29.6.08

"...eu estou aqui..."


Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor — a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmasda casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
(Maria do Rosário Pedreira)


Aparecem por aqui alguns comentários , em inglês, cuja finalidade é apenas abrir ligações sabe-se lá para
onde...
Daí a "moderação" que tive de introduzir, a contra-gosto. Temporariamente, espero...

6 comentários:

Xantipa disse...

Que belo poema, este!
:)
E quanto à moderação, também eu tive de passar a fazê-la, pelas mesmas razões.
Bom domingo!

avelaneiraflorida disse...

Méon,

e , ao adormecer, os sonhos ganham nova claridade. Aquela que só contempla o sono tranquilo...
Porque alguém vela o nosso sono...
Beijinho.

os comentários"enganosos" são uma praga!!!!Bem o sei!!!!

Méon disse...

Xantipa:

Mª do Rosário Pedreira sabe escrever sobre os sentimentos numa linguagem que nos toca.
Bom dia para ti!

Méon disse...

Avelã:

Por vezes o sono é ameaçador porque se parece demasiado com a morte...
Mas é vida! - quando alguém o vela e desvela os nossos sonhos...

Beijinho para o teu dia!

LeniB disse...

Adorei este excerto...fiquei com vontade de ler mais!!
bjs

Méon disse...

Lenib

Em breve...
bj