1.6.10

PRÉMIO CAMÕES 2010: Ferreira Gullar! - poeta brasileiro


Prémio literário é coisa boa, pelo menos para mim: desperta minha ignorância e diz "olha aqui, você desconhece". Isso mesmo. Imito escrita à brasuca" e declaro já: Ferreira Gullar éra-me completamente desconhecido até ver a notícia AQUI!

Assim se vê como sou um dos muitos que se deixam embalar pelas conversas da treta ( agora é o Mourinho...)e perdem o essencial.
Busco, meio envergonhado. Quem é este tipo?
E logo encontro. Manancial literário, talento desmedido, um grande continente a explorar!
Cá vou eu! Posso começar pelo próprio site do escritor, AQUI.

Como posso ir à biografia escrita por Glauber da Rocha, AQUI: Deixo o começo...

«Ferreira Gullar nasceu no dia 10 de Setembro de 1930, no Maranhão. Filho de Alzira Ribeiro Goulart e de Newton Ferreira, figura esta constante em seus poemas. Começou a fazer poesias aos 13 anos de idade, e aos 15 decide seguir a carreira de poeta e escritor, publicando neste mesmo ano o seu primeiro poema: “O trabalho”. Aos dezenove, publica seu primeiro livro: “Um pouco acima do chão”, o qual ele vem a renegar tempos depois.


Ferreira Gullar teve vários empregos. Trabalhou como locutor na “Rádio Timbira” onde foi demitido ao recusar ler uma nota oficial que apontava os comunistas como os responsáveis pela morte de um operário num comício, morto por policiais – na ocasião, Ferreira Gullar estava presente, presenciando o assassinato. Neste mesmo ano, participa do concurso de poesias do “Jornal de Letras”, que teve Manoel Bandeira como um dos jurados. A sua poesia “O galo” sai vencedora.» ...


E depois vou à poesia ( publicada em Portugal pela extinta editora "Quasi")


NÃO HÁ VAGAS



O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão


O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras


- porque o poema, senhores,

está fechado:

"não há vagas"



Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço


O poema, senhores,

não fede

nem cheira

Ferreira Gullar

1 comentário:

José Augusto Nozes Pires disse...

Fazes muito bem publicitar este merecido Prémio Camões a um Poeta que nunca desprezou as suas origens populares e é um cidadão íntegro. Manue Bandeira, Drumond de Andrade, ele próprio: que grandes e «simples» poetas!