade,
Como uma estrelinha errante
No céu da minha saudade.

António Feijó, POESIAS COMPLETAS,
Ed. Caixotim, s/l, 2004

Cartoon de NOVAES
http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://novacharges.files.wordpress.com/2008/07/donalisa3.jpg&imgrefurl=http://novacharges.wordpress.com/category/charge-jb/&usg=__mO7DJf-alV0lf9LwSfNVPYnL8-0=&h=500&w=441&sz=288&hl=pt-PT&start=41&sig2=5wAUuIC4hGsOq69AeAfxsg&itbs=1&tbnid=T-cW813dGVwclM:&tbnh=130&tbnw=115&prev=/images%3Fq%3Dtrovoada%2Barte%2Bpintura%26gbv%3D2%26ndsp%3D18%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26start%3D36&ei=3ElrS5n0EsuNjAeu4NnMBA

2.2.10

QUANDO IL EST MORT, LE POÉTE...


Morreu hoje Rosa Lobato Faria. (1932 - 2010)
Escreveu poesia, romances, peças de teatro, letras de canções...
Foi atriz de teatro, cinema e televisão.

Autora de referência? Não ficará na História da Grande Literatura mas deixou obra que vale a pena conhecer. Porque se não foi inovadora nos temas e nas formas, soube manejar muito bem os instrumentos da escrita.


Recordo dois poemas de Rosa Lobato Faria, insertos na antologia CEM POEMAS PORTUGUESES NO FEMININO, ed. Terramar, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria:



Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.

É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.

O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.

Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
somos a maré alta de quem ama.

Por fim o sono calmo, que não é
senão ternura, intimidade, enleio:
o meu pé descansando no teu pé,
a tua mão dormindo no meu seio.



****************************************



Afirmas que brigámos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
e vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo - é minha! - a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
É meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?

De quem é esta briga? Não me lembro.

1.2.10

SAUDADES DE ONDE NUNCA FUI

Machado de Assis


Quando estudava História na Faculdade de Letras de Lisboa encontrei-me com o Brasil. Foi o primeiro encontro a sério, porque antes eu sabia apenas a história do Pedro Álvares Cabral. Note-se que há 40 anos o mundo era incomensuravelmente maior. O Brasil ficava mesmo do outro lado do Atlântico. Vinte anos antes de eu nascer tinha havido aquela aventura de dois malucos com uma máquina voadora, a ligarem Portugal e o Brasil. Longe, muito longe!
Ia eu dizendo: na Faculdade de Letras tive uma disciplina de História do Brasil e outra de Arte Portuguesa e Ultramarina. Foi a descoberta! - anos antes de outra, a da grande Literatura brasileira, com esses monstros sagrados do Eurico Veríssimo, Machado e Assis, a primeira fase de Jorge Amado, Mauro de Vasconcelos...
Então estudei alguma coisa desse enorme e atraente país dos "portugueses à solta"! Ouro Preto, Olinda, Recife, Baía... Nomes que me incendiaram a imaginação. Porque era preciso usar de muita imaginação para descrever os monumentos, já que não havia livros com imagens de qualidade, nem se sonhava com o "google imagens". Esse mítico "Aleijadinho" que deixou obra espantosa em Ouro Preto e em Cangonhas do Campo! Eu só podia imaginar, enquanto lia páginas e páginas de descrições literárias...

S. Francisco de Ouro Preto

Há meia dúzia de anos tive um sobrinho a estudar no Rio de Janeiro e perdi a oportunidade de lá ir visitá-lo. Tenho vagos familiares afastados em Londrina e em S. Paulo. E acrescento agora uma enorme preguiça - e claustrofobia! - para me meter 9 horas num avião! Brasil, meu país sonhado e nunca vivido!


O acaso tem-me trazido gente bonita ao meu convívio da blogosfera, essa nova forma de viajar pelos afectos longínquos e pela cultura de cada vivência pessoal.
Nas ligações que marquei aqui no blogue vejo agora janelas abertas sobre esse mundo colorido e sedutor que é o imenso país das saudades do que nunva vi ao vivo!



Maria Betânia

Saravá, mundo de Maria Betânia ("sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu...") de Vinicius de Morais, de Drummond de Andrade, de Chico Buarque, de Tom Jobim, de Caetano Veloso, de Élis Regina, tantos, tantos outros. Saravá!