28.3.08

Um pouco mais...


Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
- Mário de Sá-Carneiro -

26.3.08

Vale a pena ler...

Não resisto a transcrever estes textos do blogue do Paulo Guinote. Dizem tudo o que há para dizer sobre a luta dos professores, ainda muito mal entendida por certa gente...

A um editorial do Diário Económico, um colega nosso decidiu responder da seguinte forma, duvidando eu que lhe seja dado o espaço devido aos tradicionais «direitos de resposta». Por isso fica aqui, porque passou o tempo de levar na cabeça e calar…

Direito de Resposta
Exmo. Senhor Director do jornal Diário Económico:
Vem esta resposta a propósito do editorial do jornal Diário Económico do dia 11 de Março, redigido pelo Senhor Director desse jornal, André Macedo.
Nas últimas semanas têm sido frequentes as palavras ressabiadas escritas por um sem número de escribas que pululam na nossa comunicação social. Que muitos deles fazem o jogo do poder político já todos nós sabemos; se essas opiniões são genuínas, então há muita coisa a dizer sobre o seu carácter moral e sobre o modo como se faz jornalismo em Portugal. Diz o nosso visado editorialista que Ouvidas as declarações que os professores fizeram ao longo do dia não podia senão chegar-se a uma triste conclusão: a pobreza dos argumentos da esmagadora maioria, a incapacidade para apontarem com objectividade e clareza o motivo que os leva a rejeitar o sistema de avaliação (…) E continua mais à frente, pareciam excursões de alunos em plena galhofa inconsequente e pré-escolar. Antes de mais, como jornalista que é, sabe que quem decide o que aparece nas televisões é a realização do canal televisivo, não é o entrevistado. Posso dar-lhe como exemplo, uma entrevista alongada de um professor, responsável por um dos movimentos, na qual apenas uma frase dita por ele passou no canal de televisão que o entrevistou. Infelizmente, o que interessa à comunicação social não são os argumentos. Mas já que falou de argumentos, aqui vai a lição que, pelos vistos, não aprendeu na escola (talvez daí o ressentimento). Primeira lição, tome nota: concluir que o sistema de ensino falhou porque os professores são desqualificados e que são desqualificados porque o sistema de ensino fracassou é a chamada falácia da circularidade, tomar por premissa o que quer demonstrar, é um argumento inválido; segunda lição, é a prova por contradição ou redução ao absurdo, concluir que o sistema de ensino não qualifica os seus profissionais qualificados é uma contradição nos termos; além do mais, alguém, supostamente qualificado pelo sistema de ensino desqualificado que o qualificou, transforma a sua qualificada opinião num absurdo; terceira lição, o seu argumentário limita-se a fazer generalizações precipitadas. Se quer fazer generalizações, tenha o devido cuidado de ter em conta a lição magistral de Karl Popper, que nos ensinou há já bastante tempo que devemos procurar sempre o contra-exemplo. Se não teve o cuidado de o procurar eu faço questão de lho fornecer. Se é razões que pretende? Muito bem, dou-lhe já de enxurrada quatro razões: uma de ordem profissional; uma de ordem deontológica, uma de ordem moral e outra de ordem legal:
Primeira razão, como qualquer gestor ou economista sabe, não se pode pedir a nenhum profissional que trabalhe e que produza mais dizendo-lhe que vai ganhar menos. O que o ministério pretende, com a publicação do novo estatuto da Carreira Docente, é exactamente isso, exigir aos professores que dêem mais às escolas (muito bem!) dizendo-lhes simultaneamente que irão ganhar menos, muito menos, já que a fractura profissional em duas carreiras, para fazer exactamente a mesma coisa – dar aulas, implica que dois terços dos professores, digo dos professores, a despeito do discurso do mérito e da excelência, não terão oportunidade de verem recompensado esse mérito porque, atente bem, terão o acesso bloqueado ao topo da carreira. E não me venham outra vez com esse argumento empoeirado dos militares que não chegam todos a generais. Qualquer semelhança entre a carreira militar e a docente é pura coincidência. Toda a gente percebe que a carreira militar é altamente hierarquizada e por inerência exige responsabilidades e competências díspares. Ora, os professores dão aulas. Todos! Dizer que em outras profissões acontece o mesmo significa, voltando à teoria da argumentação, cometer a falácia naturalista. Do ser não se deduz nunca o dever ser.
