8.7.13

O NOVO PATRIARCA DE LISBOA





Atenção: nada me move contra o meu conterrâneo Manuel Clemente, padre, homem da Cultura e do Património Cultural. Admiro-o e respeito-o desde que o conheci.

No entanto, ao ver a cerimónia de ontem nos Jerónimos, em directo para as televisões, estremeci. A igreja, repleta de convidados, aplaudiu de pé a chegada do primeiro-ministro e do presidente da República!



A que propósito? Como é que uma República constitucionalmente laica está presente através das suas principais figuras numa cerimónia de contornos exclusivamente religiosos? Em que o presidente e a mulher ficam em dois cadeirões destacados na frente? Custou-me ver Manuel Clemente ( persiste a tradição anacrónica dos "Dom" ) envolvido por tal protocolo serôdio...
Eles podiam lá ir, tinham todo  direito. Mas ... serem entronizados como símbolos de Poder numa cerimónia da Igreja? Acho que é mau para a Igreja e para o Poder. Já não estamos no séc. XVIII!





Faço votos para que Manuel Clemente seja o Patriarca dos pobres, dos deserdados, dos sem-abrigo, das mulheres vítimas de violência, das crianças famintas, filhas de famílias devastadas pelos desemprego - e resista à tentação de se refugiar no Paço Patriarcal.
Que siga o exemplo de quem o enviou, o Papa Francisco, que recusou as vestes imperiais pontifícias e todos os dias dá testemunho do Cristo da Galileia, incompatível com o Estado do Vaticano mais os seus funcionários vestidos de púrpura...





3 comentários:

Anónimo disse...

Solidarizo-me com todo o teu texto,do princípio ao fim.tlogo a seguir li o comentário sobre
a actualidade política, atrever-me-ia a juntar à equação enunciada mais estas «incógnitas». Abraço e parabens pelos teus blogues. Ainda me convertes rss Maria Laura

Zé Maria Costa disse...

Caro Moedas Duarte:
Não te julgo ingénuo. Dou de barato que és um homem de pensamento. Tal como o Patriarca de Lisboa. O que descreves com amargura faz parte dos "sinais do tempo". A que falta ainda dar um derradeiro "pontapé no grande cú".
Tenho a certeza que o teu Manel Clemente não se com aquela ostentação e hipocresia. Mas vai ter de lidar com ela. Aquela gentinha que viste bajulando o Homem que conheces bem, são o equivalente das "matrafonas" do Carnaval de Torres Vedras. E peço desculpa às matrafonas pela comparação. Fazem parte do folclore. Mas nunca serão o elefante a passar pelo buraco da agulha.

Joaquim Cosme disse...

Não gostei nada de lá ver aqueles políticos e das palmas que lhe dirigiram. Joaquim Cosme