31.5.08

Lembro aos visitantes deste espaço que AQUI já podem encontrar mais um episódio da Guerra Peninsular.

E AQUI há uma nova página...

Eu sei que vocês sabem que eu sei que não me levam a mal esta "publicidade" em causa própria... É o meu gosto pela partilha! Só isso!

Fiquem bem!

30.5.08

Oeste lindo! Imagens do nosso olhar... (2)

[ Caixaria, freguesia de Dois Portos, conc. de Torres Vedras. ]



Sirva-se à vontade, viajante... É só fazer rodar a bomba d´'água...


Veja se já vai atrasado, viajante...


- Ó Ti'Arminda! Tá em casa?


Não responde? Vou usar a aldraba!...

Oeste lindo! Imagens do nosso olhar... (1)

Capela da Orjariça, a dois quilómetros de Torres Vedras, saída Sul da A8

Velho fontanário na Louriceira, logo a seguir à Orjariça


A bomba de roda ainda puxa água... Na Caixaria, a sete quilómetros de Torres Vedras, entre Runa e Ribaldeira.

Velhas pedras que falam... das mãos que ampararam ao longo de tantos anos...


Da velha quinta sobrou este muro, decorado por algum mestre alvenel de rara sensibilidade...
Na Caixaria.

29.5.08

NESTE TEMPO QUE RODA...


O carteiro trouxe um postal ilustrado:

«Passaram os dias
rodou o tempo
andei por longe
mas não me perdi

Uma cidade
habitou nos meus olhos
estou de regresso
já perto de ti...»

Um poeta que estava perto juntou um pequeno envelope com um laço vermelho. Lá dentro:

«O poeta tem um plano:
para chegar ao centro
dos teus olhos

encherá as ruas com flores
e mandará secar o oceano
que passa á porta da tua casa»
(Bernardo P. de Almeida, in: hotel spleen)







20.5.08

O MARINHEIRO



(...)


- Eu já não sabia em que pensava... No passado dos outros talvez..., no passado de gente maravilhosa que nunca existiu... Ao pé da casa de minha mãe corria um riacho...Porque é que correria, e porque é que não correria mais longe, ou mais perto?... Há alguma razão para qualquer coisa ser o que é? Há para isso qualquer razão verdadeira e real como as minhas mãos?...


- As mãos não são verdadeiras nem reais... São mistérios que habitam na nossa vida... às vezes, quando fito as minhas mãos, tenho medo de Deus... Não há vento que mova as chamas das velas, e olhai, elas movem-se... Para onde se inclinam elas?... Que pena se alguém pudesse responder!... Sinto-me desejosa de ouvir músicas bárbaras que devem agora estar tocando em palácios de outros continentes... É sempre longe na minha alma... Talvez porque, em criança, corri atrás das ondas à beira-mar. Levei a vida pela mão entre rochedos, mará-baixa, quando o mar parece ter cruzado as mãos sobre o peito e ter adormecido como uma estátua de anjo para que nunca mais ninguém olhasse...


- As vossas frases lembram-me a minha alma...


(...)


Teatro Municipal de Almada, 17 de Maio. A peça de Fernando Pessoa - O MARINHEIRO - foi uma viagem inquietante aos nossos abismos. Teatro poético, extático, carregado de simbolismo. Cada homem é um marinheiro que não conhece o antes nem o depois da viagem.


A vida humana é um espaço de palavras entre dois infinitos silêncios: o de quando ainda não existimos; o de quando deixamos de existir. Por isso Fernado Pessoa fez da sua vida um monumento de palavras entre esses dois silêncios.


Vejo O MARINHEIRO como a afirmação da palavra /vida face ao silêncio / morte. Silêncio representado pela figura de branco vestida, imersa no silêncio, jazendo entre os espectadores e as três veladoras.


Texto ( de Fernando Pessoa) e encenação ( de Alain Olivier): absoluta beleza!


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Do site do Teatro Municipal de Almada:


Em Setembro de 2006 Alain Ollivier, director do Théâtre Gérard Phillipe de Saint-Denis, apresentou na Sala Experimental do TMA a sua encenação de O marinheiro, de Fernando Pessoa: um espectáculo protagonizado pela célebre actriz francesa Anne Alvaro, cuja interpretação Miguel Pedro Quadrio, crítico do Diário de Notícias, considerou “de uma beleza quase lancinante”. Deste espectáculo surgiu o convite para Alain Ollivier dirigir o “drama estático” de Pessoa numa produção da Companhia de Teatro de Almada, com um elenco de actrizes portuguesas. Escrito em apenas dois dias (11 e 12 de Outubro de 1913), O marinheiro nunca chegou a ser representado na presença do seu autor, e mesmo hoje em dia são poucas as encenações desta obra-prima quase desconhecida.Fernando Pessoa (1888 - 1935) é considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, a par de Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, juntamente com Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte da sua juventude na África do Sul, o inglês também possui um papel de destaque na sua vida, tendo escrito uma parte importante da sua obra nessa língua. Pessoa teve uma vida discreta, que dividiu entre o jornalismo, a publicidade, o comércio e, principalmente, a literatura, onde se desdobrou em centenas de heterónimos, sendo os mais conhecidos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares: a figura enigmática em que Pessoa se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Fernando Pessoa morreu em Lisboa, a mesma cidade em que nascera, de problemas hepáticos, aos 47 anos de idade. A última frase que escreveu foi: “I know not what tomorrow will bring..