Segunda razão, este modelo de avaliação fere profundamente a deontologia profissional. Exigir aos professores que se responsabilizem pelo abandono escolar e pelos resultados dos alunos é inverter a lógica do ensino e aprendizagem. O abandono escolar não depende obviamente da vontade do professor; os resultados dos alunos avaliam os alunos, não o professor. A agravante destes elementos de avaliação é a perversão a que, fatalmente se adivinha, irá conduzir. Pior, é a jogada politicamente indecente de quererem melhorar estatísticas na educação à custa da consciência profissional dos docentes e, mais grave ainda, induzir um falso sucesso educativo quando o fundamental está por fazer.
Terceira razão, se tivesse ouvido as palavras sábias de João Lobo Antunes ou do Cardeal Patriarca de Lisboa – D. José Policarpo, teria entendido aquilo que os governantes actuais nunca foram capazes de entender. O profissional que trabalha, e que trabalha seriamente, que sacrifica muitas vezes a família para garantir um futuro profissional, o mínimo que lhe é devido é respeito. Esta é uma razão ética elementar. Por este motivo, nem vale a pena perguntarem se os professores têm razão? Têm, pelo menos, cem mil razões!
Quarta razão, para além das providências cautelares que estão a ser apreciadas pelos tribunais, há uma questão legal que suscita, no mínimo, perplexidade. Sabendo que os professores vão ser avaliados pelos pares, sabendo que as ditas quotas para “excelente” e “muito bom” são as mesmas para avaliador e avaliado, quem garante a imparcialidade do avaliador? Leia o que diz o Artigo 44º do Código de Procedimento Administrativo.
Uma última lição que lhe quero deixar, já não é de natureza argumentativa mas ética, ou mais prosaicamente, de honestidade intelectual. Quando o senhor diz que apenas ouviu “vacuidades desconexas”, “banalidades e frases ocas”, “galhofa inconsequente”, “falta de substância de tudo o que disseram”, lendo o seu artigo, fico com a nítida impressão de estar perante um fenómeno nítido de projecção. Os seus argumentos são falazes, as afirmações são grosseiras, gratuitas e insultuosas, e a fortiori esbarram na evidência, também dos números, que qualquer pessoa inteligente, tenha ficado em casa ou não, qualificada ou não qualificada, reconhecerá. Além do mais, devo-lhe dizer que os professores estão fartos dessas opiniões desinformadas, de julgamentos nada edificantes, de proclamados jornalistas incapazes de fazer o trabalho de casa. E tem o senhor a pouca vergonha de falar em inteligência e qualificação?
Em jeito de conclusão digo-lhe aquilo que tinha a obrigação de ter, certamente, já compreendido: o que os professores fizeram não foi uma excursão, foi uma aula prática de democracia. E essa é uma lição para pessoas atentas e inteligentes. A lição, neste caso, é muito simples: há maneiras adequadas e inadequadas de se governar, como há maneiras adequadas e inadequadas de se julgar. E não se governa contra as pessoas, como não se julga sem informação. E caso não tenha gostado da lição ou tenha achado os argumentos insuficientes, faça aquilo que já deveria ter feito e dirija-se à Escola Secundária de Barcelos que terei todo o gosto de lhe providenciar a informação e os argumentos que reclama e não procurou.
José Rui M. F. Rebelo, professor da Escola Secundária de Barcelos

SOS PELA PRAIA AZUL ! !

Praia Azul, a sul da Praia de Santa Cruz, concelho de Torres Vedras. Um pedaço de costa ainda preservado e que os tubarões do turismo pretendem destruir, com a cumplicidade da maioria dos nossos esclarecidos autarcas. Em nome do desenvolvimento ...

