26.4.09

IMAGENS DO MEU OLHAR...

Litoral do concelho de Torres Vedras

Da Maceira para Porto Novo... as rochas, o rio Alcabrichel, os prados verdes...

Estava assim o mar em Santa Rita. E o céu...
De mãos dadas, por aqui e por ali, ao sabor das horas...

25.4.09

MAIS DO QUE COMEMORAR: VIVER !


Comovidamente: OBRIGADO aos queridos amigos que vieram aqui deixar o abraço franterno de quem partilha o sonho!

Todas as palavras me tocaram mas realço as do Luís e do Francisco.
Esperança!

Luís Filipe Cristóvão disse...
não me caberá a mim justificar o meu próprio texto, bem o sei. mas julgo que haverá algo a acrescentar. como bem perceberá, estou longe de considerar que o 25 de abril não valeu a pena. muito menos que a minha geração seja a única geração que se possa sentir traída. nada disso. acho até que o texto, apesar de algumas referências temporais (quase todas aos anos 80), tem dados com que muita gente se identificará. a traição sentida não é pela promessa da liberdade, não pode ser. a traição é pela promessa de conhecimento, de evolução, de camaradagem, tudo coisas que nunca foram cumpridas. talvez, mais do que colar este texto ao 25 de abril, me pareça que faz sentido colá-lo à nossa entrada para a união europeia (coisa que também vejo, historicamente, como inevitável). no entanto não posso calar que aquilo que nos foi prometido sucessivamente, e principalmente pelos senhores Cavaco Silva e Mário Soares (e por todos aqueles que com eles estiveram nos diferentes momentos da história), não se cumpriu. não se cumpriu mesmo! e tanto mais doloroso isto pode ser, que Cavaco Silva beneficiou de maiorias e votações de toda a direita, tal como Mário Soares chegou a ter largas votações e apoios em todos os partidos da esquerda. agora, vitimização, não. uma geração, mesmo que traída, nunca é vítima. as vítimas são aqueles que acreditaram e deixaram de acreditar. a nós, deram-nos a possibilidade de sermos, talvez, a geração mais cínica da história de portugal. e talvez, por isso mesmo, continuemos a lutar. um texto como este (até pela repercussão que tem aqui) é uma boa forma de não baixar a guarda.

Francisco Rodrigues disse...
Percebendo o desencanto do Luís não acho que seja desalento. Ele existe embora não me pareça que no Luís mas sim no povo em geral. Não sou saudosista embora goste de recordar com saudade, pontualmente, os bons momento que vivi ou que gostaria de ter vivido e sinto através as memórias dos mais velhos. Com os meus pais aprendi os ideias de Abril de 74. Não sei se terão sido bem aqueles que realmente despoletaram a na rua a revolução (a guerra e o seu fim isso sim, claro!). Parece-me que à sua medida nos esquecemos (portugueses) que esses ideais não são um posto e conquistam-se todos os dias em todos os papéis que desempenhamos. É na micro luta do dia-a-dia que podemos fazer um mundo melhor e dar significado e sentido à vida e à história. Fazer isso é um compromisso com a vida de forma activa na defesa de valores e princípios, participando sempre na vida pública, lutando contra invejas e compadrios e defendo o mérito, a solidariedade e o próximo, pois essa é a melhor forma de defender o interesse individual. Mas não é fácil. E talvez se tenha falhado no mais essencial das bases do desenvolvimento e da democratização, a educação. Sem uma boa educação não temos desenvolvimento e pomos em causa a democracia. Esse erro tem mais de 20 anos e continua a ser perpetuado. Haja corajem para o corrigir para que daqui a 20 anos não se possa dizer o mesmo. Temos é que fazer por isso...




21.4.09

VALEU A PENA ?


Carta a um jovem da geração traída*

Pego no teu livro, meu caro Luís, e sinto a boca seca apesar da leitura silenciosa que faço dos teus versos: “Sou apenas mais um daqueles / de quem se poderá dizer /que pertencem / a uma geração traída.”
Vi-te crescer por entre os nossos comícios e sessões de esclarecimento, as eleições primeiras para essa novidade absoluta que eram as autarquias nas mãos do povo ou as intermináveis reuniões das comissões de moradores. Tínhamos a ilusão de construir um mundo novo sobre as ruínas de um Estado Velho que nos empurrara para o beco do «orgulhosamente sós» da guerra colonial, esse absurdo histórico. Provavelmente não nos preocupámos muito contigo, ocupados que estávamos em te garantir a herança de um país bem diferente, radicalmente melhor, onde tu fosses, finalmente, feliz!
Mas, trinta e cinco anos depois, leio o teu profundo desencanto:
«E aqui onde me encontro, / onde nos encontramos, / eu e a minha geração, / sabemos agora que tudo isso valeu nada / porque sentimos / exactamente / as mesmas dores / as mesmas balas / mas em forma de / desemprego / salário mínimo nacional / emprego desqualificado / & etc e tal.»
Procuro consolar-te com a LIBERDADE em que vives, que nós não tínhamos antes daquele ano de 1974. E recebo em pleno rosto o teu desabafo, irónico e tão doloroso:
«Fizeram-nos infelizes / ou felizes sem razão / fizeram-nos fanáticos da bola / ignorantes da filosofia / sem partido / sem religião / sem entrada / e / sem saída profissional. / Agora casamo-nos / e divorciamo-nos/ rapidamente. // Tudo é uma questão / de margem de lucro.»

