9.4.12

QUE FAZER?


O suicida de Atenas deixou este bilhete:

" O governo de ocupação de Tsolakoglou * aniquilou literalmente os meus meios de subsistência, que consistiam numa reforma digna para a qual me quotizei durante 35 anos (sem qualquer contributo do Estado). Como a minha idade já não me permite uma acção individual mais radical ( ainda que não exclua que se um grego tivesse empunhado uma Kalachinikov eu teria sido o segundo), eu não encontro outra solução que não seja uma morte digna, porque recuso procurar alimentos no lixo. Espero que um dia os jovens sem futuro empunharão as armas e pedurarão (enforcarão) os traidores, como fizeram os italianos em 1944 com Mussolini, na Praça Loreto de Milão."

 * O general Tsolakoglou, que assinou a amnistia com as forças invasoras alemãs, foi o chefe do primeiro governo grego sob a ocupação nazi (de 30/4/1941 a 02/12/1942). Na Grécia o seu nome é sinónimo de "colaboracionista".
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 Um homem desesperado põe termo à vida. Mas antes ainda fala no que poderia ou deveria fazer como alternativa se fosse menos idoso ou se alguém desse o primeiro passo. E mata-se com a esperança de que os jovens, um dia, farão justiça.

Mas... onde estão os traidores? 

Ao contrário da época da Revolução Francesa ou da Revolução Russa, o que é novo nesta sociedade decadente é que os exploradores não têm corpo em que se dê um tiro. Estão muito longe, vivem dispersos pelas grandes capitais do mundo, têm gestores que exploram principescamente, não precisam de dar a cara. Não são um rei ou czar com seu pequeno séquito de aristocratas, são milhares de acionistas de milhares de empresas. 
Li há dias que o dono da Zara ganhou milhões numa operação da bolsa e imaginei os milhares de trabalhadores das lojas Zara de todo o mundo a dar graças ao deus capital por continuarem a ter emprego, mesmo sabendo que são explorados. 
De qualquer modo, ele é o vértice de uma enorme pirâmide de exploradores e mesmo que levasse um tiro a estrutura não seria afetada.

Este é o drama do suicida de Atenas. Empregou contra si a carga explosiva de raiva porque, mesmo que tivesse uma Kalachnikov, ela não poria termo ao drama grego. Por cada serventuário do Capital que seja morto, outro se ergue para o substituir.

O drama do suicida grego e dos desesperados no desemprego e na miséria é que as esquerdas europeias não encontram soluções. Todos sabem que é preciso mudar de política. Mas como passar do saber à ação? E que ação fazer?

Era preciso derrubar Sócrates. Derrubou-se. Depois elegeu-se um Passos Coelho!...


1 comentário:

BRANCAMAR disse...

Que reflexões tão boas e eu aqui sózinha a lê-las.

Méon, que asustador é o futuro dos nossos filhos...

Por falar em filhos desejo que o João continue os seus êxitos e que construa uma carreira brilhante e que faça ver a estes magarefes que nos governam de que fibra são feitos os nossos jovens de valor.