Tenho andado distraído!
Há já algum tempo corre na net uma petição pela Praia Azul.E eu só agora a vi...
O assunto é importante !
É pertinente !
É urgente !
Apressei-me a assinar e deixo aqui o caminho para quem entender fazer o mesmo.

http://www.petitiononline.com/praiazul/petition.html

25.3.08

CONVITE

Já podem ser vistas as actualizações do
e
Basta clicar!

ÇA IRA !


ÇA IRA

Isto vai, caro amigo.
Não como nós queremos, é certo,
mas isto vai.

Por noites de insónia e alcatrão
por laranjas e lábios ressequidos
por desespero na voz e escuridão
isto vai, caro amigo.

Por mágoas acesas e relógios
pelo sabor dos braços na alegria
pelo odor das plantas venenosas
isto vai, caro amigo.

Pelo cabo axial que liga a nossa esperança
pela luz dos cabelos, pelo sal
pela palavra remo, pela palavra ódio
isto vai, caro amigo.

Pela ternura e pela confiança
pela vontade e força, as nossas casas
pelo fervor com que inventamos (e depois calamos)
isto vai, caro amigo.

João Rui de Sousa

24.3.08

O que é a ARTE?


Procuro entender. Leio, pesquiso, envolvo-me num universo fascinante: esta arte que temos dificuldade em entender e que nos interroga incessantemente.

« Enquanto a arte moderna havia provocado rupturas, a arte contemporânea empenha-se, pelo contrário, em reatar a ligação entre a arte e o público.
A corrida pelo progresso das vanguardas terminou e, num tempo suspenso, cada obra aplica a sua própria perspectiva e cada espectador torna-se num ponto de referência. De onde um campo artístico que se alarga cada vez mais, mas que se vê, também, cada vez mais atomizado.»
(A Arte Contemporânea, Catherine Millet, Ed. Inst. Piaget, Lx. s/d)





23.3.08

SOL


E então o anjo disse:.
«Com o sol acendeste o meu dia. Com o sol trazes-me a noite. Guardarei para ti os meus sonhos
no intervalo do silêncio»

19.3.08


La nuit n'ést jamais complète
Il y a toujours puisque je le dis
Puisque je l'affirme
Au bout du chagrin une fenêtre ouverte
Une fenêtre éclairée
Paul Éluard
(Poema em epígrafe no livro
de Daniel Filipe
A INVENÇÃO DO AMOR)

15.3.08

Mar português...

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa, Mensagem, poema "Prece"

Esta palavra "CORAGEM"


Às vezes,
parece que a vida
não é mais do que um teste
para nossa paciência e resistência.

Há dias
em que a alegria já acorda em nossa companhia;
e há dias em que nos levantamos
sem ânimo, sem mesmo saber para quê,
pois até a esperança de felicidade
parece extinguir-se.


O cansaço e a desesperança
atacam a todos, sem excepção;
e há os que sucumbem e se rendem,
abandonando a luta e aceitando a derrota.


Que tu não sejas um destes
e acordes, hoje,
como um bravo;
alguém a quem a vida, muitas vezes,
não oferece nada,
nem mesmo a esperança
- mas que, mesmo assim,
cerra os dentes,
levanta, reage e luta!


Que acordes como um valente,
de quem o destino pode tirar os sentidos e a respiração,
mas não pode tirar a coragem.


Pois, se a vida nos testa,
mostremos que nosso corpo pode ser frágil,
mas que nossa alma é de aço.


A espinha de um bravo verga,
mas não quebra!


(Desconhecido )

14.3.08

VERDE !


Vilancete Castelhano de Gil Vicente

Por mais que nos doa a vida
nunca se perca a esperança;
a falta de confiança
só da morte é conhecida.
Se a lágrima for cumprida
a sorte, sentindo-a bem,
vereis que todo o mal vem
achar remédio na vida.
E pois que outro preço tem
depois do mal a bonança,
nunca se perca a esperança
enquanto a morte não vem.

Carlos de Oliveira

Obrigado ao meu amigo Cid Simões, sempre atento, com o seu "serviço de abastecimento de poesia"...

