8.3.10

DE NOVO MARIA DO ROSÁRIO


Da nova geração da poesia portuguesa, Maria do Rosário Pedreira não se distingue pelas ousadias formais da linguagem ou pelas metáforas surpreendentes de sentidos ambíguos.
Do que gosto é da sua forma de dizer os sentimentos banais, de tal forma que parecem únicos e nunca vividos por ninguém.

Como aqui, por exemplo:

Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.

Maria do Rosário Pedreira

4 comentários:

Avelaneira Florida disse...

Méon,

Poeta das palavras e do sentir...
Que bela escolha!!!

Beijinho.

Lilá(s) disse...

Bem escolhido, ela promete.
Bjs

lis disse...

Gosto de ler Maria do Rosário .Pena que nem sempre encontro suas poesias nas livrarias , mas contento-me aqui pela internet.
abraços Méon

José Augusto Nozes Pires disse...

Temos Poeta! Que bonitos versos! Procurarei ler mais.