9.1.08

Torga: um poema "diferente"...


Miguel Torga (1907-1995) foi um dos nossos maiores escritores contemporâneos. Deixou-nos uma obra vasta, em prosa e verso. A voz, grave e solene, que ressalta das suas páginas, é a de um homem consciente das grandezas e misérias da condição humana. Por isso se deslumbra, por isso se revolta.
Inesperado, este pequeno poema mostra-nos outra faceta do grande escritor…

FANTASIA

Canto ou não canto o limoeiro
Aqui ao lado?
Ele é tão delicado!
Tem um jeito tão puro
De se encostar ao muro
Onde vive encostado…
Canto ou não canto as tetas da donzela
Que daqui da janela
Vejo no limoeiro?
Elas são tão maduras…
E tão duras…
Têm uma cor e um cheiro…

Canto!
Nem serei o primeiro,
Nem eu sou santo!

3 comentários:

avelaneiraflorida disse...

e Torga escreveu-o em Coimbra,no mês de Outubro do ano de 1945...

Rhiannon disse...

Boa!! Bela lembrança.

Méon disse...

Avelã: exactamente! Obrigado pelo acrescento. Ou não fosses torguiana completa!



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Rhiannon:

Ainda bem que gostaste. Para mim também foi uma bela surpresa...