13.3.08


(...)

E o teu olhar está tanto nos teus olhos

profundamente abertos neste vale de lágrimas

que em duas gotas negras ele cai

nas minhas faces mortais

Num sobressalto de pálpebras

abriu-se o céu de um poema


Dia a dia mal o sol subir pela manhã acima

e alcançar conveniente altura

escreverei em tua honra esse poema a que a tarde virá pôr

um ponto final tão rubro como um poente

e chamar-lhe-ei o poema de um dia

(...)

Ruy Belo

11.3.08

LAVOISIER



Na poesia,
natureza variável
das palavras
nada se perde
ou cria,
tudo se transforma:
cada poema,
no seu perfil
incerto
e caligráfico,
já sonha
outra forma.

(Carlos de Oliveira)

9.3.08

DAR A CARA

É isso: dar a ver quem teclou o texto...quem fotografou...quem trancreveu... quem deu a opinião...
Será uma forma de agradecer tantas dádivas.
Obrigado, Vida!
Obrigado, queridos amigos, conterrâneos, companheiros do mundo!

8.3.08

CELEBRAÇÃO


Celebração da amizade
Nem despedida
Nem homenagem
A viagem continua
Eu apenas mudei de carruagem

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

(Clicar para aumentar)

Escolhi um texto/imagem institucional porque acredito que é na organização político/institucional que a questão dos direitos se resolve. Ao longo da História as mulheres foram sempre espoliadas, preteridas, espezinhadas. Só quando se organizaram elas conseguiram impor-se a um mundo feito de homens para os homens.
Hoje ocupam o lugar que lhes pertence.
Sim, ainda há muitas zonas de sombra que é necessário iluminar. Por isso continua a ser importante este
DIA INTERNACIONAL DA MULHER !

Eu te saúdo, MULHER!
Minha companheira!
Minha amiga!


Minha mãe!

7.3.08

A NOSSA RAZÃO

(Clicar para aumentar)

A comunicação social vai percebendo melhor o que se passa com os professores.
É elucidativo este editorial, publicado hoje por José Manuel Fernandes, Director do Público. Inicialmente era muito crítico e apoiava abertamente a Ministra da Educação. Agora, finalmente, viu!
Viva a inteligência! Confirma-se que "não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo"!

O PIOR SURDO É O QUE NÃO QUER OUVIR


A Ministra da Educação lá esteve ontem na RTP, entrevistada pela Judite de Sousa. E mais uma vez com uma prestação lamentável. Não quer ver, não quer ouvir. Tem os tiques do Sr. Sócrates. Ele e ela vivem num mundo virtual e maravilhoso que só para eles existe.
O que retive das palavras da ministra - em pose angelical, fazendo sorrisos doces... - foi isto:
»» As escolas estão a trabalhar tranquilamente na avaliação do desempenho...
»» O processo de legislar e informar as escolas tem sido perfeito, toda a gente sabe o que fazer...
»» Não há problemas de prazos. As escolas que sentirem dificuldades só têm de pedir ajuda para uma solução técnica que o ME tem à disposição...
»» Os professores são uns sortudos, privilegiados em relação aos outros funcionários públicos...
»» As manifestações de norte a sul do país devem-se ao stress... ela até compreende... enfim, estão cansados de muito trabalho... precisam de desopilar, vir gritar um bocadinho para a rua... eles até são boas pessoas... andam cansaditos, não é?...
»» Mas logo a seguir fala em aproveitamento político pelos partidos da oposição! (Lamentável! Esta senhora tem da política a concepção salazarista de que "Nós, os bons, não fazemos política; a política é uma actividade reprovável dos inimigos do bem!" Em que mundo vive esta senhora?)
»» Daqui se infere que os milhares de professores que vêm para a rua - e que virão amanhã à Marcha da Indignação - são uns pobres tolos manipulados pelos miseráveis e oportunistas políticos. Ela não é política! Ela é uma técnica que trabalha para o bem comum!!
Nem por um momento lhe ocorreu que os professores têm tido uma paciência quase escandalosa ao longo destes anos para com o seu ME que anda há anos a impor, a humilhar, a ignorar, a decretar, a desdizer, a complicar...
Nem por sombras pensou em fazer um pequeno exercício de humildade, reconhecendo erros, aceitando perspectivas diferentes.
Definitivamente esta senhora não merece qualquer indulgência.
Rua! RUA!

