11.4.10

CITAÇÃO A PROPÓSITO



Do ÍPSILON (Jornal PÚBLICO), 9 de Abril 2010:

«Percebemos agora a razão dessa obsessão da Igreja, dos bispos, dos padres, dos cardeais, com o pecado sexual. Eram eles que estavam obcecados com o sexo. Não nós.»
(John Banville, autor de "O Segredo de Christine").

Hoje é inimaginável o horror psicológico em que foram criados muitos jovens, obrigados a confessarem pecados sexuais, no chamado "sacramento da confissão". A qual exigia a descrição integral do pecado, conforme o respectivo Cânone:

“Cân. 960: A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral escusa de tal confissão; neste caso, pode haver a reconciliação também por outros modos.”

Consultem-se os "livros de piedade", com os seus "exames de consciência", essa literatura tenebrosa de que "A Missão Abreviada" era o mais refinado exemplo.
Veja-se que mentalidade predominava nestes "pastores" de almas.
Não foi há muito tempo, sei do que falo. Como tantos outros, demorei décadas a libertar-me do "poder espiritual" deste homens elevados a mediadores de Deus. Homens, apenas. Vítimas e carrascos de gerações de crentes.

A propósito do escândalo dos padres pedófilos que têm vindo a ser divulgados ultimamente, já há quem fale no regresso do anti-clericalismo de outros tempos.
A verdade é que na própria Igreja já há muito que algumas vozes lúcidas vêm clamando contra a clericalização da vida eclesial.
Parece chegada a hora de a hierarquia católica regressar à humildade de Cristo, que nunca ouviu ninguém em confissão...

4 comentários:

Brancamar disse...

Muito interessante o texto Méon.
Concordo plenamente, a confissão é absolutamete inútil. Cristo ensinava os homens a reflectirem, a consultarem a sua consciênbcia e não a sujeitarem-se a uma humilhante confissão perante ele ou seja quem fôr, muito pelo contrário ele defendeu a mulhar adúltera públicamente, dizendo que quem nunca tivesse pecado lhe atirasse a primeira pedra. Depois o termo pecado nunca foi usado por Cristo com o conceito redutor e dominador com que a hierarquia religiosa o usou, embora não toda. Já houve tempos na Igreja, depois do Vaticano II, em que se defendeu que cada um faria o seu exame de consciência e o sacerdote faria na missa uma absolvição geral, muitos sacerdotes chegaram a usar essa fórmula.
A palavra pecado devia mesmo ser banida dos dicionários, é um conceito ultrapassado.
Deixo abraços.
Branca

Méon, disse...

Partilho as suas considerações, Branca.
Obrigado pela visita.

José Augusto Nozes Pires disse...

Também partilho as considerações da Branca. E sou ateu.

Paúl dos Patudos disse...

Como concordo com este seu texto meu amigo. Estou perfeitamente de acordo consigo. A igreja católica tem que mudar e acompanhar os temos ou então corre o risco de ver o seu "rebanho tresmalhar" para outras congregações...
bjo
A conterrânea Ana Paula