23.6.08

Explosão e precisão


«Em poucos anos de actividade Lenz percebera que na medicina se combatiam as duas mais espantosas capacidades da técnica: a explosão e a precisão. Um e outro limite eram entre si adversários. O seu bisturi era, isso estava claro, o mensageiro da precisão e da rectidão. A sua mensagem era a linha recta, o endireitar do desvio. O organismo doente, ou uma parte dele, entrara inadvertidamente por um atalho e o bisturi relembrava materialmente e com a sua força qual o caminho certo, qual a estrada principal.»


(Aprender a rezar na Era da Técnica, Gonçalo M. Tavares, ed. Caminho, 2007)

De novo com Gonçalo M. Tavares: a criação de universos aparentemente estranhos... Parecendo falar de outra coisa, ele está a falar de nós. Eu, tu, ele...
Um bom antídoto para a literatura light!

6 comentários:

LeniB disse...

Este é um dos que tenho de parte para ler...entretanto já li "Jerusalem" que achei fabuloso.
bjs e boa semana

Anónimo disse...

Excerto FANTÁSTICO!
LINDO MESMO!
Bj ti.....

Xantipa disse...

Na conversa que GMT manteve connosco em Albufeira, na sexta-feira, essa comparação com a literatura light foi feita, pois o que ele pretende é, precisamente, o contrário.
Um antídoto, como o Méon bem descreveu.
:)
Beijinho

Méon disse...

Lenib, Xantipa e...T.


Vou continuar a ler... É estimulante! Um desafio.
E tem a vantagem de o autor não entrar no experimentalismo formal para o qual não tenho paciência...

avelaneiraflorida disse...

Méon,

uma interessante discussão...
Mas, e se o bisturi não traçar o seu caminho "correctamente"????
é que ele é comandado por um sistema complexo-a mão- que está dependente de um cérebro...
E se a sua "força" fôr traiçoeira????

Méon disse...

Pois é. Será por isso que se fala em "rezar na era da técnica"?

GMT deixou essa pista...