6.3.08

O ENCANTO DOS CLÁSSICOS...



Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco

5.3.08

EI-LOS !

O tal Conselho Científico para a Avaliação dos professores, em Despacho :


GABINETE DA MINISTRA
DESPACHO

Considerando a composição e o modo de funcionamento do conselho científico para a avaliação de professores estabelecidos pelo Decreto Regulamentar n.º 4/2008, de 5 de Fevereiro;
Tendo presente a necessidade de designação dos professores e individualidades que o compõem;
Ao abrigo e nos termos dos números 4 e 5 do artigo 5.º do Decreto Regulamentar n.º 4/2008, de 5 de Fevereiro;
Sob proposta do presidente do conselho científico para a avaliação de professores;
Designo, para integrarem o referido conselho, por um período de três anos, renováveis por iguais períodos, os seguintes professores e individualidades:


EM EXERCÍCIO EFECTIVO DE FUNÇÕES NA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR OU NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO
- Arsélio de Almeida Martins, professor titular de Matemática da Escola Secundária com 3.º Ciclo de José Estêvão, em Aveiro;
- Jorge Manuel Horta Trigo Mira, professor titular de Educação Física, da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa;
- José Joaquim Ferreira Matias Alves, Professor titular de Português e Francês, da Escola Secundária de Gondomar; em Gondomar;
- Maria João Alves Ferreira Guerra Mexia Leitão, Professora titular de Física, da Escola Secundária de Pedro Nunes, em Lisboa;
-Mário José de Jesus Duarte Silva, Professor titular do 1.º ciclo do quadro da Escola EB1 Várzea de Sintra, do Agrupamento de Escolas D. Carlos I, em Sintra.


EM REPRESENTAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES PEDAGÓGICAS E CIENTÍFICAS DE PROFESSORES
-Ludgero Paula Nobre Leote, Professor titular de Electrotecnia, da Escola Secundária Emídio Navarro, em Almada, em representação da Associação Nacional de Professores de Electrotecnia e Electrónica (ANPEE);
-Matilde Lopes Oliveira Azenha, Professora titular de Biologia e Geologia, do Agrupamento de Escolas de Soure, em representação da Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia (APPBG);
- Maria Cristina Valente Bastos Dias, Professora de Inglês, do quadro de nomeação definitiva da Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, em representação da Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI);
- Maria Helena Oliveira Ângelo Veríssimo, Professora titular de História, da Escola Secundária José Afonso, em Loures, em representação da Associação de Professores de História (APH);
- Alexandra Castanheira Rufino Marques, Educadora de Infância do Agrupamento de Escolas da Apelação, em representação da Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI).


DE RECONHECIDO MÉRITO NO DOMÍNIO DA EDUCAÇÃO
- Ana Paula dos Reis Curado, Assessora Principal na Reitoria da Universidade de Lisboa;
- António Caetano, Professor Associado com Agregação, do Departamento de Psicologia Social e das Organizações do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa;
- José Manuel Borges Romeiras Palma, Inspector Superior Principal do Ministério da Educação.
- Maria do Céu Neves Roldão, Professora Coordenadora com Agregação, na Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Santarém
- Maria Eugénia Neto Ferrão da Silva Barbosa, Professora Auxiliar com Agregação no grupo disciplinar de Métodos Quantitativos, da Universidade da Beira Interior;
- Maria Helena Mendes Carneiro Peralta, Professora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa;
- Natércio Augusto Garção Afonso, Professor Auxiliar convidado da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa.


