1.12.09

FINALMENTE !

Alguém que diz: "No mundo actual, o comércio lvre não é sustentável".

Todos os dias fecham lojas do comércio tradicional.
Mas todos os dias abrem novas lojas dos chineses.
Não alinho nos que dizem que isso é bom para os consumidores, porque os preços descem, etc.
Os capitalistas chineses - nada tenho contra estes pobres imigrantes sem horários de trabalho e que vivem como as formigas - invadem o mundo com tralha de má qualidade, produzida em condições infra-humanas. Uns tubarões oligarcas engordam, e o Estado chinês progride à custa dessa coisa inominável que alguns chamam de "socialismo capitalista".

E os países em que os trabalhadores lutaram décadas para imporem condições de trabalho dignas, vêem-se submersos por esta avalanche, este dragão que engole as suas empresas para as vomitar transformadas em sucata brilhante e mal cheirosa.





Imagem de blog.robertoweigand.com.br.

O economista que disse aquela frase inicial é o francês Jacques Sapir que veio a Lisboa apresentar um livro seu, como noticia o jornal PÚBLICO do dia 28 de Novembro p.p.

Entre outras coisas ele diz que a célebre crise financeira não está resolvida porque "os bancos foram salvos pelos governos e pelos bancos centrais, mas não mudaram as suas políticas. Reduziram o crédito concedido e estão a investir o dinheiro dado pelo Estado e emprestado pelos
bancos centrais em especulação."

E sobre o comércio:

"O comércio livre não é sustentável porque não é justo. Em vários países, há uma grande disparidade entre a produtividade e o nível dos salários, a protecção social e as condições ambientais."

Ao jornalista que lhe pergunta se ele defende a limitação da entrada de produtos chineses, responde:

"Não apoio a ideia da introdução de quotas. O que precisamos é de tarifas. A produtividade chinesa está entre 30 e 40 por cento da produtividade da Europa Ocidental, mas os salários são dez vezes mais baixos. E isto é um problema. Se os salários na China subirem, as tarifas podem ser retiradas. Mas até que tal aconteça, temos de proteger as famílias."

E a África?

"O problema em África é que o comércio livre diminuiu a sua quota de mercado internacional. É completamente falso dizer-se que os países mais pobres estão a ganhar com o comércio livre. É exactamente o contrário."

Parece óbvio, não? Até porque, se existissem essas tarifas, as empresas que fecham cá em Portugal para irem abrir nos países em que podem explorar desenfreadmante o trabalho, deixariam de ter vantagem no tal "comércio livre" em que a liberdade serve apenas para tirar defesas aos mais fracos...

2 comentários:

Avelaneira Florida disse...

Méon,
li o artigo no jornal e achei uma boa reflexão sobre o que "em catadupa" nas ruas desta e de tantas outras cidades...

Mas, cada consumidor, deve ter uma palavra a dizer ou um acto a executar - QUALIDADE E DIGNIDADE!!!
O maior problema são as "dependências económicas"...e o "controle remoto" que "alguns" fazem do alto dos seus "impérios"!!!

Beijinho.

José Augusto Nozes Pires disse...

Jacques Sapir é um economista e um ensaísta sério, até prova em contrário. Gostei deste post.