16.4.10

UM PROBLEMA DE CIVILIZAÇÃO ?


jornal I de ontem trazia duas páginas sobre as dificuldades no domínio da Língua Portuguesa pelos alunos universitários.

Uma breve citação:

«A incapacidade de usar a língua portuguesa de forma correcta é um "mal generalizado" entre os alunos de todos os anos, avisa Manuel Henrique Santana Castilho, docente da Escola Superior de Educação de Santarém. "São raros os que conseguem organizar um pensamento e escrevê-lo sem incorrecções", diz o professor que ensina Gestão Educacional aos futuros candidatos a professores do 3.° ano. Os erros vão muito além da ortografia e da gramática, conta Isabel Ferreira, que dá aulas de Física aos caloiros do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa: "Na generalidade, escreve-se como se fala. Os alunos distorcem as palavras para permitir uma colagem entre a grafia e a fonética."»


Como se chegou aqui?
Há logo quem culpe o Governo. Ou os professores. Ou os pais. Ou todos.
A verdade é que este não é um problema específico de Portugal, passa-se um pouco por todo o mundo.
Sempre que vem a propósito pergunto aos jovens se têm televisão, computador e Playstation no quarto. A esmagadora maioria tem. E ligam-nos assim que chegam a casa.
O pouco que lêem é sincopado, intermitente, nos ecrans do computador. Tudo passa pelas imagens rápidas, sem tempo para a interiorização.

Problema de civilização, parece-me. A família e a escola não têm capacidade para limitarem este caudal tecnológico que tudo submerge.
Os professores defrontam-se diariamente com a incapacidade dos jovens em manterem níveis regulares de concentração. E os pais não sabem como obrigar os filhos a estudarem à maneira antiga: lendo, sublinhando, resumindo, fazendo esquemas, reproduzindo por outras palavras, sintetizando...

E ninguém tem soluções para isto.

5 comentários:

Lilá(s) disse...

A solução passa pela grande reviravolta que era preciso dar..
Bjs

manuela catarino disse...

Méon,

a verdade é que lidamos com esta real situação, nas aulas, todos os dias...

Seria preciso mudar muito!!! Não quer dizer destruir as tecnologias... mas aliá-las para o benefício, por exemplo,da escrita.

"N'espérez pas vous débarrasser des livres"...por exemplo!!!!!
A ler, sim!!!!
Beijinho.

joao_moedas disse...

Isto parece-me um problema geracional..

Que percentagem de portugueses tinha uma colecção razoável de livros em casa nos anos 50?

Infelizmente os livros vão desaparecer assim como praticamente desapareceu o vinyl e vão ser substituídos por livros electrónicos (alguns possivelmente fazendo uso do papel)..

Os jovens hoje em dia dominam a tecnologia e o ensino (quer em casa quer na escola) practicamente não faz uso dessa tecnologia..

Problema de civilização? Não será tanto. Penso que é a evolução natural das coisas. O preço que pagamos por ter uma civilização cada vez mais evoluida..

Eu ainda gosto de estudar à maneira antiga mas é cada vez mais dificil.. No meu portátil tenho milhares de artigos.. Seria dificil pegar nessa quantidade de papel e ir estudar para um esplanada.. Para nãi falar da quantidade de papel que se poupa..

Hoje em dia com o portátil é muito mas mesmo muito mais práctico (ele é artigos, livros, leitor de musica, leitor de DVD, agenda, etc etc)..

Penso que seria um disparate obrigar as pessoas a estudar à maneira antiga.. Houve uma altura que as pessoas estudavam com tábuas de pedra, depois papel e agora ecrãns de computador.. :)

O problema não está na forma como se aprende.. isso tem mudado ao longo da história e continuamos a aprender..

Penso que o primeiro passo para resolver o problema é aceitar com naturalidade que o paradigma muda.. Este situação deve-se ter repetido milhares de vezes ao longo da história com o avanço da tecnologia, da roda ao computador :)

Foi difil abandonar o Vinyl mas as coisas são mesmo assim :)

Bjs
João

Méon, disse...

O comentário do João merece vir para o corpo principal do blogue, onde depois o comentarei.
Até já...

Joaquim disse...

Sábias palavras João e Méon! Porque o usual é uma rebelião contra tudo o que se transforma, coisa de velhos que não precebem que o mundo se transforma. Com coisas boas e com outros problemas evidentemente.