EM REPRESENTAÇÃO E INDICADOS PELO CONSELHO DAS ESCOLAS
-Fernando Paulo Mateus Elias, Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Colmeias – Leiria;
-José Alberto de Queirós Ramos, Presidente dos Conselhos Executivo, Pedagógico e Administrativo da Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos;
-Rogério Conceição Bacalhau Coelho, Presidente dos Conselhos Executivo, Pedagógico e Administrativo da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, em Faro.


Lisboa, 29 de Fevereiro de 2008
A MINISTRA DA EDUCAÇÃO
(Maria de Lurdes Rodrigues)

4.3.08

A QUESTÃO DOS PROFESSORES


Do blogue do Paulo Guinote permito-me transcrever este curto texto de um jornal de hoje e que diz o essencial para quem ainda tenha dúvidas...

A Questão dos Professores

A contestação dos professores ao Ministério da Educação e à Ministra da Educação está ao rubro.Esta não despontou de súbito, nem o mal estar da classe docente deriva exclusivamente das políticas deste Ministério da Educação.Sucede apenas que Maria de Lurdes Rodrigues e sua equipa exacerbaram exponencialmente o mal difuso e a hostilidade larvar que sempre opôs os docentes ao Ministério da Educação. Quem semeia ventos, colhe tempestades, diz o provérbio, e Maria de Lurdes Rodrigues teve o condão de agitar por demais os já procelosos mares da educação.Desde há décadas que um mal estar larvar afecta a relação que a classe docente tem com o Ministério da Educação. Não se trata só, como tantos afirmam, de uma questão corporativa.Este mal estar deriva de, desde há décadas, o Ministério da Educação usar os professores como bode expiatório para os problemas complexos que afectam as políticas de ensino em Portugal. A situação era e é tanto mais paradoxal quando, ao excesso de zelo do Ministério da Educação face a avaliação dos professores, correspondia e corresponde uma total falta de seriedade no tocante à apreciação das “notas” dos alunos.Não deixa de ser sintomático que no debate “Prós e Contras”, de 2ª Feira passada, o “especialista” tenha trazido ao debate a questão da progressão automática dos discentes. Claro que a progressão automática dos alunos, para quem percebe de educação, não significa que estes não sejam avaliados, mas não deixa de espelhar as contradições de sucessivas políticas educativas que, desesperadas por resultados céleres em termos de sucesso escolar, multiplicam medidas que na prática visam facilitar a progressão automática dos alunos.A condensação, em breve espaço de tempo, de três leis, a Avaliação do Desempenho Docente, o Estatuto do Aluno e a Gestão Escolar, todas a exigir a meio do ano lectivo, profundas modificações no trabalho dos professores, para mais ligadas a uma exagerada nova carga burocrática, com prazos de aplicação escassíssimos, tiveram o condão de exacerbar o já acrescido mal estar docente, e estimular a sua salutar reacção de contestação a tais medidas.A conjuntura foi ainda mais agudizada pelo facto de as exigências do Ministério de Educação para com os professores não serem aplicadas de forma igual a si mesmo. Uma série de medidas, de que dependida a Avaliação do Desempenho Docente, e que eram da responsabilidade do Ministério da Educação, simplesmente não tinham sido implementadas, ao mesmo tempo que se exigia a cumprimento dos prazos estabelecidos para os docentes.Foi o gota de água. O Estado e as entidades estatais não podem exigir que os cidadãos cumpram as leis, se ele mesmo as não cumpre. A contestação larvar dos docentes ao ministério extravasou das salas de professores e tornou-se publicamente ampla.
António Paulo Duarte(publicado no Noticias da Manhã, nº 813, 4 de Março de 2008

3.3.08

OS OLHOS RASOS DE ÁGUA


Cansado de ser homem durante o dia inteiro
chego à noite com os olhos rasos de água.
Posso então deitar-me ao pé do teu retrato,
entrar dentro de ti como num bosque.

(...)

Eugénio de Andrade

1.3.08

DUPLA HOMENAGEM


A Ruy Belo, nos trinta anos da sua morte.
E ao amigo C.S. que me enviou este poema com o desejo de bom fim-de-semana

O PORTUGAL FUTURO

O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro

Ruy Belo