Deixa-me que te diga, meu jovem Luís: nós não traímos a tua geração! Naqueles anos 74/75, acreditámos ingenuamente num futuro melhor para nós e para ti. Não sabíamos ainda que os exércitos marcham à velocidade dos mais lentos ou dos mais manhosos e calculistas. Os capitães que partiram as grades não quiseram parecer interesseiros e entregaram as chaves aos velhos carcereiros. E agora, que é de novo madrugada e o calendário diz que passam 35 anos depois daquele memorável 25, vemos passar na rua um jaime general enquanto todos os salgueiros maias vivem em presídios bolorentos. Os chefes desta república bebem, outra vez, o sangue fresco da manada e o povo, desiludido, deixou de gritar que “jamais será vencido”.
Sim, Luís, ainda há quem acredite que o 25 de Abril valeu a pena. Mas muitos limitam-se a verificar que ganharam a liberdade mas perderam a segurança – trucidados pela eterna oposição entre esses dois pólos da vida humana!
Agora, que se faz tarde para mim, quero acreditar em ti e na tua geração. Que vocês não vão ficar aí parados a gemer queixumes. Que têm uma palavra a dizer, uma carta a jogar, um país a refazer. Eu sei que não são fáceis as madrugadas redentoras. Mas ainda acredito, ainda acredito. Porque sem esperança a História é uma engrenagem sem sentido.

* A partir do livro A Cabeça de Fernando Pessoa, de Luís Filipe Cristóvão. O autor nasceu em 1979. Edição Ardósia, S/L, 2009.
Cartaz de Sebastião Rodrigues, 1977

19.4.09

É LARGA ESSA EXTENSÃO



É grande o mar. É grande
a foz central da nossa vida
quando amados somos
e em rumor de afecto flutuamos;
ou quando, poderosa e nítida,
é vasta a labareda percutida
em nosso corpo, ó campo
de cíclames!

É larga essa extensão
que vai das mãos às mãos,
do vulto das boninas
ao suave grude da memória:
a que guarda, em frágeis
desenhadas ânforas,
o sumo de altos cerros
ou o sossego cálido de planícies
com um bafo para sempre perdurável!


João Rui de Sousa, in QUARTETO PARA AS PRÓXIMAS CHUVAS,
ed. Dom Quixote, Lisboa, 2008


Fotos (C) Méon

17.4.09

FUTEBOLANDO...







- Explica-me lá: porque é que gostávamos tanto do Benfica na década de 60? E como se explica que os não-adeptos do Porto fiquem, agora, tão contentes quando este perde?
- Vejo duas ou três razões. Primeiro: o Benfica era uma equipa totalmente formada por jogadores portugueses. Segundo: estávamos fartos de ver as equipas portuguesas a ganharem apenas “moralmente”, como se dizia. Por último, Portugal era muito mal visto lá fora por causa da guerra colonial e o Benfica fazia bem à nossa auto-estima…
- Tá bem! E o Porto?
- O Porto é uma equipa que muita gente associa a uma realidade social detestável: um certo espírito provinciano e tacanho do Norte; os empresários que ganharam lucros fabulosos no bom tempo, à custa de salários de miséria, e que preferiram investir em Ferraris em vez de modernizarem as fábricas; a manhosisse do chefe N P da Costa, visto como o mafioso-mór do espectáculo desportivo. Por isso se aplaudiu tanto o golo do rapaz da Madeira: por ser um bom golo e por ter entrado na baliza certa…









