7.12.09

PORTUGAL




(Paragem da "carrêra", perto da Cadriceira)



País por conhecer, por escrever, por ler...

*  

O incrível país da minha tia
trémulo de bondade e de aletria.

*

País do eufemismo, à morte dia a dia
pergunta mesureiro: - como vai a vida?

*

A Santa Paciência, país, a tua padroeira,
já perde a paciência à nossa cabeceira.

*

No sumapau seboso da terceira,
contigo viajei, ó país por lavar,
aturei-te o arroto, o pivete, a coceira,
a conversa pancrácia e o jeito alvar.

Senhor do meu nariz, franzi-te a sobrancelha;
entornado de sono, resvalaste pra mim.
Mas também me ofereceste a cordial botelha,
empinada que foi, tal e qual clarim!


 Excertos do longo poema de Alexande O'Neill, O PAÍS RELATIVO.
Foto (C) Méon

2 comentários:

Maria Almira Soares disse...

Este país já não existe: nem bondade nem aletria; antes agressividade e ganância fria.

A Paciência foi deposta dos altares
e a resistência amoleceu mastigada em debates tumulares.

A botelha já não é cordial,mas gesto ritual; e o clarim é falsete
que a mentira repete.

Lilá(s) disse...

Portugal no seu melhor!
Bjs