10.9.07

POEMAS DE MÃO EM MÃO ( I )

( "Solidão" de Hopper )




Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Maria do Rosário Pedreira

2 comentários:

avelaneiraflorida disse...

QUE POEMA LINDISSIMO!!!
Como as palavras de Prévert...

Não conhecia esta poetisa...mas acho que vou querer ler muito mais!!!!

" BRIGADOS"...por este post!

Méon disse...

Espero encontrar mais. Para que a poesia circule "de mão em mão".

Viva a VIDA!