15.7.13

LEITURAS


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Parece-me evidente que a principal contradição política do nosso tempo é a que opõe o tempo político ao tempo económico. O primeiro vive ainda no séc. XIX, o segundo já vai pelo XXI adiante.
Usando os conceitos de Fernand Braudel para a leitura da História, podemos dizer que vivemos politicamente ao ritmo do tempo longo enquanto a economia acelera e vive em tempos cada vez mais curtos. Esta contradição mina a nossa vida actual. O cidadão comum tem uma consciência empírica deste desfasamento e sente-se desorientado. Os responsáveis políticos, por seu lado, sabem que é assim e adaptam-se individualmente - garantindo ganhos rápidos para si próprios - mas deixam à inércia do tempo longo a resolução da contradição.

Os meios de comunicação navegam neste mar agitado, sempre à vista da costa, e são raros os que vêm de mais alto ou mais longe.

Este livrinho abre espaços de reflexão urgente e propõe formas de ajudar a ultrapassar a contradição referida quando opta decididamente pela Europa Federal. Os proletários de todo o mundo não se uniram, quem se uniu foi o Capital. E enquanto os povos se agarram irracionalmente ao nacionalismo mais serôdio, o Capital aboliu fronteiras e ocupa vitoriosamente o Globo numa guerra aberta que se faz nas salas das Bolsas, 24 h sobre 24h, sem tráguas.
Simultaneamente fica a denúncia: os políticos que controlam a Europa têm medo de dar voz aos povos e, embora sabendo que o impasse político gerado por aquela contradição pode levar à destruição das nações, dão prioridade à burocracia que alimenta a inércia e os seus empregos.
Só uma consciência generalizada de que os povos da Europa se devem unir contra os burocratas ao serviço permanente do Capital financeiro mundial pode abrir perspectivas de um novo tempo.

Amanhã deixarei aqui alguns excertos deste livrinho precioso.

1 comentário:

Jose Patricio disse...

Bem dito, Joaquim! À espera dos excertos...