26.2.10

SÓ OU...ACOMPANHADO?



A propósito de um simples post que aqui fiz, gerou-se alguma discussão sobre República/Monarquia.
Não me apetece nada entrar neste jogo. Sou republicano e - confesso! - neste momento tenho pouca ou nenhuma paciência para debater as virtudes da monarquia, para mais quando ela se faz sob a imagem tutelar de S A R o Sr. D. Duarte de Bragança.

Quanto à candidatura de que me tenho ocupado: o Dr. Fernando Nobre disse ontem à revista VISÃO:

«Já tive ligações à causa monárquica, mas já não tenho. Simpatizo com a monarquia. Digamos que aprecio os nossos nove séculos de história e oito deles foram em monarquia.»

A verdade é que a página do Instituto Democracia Portuguesa ainda ontem lá continuava com a foto de Fernando Nobre, logo a seguir à de D. Duarte, como se pode ver:



E um blogue monárquico (ver AQUI) também ontem, 25 de Fevereiro, citando-me, publicava a foto que copiei mais acima.

Reafirmo: Fernando Nobre tem todo o direito de se candidatar. Mas ponho muitas reservas ao seu discurso de moralização política. Esta ambiguidade, que já vem de trás - pode o mesmo homem apoiar em poucos anos projectos politicos tão diferentes como o PSD, Mário Soares, F. Louçã? - obriga-me a olhar com enorme desconfiança a sua candidatura.
Por isso repito, usando o meu direito de cidadania e respondendo à interpelação pública que esta candidatura suscitou: Fernando Nobre não diz claramente ao que vem...

6 comentários:

Vieira Calado disse...

Eu espero... para ver...

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Muito gradeço a sua postagem
sobre o meu Objecto Experimental,
conforme escrevi nos comentários do respectivo post.

Um forte abraço

Bravura Lusitana disse...

"... neste momento tenho pouca ou nenhuma paciência para debater..."

Meu caro Méon!

Ao tomar a decisão de criar um blog está a tornar pública a sua visão dos temas abordados. Logo, é natural que receba nos comentários opiniões favoráveis e opiniões contrárias. É assim em Democracia, sabia?

Portanto, a Democracia não é uma questão de paciência e para aquilo que nos apetece. É uma causa a ser trabalhada por todos para que se garantam liberdades.

Se entende que não tem paciência para o debate dos temas, simplesmente não os publique.

Não sei se sabe, mas o IDP debate a Democracia e esta é transversal a ideologias. Não vejo qual é o problema de Fernando Nobre pertencer a este orgão.

Méon, disse...

Vieira Calado:

Fará bem. Esperar calmamente é uma virtude que, a mim, por vezes me vai faltando...

Bravura Lusitana:

"Touché"!. De facto...
E diga-se: tenho gostado do tom geral do que por aqui se tem escrito.
Sim, sou republicano e estou interessado em que este 1º centenário contribua para uma visão mais desapaixonada da História.
Sem as cargas emotivas de outrora. A História deve ser servida a frio, o que talvez já vá sendo possível.

Bravura Lusitana disse...

Caro Joaquim Duarte,

Estou certo que os posts que publicou sobre o tema, criaram uma dinânica bastante positiva e contribuiram muito para o esclarecimento desta época Histórica.

Fiquei fã do blog e espero dar o meu contributo noutros temas.

Méon, disse...

Bravura Lusitana:

Obrigado pelas visitas e pela participação.

Luis Coimbra disse...

Mais dois contributos para o festival do "centenário"

Quatro de Março de 2010: o Chefe do Estado de Portugal está em visita oficial à Catalunha. O "aprofundamento" das "relações bilaterais" entre as duas "Regiões" está pelos vistos em marcha.

Por mais voltas que dê à memória, não me recordo de alguma vez Ramalho Eanes, Mário Soares ou Jorge Sampaio terem caído numa situação tão caricata como esta.

(Aquando do Jubileu, em Santiago de Compostela, Jorge Sampaio teve afazeres de Estado há muito programados que o impediram de participar na cerimónia - sentado na segunda fila, ao lado dos Presidentes das Regiões Autónomas de Espanha).

Quatro de Março de 2010: o Primeiro Ministro presta no Maputo homenagem aos heróis da guerra de independência daquele País irmão.

Esqueceu-se de ter uma "lembrançazinha" que fosse em relação aos militares portugueses - de todas as cores e credos - que lá também morreram na guerra, muitos deles, mal ou bem, a acreditar que Portugal e Moçambique eram uma só Nação feita de Eusébios, Colunas, Hilários e os outros "Magriços" do mundial de futebol em Inglaterra.

(Nos anos 80, com a guerra ainda fresca na memória, Ramalho Eanes foi à Guiné-Bissau e prestou homenagem aos dois lados combatentes).

Que mais nos estará reservado neste ano do "centenário" da República?