Intérpretes: Cecília Laranjeira, Maria Frade, Teresa Gafeira

Cenário Daniel Jeanneteau

Máscaras:Erhard Stiefel

Luz: José Carlos Nascimento


18.5.08

A MÃO SOBRE O REGAÇO



Beijo, seguro,
e devagar tropeço

Trespasso as emoções
e te devolvo o espaço

O laço e o lençol
onde me deito
e faço

do tempo o amor
a mão sobre o regaço

Maria Teresa Horta, in Só de Amor, 19999

17.5.08


Este poema atingiu-me logo pela manhã. E Clarice é uma voz estranhamente poderosa da literatura brasileira. Razões suficientes?


Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.

Clarice Lispector

16.5.08

O PRIMEIRO LASER


"Theodore Maiman made the first laser operate on 16 May 1960 at the Hughes Research Laboratory in California,"(...) - o resto pode ser visto AQUI(clicar):

http://www.press.uchicago.edu/Misc/Chicago/284158_townes.html
Acho que devemos estar gratos. Hoje o laser é uma tecnologia banal mas, em 1960, foi um salto de gigante na evolução técnica e científica.

O Google chamou a tenção para isto. Agradeço e retribuo, com uma pequena parcela de divulgação...

15.5.08

EROS DE PASSAGEM

1.
Apelo da manhã perdido em flor:
ave seria se não fosse ardor.

2.
Pelo sabor da água reconheço
a ternura e os flancos do verão.

3.
Um corpo brilha nu para o desejo
dançar na luz a pique das areias.

4.
Nas águas rumorosas da memória
contigo acabo agora de nascer.

5.
O vento inclina as hastes à luz dura:
a terra está próxima e madura.

Eugénio de Andrade in: "Antologia Breve"
Reprodução do quadro de Monet
"Impression, soleil levant" (1872)

13.5.08

ESTA TERRA ! TERRA ÚNICA !

- Convento das Maltezas, Estremoz -


- "Estamos aqui! -


Deixo estas duas fotos como pistas para um enigma. A solução é fácil. Basta ir a

http://terraquegira.blogspot.com/

Uma aventura empolgante...

Sim, gosto de literatura em geral, de arte, de viagens, de música, de pessoas, de vida... Mas tudo isso faz parte de um mundo que tem existência estudada e que é de uma riqueza incomensurável.

Talvez nem mereçamos a grandeza do mundo...

12.5.08

ESPERA

Estava à tua espera
desde o começo do mundo
no sentido da água dos indícios do fogo


pousaste o olhar
na luz que tardava
e em redor a neve ardeu


havia uma casa
um endereço uma magnólia incendiada
e nada alterou o itinerário das aves


estava à tua espera
desde o começo do mundo
na despedida dos anjos
no rumor matinal de Abril


com parcimónia escrevo
num talento breve e ao abrigo da noite
as razões desta areia iluminada.

Poema: Fernando Jorge Fabião, in "Nascente da Sede"
Foto: (C) Mariah, Olhares.com

RECANTO


Um recanto do Ribatejo: S. João da Ribeira ( e mais adiante fica a Ribeira de S. João). Concelho de Rio Maior.
Combinação perfeita: a oliveira secular, uma pequena escada... um muro caiadinho de branco.
A beleza é simples!

9.5.08

( Escola P. Francisco Soares - Torres Vedras )

Regresso à escola. São momentos breves de reencontro com os meus passarinhos que esvoaçam em redor, numa chilreada. Mãos de colegas queridos vêm ao meu ombro e deixam afagos de amizade. Brilhou mais o sol de Maio...


7.5.08

TERNURA

Tranquila e serena
a nossa casa
nos quatro cantos
o sol do meio-dia

à tua espera alegre
e descansada
injecto-me de amor às
escondidas

Sobre a garganta passo
os dedos espessos
e a roupa uma a uma
vai caindo

para que então amor
com os teus dedos
quando vieres me vás
depois vestindo

Maria Teresa Horta
Poema: À TUA ESPERA.
(c) Foto "Olhares"

5.5.08

ALEGRIA


Talvez não exista uma paisagem assim. Mas há tantas coisas que nós pensamos que não existem...
No bosque dos meus olhos fechados, sei que ela permanece. Igual á alegria das horas partilhadas.

"Hoje tenho a alegria duradoura de um mastro,
a herança dos bosques, o vento dos caminhos
e um dia decidido sob a luz terrestre."
(...)
Pablo Neruda

4.5.08

CAMPANÁRIOS







Erguem-se, soberbos, sobre a nossa pequenês. Testemunham outros tempos de poder e guerra.
Chamam e repelem. Permanecem imóveis à espera do tempo que não volta.



Amáveis, outros, recebem-nos de braços abertos. De branco e azul, festejam a nossa chegada.

Hoje viajei pelos olhos da minha máquina, que guardou um passeio a Montemor-o-Novo.