21.5.11

QUEM GANHOU? QUEM PERDEU?




Neste "grande e decisivo debate", acho que ninguém ganhou. 
E que perdemos todos!
Perdemos tempo. Perdemos paciência. Perdemos uma oportunidade de sermos esclarecidos.

Porque a questão central é esta:

1 ---» ou temos em conta que há um "programa/acordo" já estabelecido pela Troika e assinado por três partidos - e então o que eles têm é de discutir a forma de o pôr em prática; logo, têm de saber dialogar, convergir e concretizar. Mas o que vimos foi os líderes dos dois maiores partidos do acordo mostrarem hoje que não querem nem sabem dialogar. Sócrates continua arrogante, teimoso e incapaz de reconhecer os erros. E P. Coelho não explicou claramente como vai fazer melhor sem mexer no Estado Social. Houve pugilismo verbal e perdeu-se o debate de soluções no contexto do tal "programa/acordo".

2 ---» ou não aceitamos esse "programa". Essa é a posição do PCP e do BE. Estes partidos sabem dizer o que não querem e apontam caminhos alternativos, mas são incapazes de nos explicarem como percorrê-los. Isto é: não têm soluções políticas dentro do quadro democrático.
O PCP não se cansa de apelar a "uma política patriótica e de esquerda" e repete o seu programa de 2009, como se não houvesse pré-bancarrota, troika e contexto internacional. Vai a votos e alimenta a secreta esperança de que o povo acorde, FINALMENTE! - e vote PCP. Mas não explica como faria Governo se essa fantástica hipótese se concretizasse, ele que nem uma Frente Comum Eleitoral consegue delinear com o outro partido da esquerda, o BE.
BE que, por sua vez, fala como se tivesse uma expressão eleitoral esmagadora - esquecendo que só tem alguma audiência porque há muitos descontentes, mas sendo incapaz de propor alternativas políticas viáveis e credíveis. De modo que esta esquerda é pouco menos que inútil. Dá voz ao descontentamento mas não apresenta meios para o solucionar - a não ser no muito longo prazo.

Por isso não me sinto representado por nenhuma das forças políticas em presença. Por isso acho estas eleições uma perda de tempo e de dinheiro. Por isso ponho claramente a hipótese da ABSTENÇÃO.
Não voto em BRANCO porque isso equivale a dizer "para mim qualquer um serve", quando na verdade nenhum serve.
Não voto NULO ( com uma diagonal em todo o boletim) porque isso é fazer equivaler o voto a um engano ou preenchimento deficiente.
ABSTENÇÃO como acto cívico que quer dizer: não alinho nessa comédia, os dados já estão lançados e viciados à partida, recuso-me a caucionar esta farsa.

2 comentários:

Anónimo disse...

Com todo o respeito, mas penso que o facto de equacionar abster-se pode também ser interpretado como: qualquer um serve.
Pelo contrário, se votar em branco, aí passa a mensagem que esteve com o boletim de voto na mão e não se revê em nenhum partido.

Méon, disse...

É uma opinião. Mas não consigo deixar de pensar que o voto em branco é como o cheque em branco.
O meu ponto de partida é outro: estas eleições são inúteis, pelas razões que sabemos: o essencial já está decidido.
Só por ingenuidade se pode pensar que "o povo tem uma palavra a dizer". O povo não foi visto nem achado na elaboraçao do acordo com o FMI. E esse acordo é que vai determinar as políticas que aí vêm.

Actualmente a política vive-se no muito curto prazo. Por isso o povo pode vir para a rua, ocupar praças, desfilar pelas avenidas. Mas quando chegar ao dia do pagamento das pensões e dos ordenados, de onde vem o dinheiro?

Então não há solução a não ser esta?

A curto prazo, acho que não.

A médio e longo prazos a questão é civilizacional e não se resolve com mais uma eleição. É todo um modo de vida que tem de mudar e que não vejo que esteja em vias de mudar.

"E o povo, pá?
O povo quer é um carro novo!"

Pessoalmente, e assumindo um desagradável e talvez exagerado pessimismo, acho que os nossos problemas civilizacionais - ambiente, esgotamento dos combustíveis fósseis, excesso de produção de bens supérfluos, falta de água, crescimento desordenado das cidades nas zonas litorais, insustentabilidade deste tipo de economia capitalista dominada pelos jogos financeiros - não têm solução. Ponto final.
Por isso cada vez mais me sinto tentado a calar-me, a ficar no meu canto, enquanto esta bola gira por aí e uns maduros se entretêm a fazer-me promessas de vida melhor.
Aliás, o fim do mundo e a falta de perspectivas já atinge a esmagadora maioria da população mundial.
Nós somos os últimos beneficiários de uma economia capitalista predadora que caminha para a auto-destruição. Questão de mais cem ou duzentos anos...