14.6.08

DE ACORDO?



Belíssimas crónicas, as do meu amigo Cid Simões no BADALADAS, - jornal regional de Torres Vedras.

Não resisto a transcrever um excerto da mais recente, intitulada "Acordar ou não acordar eis..." , a propósito do acordo ortográfico e da cruzada patriótica dos senhores Vasco Graça Moura (GM) e Zita Seabra (ZS):

« O senhor GM e a dona ZS nunca assistiram ao fim de uma jornada de trabalho de africanos, brasileiros e portugueses ou até de eslavos da construção civil que, cansados frente a uns couratos assados - marisco de pobre - e a um jarro de tinto ou cerveja aí vão construindo a língua que será a nossa quando os GM e as ZS já por cá não andarem.
Em nada mudou a sorte de quem trabalha ou procura trabalho por ao patrão se passar a chamar empregador ou empreendedor e ao empregado colaborador, sabem sim que o colaborador sem trabalho será sempre um desempregado e que procurará emprego e nunca colaboração.
Procura, diz o GM, conseguir milhões de assinaturas para travar o acordo ortográfico e nem uma centena para travar o preço do pão.
Quando leio Mia Couto, sinto uma lufada de ar fresco que me rejuvenesce. A diversidade é um bálsamo.
Tudo, absolutamente tudo, está em devir constante com ou sem dezenas ou milhões de assinaturas. Tenham paciência.»


Como dizia Galileu, depois da forçada retratação: "... no entanto ela move-se!"

[ As fotos, tiradas da net,não fazem parte do crónica... ]

5 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Méon,
e , sim, MIA COUTO...e todos os restantes fazedores da língua como instrumento do VIVER!!!
Quem usa as palavras pode achar que a grafia se deve alterar em nome de três ou quatro razões ditas DE CULTURA...esquecem, talvez, que a palavra não conhece barreiras quando se trata de expressão do SENTIR!!!

Méon disse...

Avelã:

Mais do que a grafia, a fala, a oralidade, é que mantêm a língua viva.
Com ou sem acordo ortográfico...

LeniB disse...

começo a considerar a hipótese de só ter mesmo paciência para os meus filhos e para ler...
bjs

Orlando disse...

Mia Couto foi claramente contra este Acordo Ortográfico, exactamente porque defende a diversidade da língua, e esta diversidade -- ao contrário do que pensa a elite política -- enriquece a língua e não a enfraquece. Contudo, e para além dos neologismos introduzidos por Mia, ele escreve a língua correcta como poucos, o que prova que se pode ser criativo sem necessidade de um unanimismo artificial.

Méon disse...

Orlando:

Exactamente!
Obrigado pelo comentário.