22.7.08




HAMLÉTICA



Tenho aqui neste dedo o teu anel, Maria
Adelaide Pereira!
Doce recordação desse inefável dia
Em que eu beijei teu rosto lívido de freira.



Teu rosto lívido de freira... Ah! Que poesia
Na angústia derradeira
Quando eu me separei dos teus braços, Maria
Adelaide Pereira!



Ouço-te ainda: - « A tua pálida Maria
Adelaide Pereira,
Louca de Dor, ébria de Sonho e Nostalgia,
Vai para o claustro! Hamlet! Ofélia é quase freira...»


Demos, então, as mãos... surdo rumor se ouvia.
Do bobo Yorik ria a singular caveira!
E ria-se de nós, do nosso amor, Maria
Adelaide Pereira.


É forçoso partir... Adeus Maria
Adelaide Pereira!
Os teus nomes que têm Mistério e Liturgia,
Hei-de tê-los na boca a minha vida inteira!


Lembro-me bem... Era Sol-posto, o céu, violáceo,
E sobre a areia d'oiro a espreguiçar-se o Lima...
Com que tristeza tu disseste: - «Adeus, Inácio
D'Abreu e Lima!»

Poema de António Feijó (1862 - 1917)
Ilustração da Net

6 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Méon,
simplesmente...delicioso!!!!!

beijinho.

Xantipa disse...

Que delícia! Que delícia!
:)
(Só não gosto muito da ilustração, mas não podemos agradar sempre a todos)
Um beijinho
da
Adriana

Méon disse...

Avelã:

deliciemo-nos então...

Beijinho

Méon disse...

Xantipa:

De facto... Vou substitui-la! Ou então fica sem nada, para melhor imaginarmos quem era a Adelaide...

Luís Galego disse...

agradeço a visita e gostei - muito de passar por aqui.

Um abraço

Xantipa disse...

:)
Não era preciso tanto!
Beijinho