PÁGINAS INESQUECÍVEIS


« À volta de uma mesa do café Martinho, em Lisboa, estavam, por 1857, seis ou sete sujeitos saturados de política. Estava eu também em princípio de "saturação", palavra pedida de empréstimo à química para bem materializar a ideia de um corpo embebido daquele cívico entusiasmo que salva as nações... nos botequins.
Eram todos os meus interlocutores naquela noite mais ou menos republicanos. Havia tal que dizia acreditar na metempsicose, porque sentia dentro do seu ventre os fígados de Robespierre; e outro, que arredondava musicamente os períodos demagogos, revelava-nos, com modéstia parelha de talento, que sentia coriscar-lhe no crânio o cérebro de Mirabeau; coriscos, se o eram, todos para dentro; que do fogo que lhe faiscava da fronte não havia que recear combustão em armazém de sulfureto de carbono.
Os outros não me lembra quem tinham dentro de si.
Pelo que me diz respeito, recenseando longa fileira dos defuntos históricos, suspeitei que era eu a paragem actual do transmigrado Sancho Pança, por me sentir rasamente lerdo à beira daquelas pessoas trabalhadas por crudelíssimas almas de torna-viagem.»
[ Início do romance " A INFANTA CAPELISTA ", de Camilo Castelo Branco, primeira edição em 1872]

15.4.09

ADEUS, JOSÉ FRANCO


Morreu ontem, 14 de Abril, com 89 anos.
Durante muitos anos dedicou-se à criação de imagens de barro, criando um estilo único: Bacos, presépios, santos, figuras populares: um mundo de imaginação saído da pequena oficina onde nos habituámos a vê-lo, na sua casa/aldeia miniatura do Sobreiro, entre Mafra e Ericeira.
Hoje, 15 de Abril, faz precisamente 13 anos que morreu outra grande figura da "cultura saloia", Beatriz Costa

14.4.09

REGRESSO







Para quem regressa à escola: toda a minha solidariedade!

Os jovens são a única razão de ser. Quanto à senhora que continua a assombrar o ministério da educação... melhores dias virão! Há que fazer por isso!
Como incitava o poeta: "Levanta-te meu povo! Liberta-te ou..."

13.4.09

IMAGENS DO MEU OLHAR









O Castro do Zambujal

Os dias instáveis não permitiram passeios para longe. Mas há tanto para (re)ver aqui perto!

O Castro do Zambujal, por exemplo. Na estrada de Torres Vedras - Ericeira, a cerca de três quilómetros da cidade, há uma saída para a esquerda, direcção de Ribeira de Pedrulhos. Depois é só seguir as tabuletas. Cerca de dois quilómetros mais adiante, numa colina à esquerda, encontra-se esta impressionante construção com cerca de 4 500 anos, da época calcolítica ( idade em que se usa, ainda, a pedra e começam a predominar os metais).


Diz Carlos Guardado ( TORRES VEDRAS ANTIGA E MEDIEVAL, , ed. Colobri e C. Municipal de Torres Vedras, Lisboa, 2008):

«A construção de povoados fortificados faz parte duma estratégia de reforço do poder "físico" ( e simbólico) por parte das linhagens, veiculando a sua ideia de protecção das populações locais contra os inimigos, assim como a ideia de reserva dos excedentes que permitiriam a sobrevivência de todos, em caso de catástrofe. Deste modo, o povoado fortificado centraliza os meios de produção, armazena os excedentes e serve de habitação de prestígio às linhagens que controlam a terra e os que a trabalham.(...)
É esta a grande mudança na paisagem calcolítica e que faz do castro do Zambujal um "lugar central" do povoamento da região.»

Fotos (C) Méon, Castro do Zambujal, Abril 2009

12.4.09

DESEJO





Que o caminho nos leve aos lugares onde o sol brilha mais!


Fotos (C) Méon, Ilha do Castelo de Almourol, no Tejo.



10.4.09

DO INESGOTÁVEL


1.

Amo-te no intenso tráfego
Com toda a poluição no sangue.
Exponho-te a vontade
O lugar que só respira na tua boca
Ó verbo que amo como a pronúncia
Da mãe, do amigo, do poema
Em pensamento.
Com todas as ideias da minha cabeça ponho-me no silêncio
Dos teus lábios.
Molda-me a partir do céu da tua boca
Porque pressinto que posso ouvir-te
No firmamento.
Poema: Daniel Faria
Imagem:Kathy's Art

6.4.09

IMAGENS DO MEU OLHAR










Ontem: Convento do Varatojo, nos arredores de Torres Vedras.
Fundado por D. Afonso V no século XV, mantém-se como residência de Franciscanos.
Eu ia com a curiosidade de ver como estava a velha glicínia do claustro. As fotos dizem bem: o seu enorme tronco rodeia uma coluna e estende-se pelas arcadas, mas parece que o estado geral desta belíssima trepadeira não é o melhor. Idade... falta de alguns cuidados especializados...uma poda excessiva...
Mas vale a pena a visita: o silêncio e a paz que ali se respiram...
Fotos (C) Méon